
Aquela sensação de satisfação com uma Season Finale.
Spoilers Abaixo:
Continuum foi uma surpresa muito, mas muito boa. Quando eu lembro que só escrevi as primeiras impressões dela porque ninguém mais queria, abro um sorriso imenso. Dei sorte, não dei? Assisti ao piloto da série e gostei do que vi. Depois vi o segundo, o terceiro, o quarto e, quando me dei conta, já estava formulando teorias sobre os enigmas e ansiando pelo que estava por vir.
Não posso dizer que todos os episódios foram ótimos, pois houve irregularidades. Mesmo assim, com esta finale, Continuuum conseguiu concluir o ciclo de seu primeiro ano, fechando os principais plots que havia formado, e criar o melhor cliffhanger para sua possível segunda temporada, junto com mais alguns mistérios que, inteligentemente, foram deixados para serem solucionados depois. E o grande cliffhanger, claro, foi ligado ao melhor personagem dela: Alec.
Desde o início Alec Sadler foi o que mais nos intrigou. O homem de 2077, que organizou a vinda de Kiera e do Liber8 para 2012, é o mesmo garoto que ajuda a Protetora a derrotar o grupo de terroristas na atualidade. Isto parece um ciclo estranho e vicioso.
Sendo o senhor Alec Sadler quem ele é, e sendo Edouard Kagame quem ele é, quais razões eles teriam para colaborarem juntos? Qual seria a razão de Kagame para obedecer Sadler e voltar a 2012? Há muitos detalhes que ainda não foram mostrados, ou que ainda não entendemos, mas, se a luta do Liber8 é contra os membros do governo, (incluindo Sadler), por que Kagame o obedeceu?
Mais do que isso, vimos que Julian é o mentor de Edouard. A cilada do roteiro para nos fazer pensar que eles eram a mesma pessoa foi bem feita, mesmo depois de vermos a mãe de Kagame grávida dele em 2012 (1×05). Este recurso de enganar para surpreender é muito comum, e geralmente é precedido por uma revelação bem maior. No caso de Continuum, lá estava o senhor Julian sendo chamado de Theseus, o nome tão proclamado pelos integrantes do Liber8 para o dia em que “tudo começou”.
Seguindo no raciocínio do relacionamento Kagame-Alec, me surpreendeu a propriedade com que o jovem Sadler se dirigiu à Edouard quando estava preso na cadeira. Naquele momento, considerei que ele já tinha lido o documento que mandou para si mesmo, tendo em vista seu discurso tão convincente de trazer “progresso e inovação para fazer do mundo um lugar melhor”. Foi corajoso e impetuoso da parte dele, já demonstrando o caráter destemido do personagem, que falou aquilo sem saber a quem se dirigia.
Porém, o que chama a atenção nesta conversa é Kagame afirmar que foi o próprio Alec que o convenceu de que ele podia “mudar” a história, e aí voltamos ao ponto do porquê de Edouard aceitar a proposta do senhor Sadler, e de Julian aceitar preparar seu aprendiz para tal. Pelo visto, eles acreditaram que o plano do Alec de 2077 é fazer as coisas diferentes. Mas o que exatamente mudaria?
O prédio que tinha que explodir, explodiu. A tragédia na casa de Alec que tinha que acontecer, aconteceu. Tudo isso me leva a pensar que, sendo Alec a “pedra fundamental” do curso que a história tomou, a coisa mais significante que pode mudar para mudar o futuro é ele. E este raciocínio induz ao diálogo final do episódio, onde ele fala para Kiera que existe uma razão para o Sadler do futuro enviá-la para 2012. A razão seria ele mesmo?
Bom, deixando a curiosidade pela resposta desta pergunta de lado, vamos aos outros elementos de “End Times”. Mais uma vez, Kiera passou apertado com os olhos atentos da polícia. Era óbvio que mais cedo ou mais tarde surgiria outro alguém para suspeitar da “Section 6”, porém Continuum foi esperta e usou a obviedade para inserir um novo personagem. O atual misterioso do pedaço é o senhor Escher, que já entrou salvando a pele da Protetora diante do agente Gardiner , do CSIS .
A presença de Escher não veio sozinha, outras pessoas do ano 2077 foram afetados pelo dispositivo de viagem no tempo e se “dispersaram” em outros anos e em 2012. É claro que isto abre precedente para mais temporadas da série, colocando Kiera para combater outras ameaças além do Liber8, e fazendo deste primeiro ano apenas um “ensaio” do que ela enfrentará a seguir.
Aí também entra Jason, o louco que grita para todos que veio do futuro. Ele aterrissou no episódio de uma forma bem estranha, mas sua finalidade de enfatizar a escolha final da Protetora ficou clara. Kiera acabou não voltando para casa, mesmo depois de o prédio ter explodido. A esperança dela é ficar para continuar tentando mudar a história. Esta atitude traz à tona a dúvida sobre o motivo de Alec tê-la escolhido para incluir em seu plano. Seria este caráter insistente o que chamou a atenção dele?
Outro elemento importante do episódio é a liderança. Vimos que Kagame não passa de um peão entre Alec e Julian, exatamente o contrário do que pensamos dele até aqui. Sonya, por sua vez, provou que era verdade sua afirmação sobre ser mais leal a Edouard do que a Travis. Quer dizer, ela foi muito além do que uma simples prova. O que ela tinha com Travis não era só uma história de amor, ele era a razão de ela ter entrado no grupo.
E já que estamos falando de história de amor, eis que a série dará mesmo uma sequência para o casal Kellog e Kiera. No entanto, o mais importante entre eles nem é este caso de “consolo”, e sim o real papel de Kellog em 2012. Cameron perguntou se foi ele quem interferiu diante de Gardiner, e se ele tinha algo a ver com os últimos acontecimentos. Bom, provavelmente ele não é Escher, mas, observando a esperta resposta dele (“não neste ano, não em 2076”), Matthew não negou sumariamente sua participação. E considerando que ele conhece tanto 2012, parece claro que ele sabe mais do que demonstra.
O último elemento que chamou a atenção foi o descuido de Kiera depois da explosão. Continuum mostrou bem que Gardiner a viu usando a super-roupa como proteção e depois para ficar “transparente”. A intenção, certamente, envolve dizer que naquele momento conturbado ela nem reparou que estava sendo observada. Também envolve dizer que, provavelmente, Gardiner não sairá do pé dela na temporada seguinte, e o telefonema de Escher não será suficiente para conter sua curiosidade.
Mas curiosidade é o que há para ele e para nós. Até o momento, a Showcase não se pronunciou sobre a renovação ou o cancelamento. Sucesso a série fez. Os atores já disseram que adorariam continuar em seus papéis. Cliffhanger para a próxima temporada? Nem se fala. Tudo o que uma série precisa para seguir em frente, esta aqui tem. Só resta, então, cruzar os dedos e torcer porque… Simplesmente, Continuum não pode terminar assim.
Observações:
– Mesmo sabendo que Alec não poderia morrer, gelei quando ele se deu de presente para o Liber8. Ê menino terrível.
– Acabou o episódio e fiquei na dúvida se Kiera não voltou para 2077 e não deixou Jason ir, ou se ela devolveu o dispositivo para ele.
– Ficou muito bom o início de “End Times” retornar à cena do Piloto. Este recurso dá a sensação de que a temporada foi planejada. Pontos positivos para o roteiro.
– William B. Davis é mesmo um excelente ator. Nos poucos minutos dele em cena (com destaque para aquele sorriso maléfico), o senhor Alec transmitiu tanta autoridade que tudo o que imaginávamos que Kagame era se desfez imediatamente.
– Vale elogiar Erik Knudsen de novo? Os atores que interpretam Alec são simplesmente os melhores da série.
– A história de Sonya com Travis começou quando ela criou o programa Bio-Melhoramento (aquele do hormônio da glândula pituitária). Ela tinha ordens de matar as cobaias da pesquisa, mas, ao conhecer Travis, ela não pode matá-lo. Por causa de sua revolta contra seus superiores nesta questão, ela se juntou ao Liber8, juntamente com ele.
– Parabéns para quem imaginou que Julian era o mentor de Kagame. O fato de terem a mesma tatuagem não significa que eles são a mesma pessoa, mas sim que um influenciou o outro. Na verdade, ambos se influenciaram num ciclo incrível.
Algumas perguntas para a próxima temporada:
– Alec, por que você mandou Kiera para 2012? POR QUÊ?
– Qual é o verdadeiro propósito de Alec? E como ele convenceu seu maior inimigo a morrer por este propósito?
– Quem é mr. Escher?
– Quem são os freelancers? Quem são os Corsários?
– Quem é Kellog e o que ele quer, afinal?
– Como será a liderança de Sonya, e o que o Liber8 fará daqui para frente?
– Aliás, podemos mesmo assumir que Sonya conseguiu matar Travis?
– O que fez Julian confiar, ou quase confiar, em seu irmão novamente?
E para vocês, quais são as outras dúvidas que Continuum deixou?













![Continuum 4×05/06: The Desperate Hours/Final Hour [Series Finale]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2015/10/Continuum-4x06-218x150.jpg)
