Podcast e true crime são termos em inglês que até poucos anos atrás poderiam ser desconhecidos pelo público brasileiro. No entanto, em virtude da ascensão das plataformas de áudio pela internet, provocada pela intensa procura de novos tipos de consumo de entretenimento, justamente pelo fato de a grande maioria da população estar em isolamento social, em virtude da pandemia do novo Coronavírus, as pessoas começaram a ouvir e a se interessar pela temática.
Logo, novas produções estão em andamento, como Praia dos Ossos, mais um podcast famoso na web, com investigações intrigantes e narrativas misteriosas, características que atraem os ouvintes fissurados pelos famosos crimes reais. Segundo informações do portal Splash, do UOL, a Conspiração Filmes comprou os direitos antes mesmo de o podcast se tornar um grande sucesso.
Idealizado e conduzido por Branca Vianna, fundadora da Rádio Novelo, o programa em áudio – lançado em 2020 – narra, em oito (8) episódios, de sua primeira temporada, a história da morte da socialite Ângela Diniz, assassinada pelo companheiro, Doca Street – réu confesso -, em 1976, com quatro tiros, em uma casa, na Praia dos Ossos, no litoral de Búzios, no estado do Rio de Janeiro. No entanto, há um diferencial: a sonorização potente, com ondas e gaivotas na praia acabou atraindo o ouvinte logo no início do primeiro episódio, por exemplo, mostrando que a narrativa já tinha traços adequados para o vídeo, juntamente o fato de que Doca, nos três anos que se passaram entre o crime o julgamento, tornou-se a vítima.
“Quando a gente compra os direitos de uma obra para adaptar, a gente compra um ‘diamante bruto’, que exige ainda muita ‘lapidação’ para virar um filme ou uma série”, relata Clarisse Goulart, diretora-executiva de desenvolvimento da produtora Conspiração Filmes. “No caso de ‘Praia dos Ossos’, a gente viu uma peça que já tinha alguma ‘lapidação’ para o audiovisual”, contou Goulart. A Conspiração Filmes ainda não revelou detalhes do elenco, tampouco da equipe dos bastidores, mas as negociações com as plataformas de streaming ainda estão em andamento para a concretização da nova série.
No entanto, os fãs não esperam o material em vídeo estrear para levantar as suas principais teorias, não. Em uma comunidade no Facebook, por exemplo, com quase 4.000 integrantes, ocorrem debates sobre o caso, sendo as conjecturas trabalhadas há bastante tempo. Cogita-se, inclusive, a principal atriz que, por ventura, irá interpretar a Ângela Diniz, com Paolla Oliveira (Felizes para Sempre?), Mariana Ximenes (Se Eu Fechar os Olhos Agora), Letícia Colin (Onde Está Meu Coração) e Grazi Massafera (Verdades Secretas) entre os nomes favoritos para o trabalho. Isso se justifica, pois a equipe pretende que o seriado seja “100% dramatizado”. “A gente não faria um documentário pelo fato de a Ângela Diniz não estar mais viva”, pondera Clarisse. “A gente não teria a voz dela na obra, até porque há muito pouco ou quase nenhum registro dela, como mostrou o próprio podcast”, finalizou.
Vale lembrar que o pioneirismo de ascensão dos podcasts investigativos se deu com O Caso Evandro, no qual o jornalista independente, Ivan Mizanzuk (Anticast), esmiuçou com maestria todos os detalhes do sumiço de Evandro Ramos Caetano, menino de seis (6) anos de idade, morto brutalmente na cidade de Guaratuba, no litoral do estado do Paraná. O êxito foi tão significativo, que a quarta temporada do podcast Projeto Humanos – agora, licenciado à Rede Globo – foi transformada em uma série documental do Globoplay, que, inclusive, recentemente, ganhou um episódio extra, contendo um depoimento inédito de Osvaldo Marceneiro, um dos sete (7) acusados injustamente pelo crime, que foi torturado, na época. “Ainda é surreal um trabalho que eu fazia nas férias ter tomado toda essa projeção e virar série”, contou Ivan, que também lançou um livro homônimo sobre o crime.

A produtora Glaz comprou os direitos para adaptação do podcast antes mesmo de ele ir ao ar. “Por conta dessa negociação, toda vez que eu encontrava alguma matéria da época eu já ficava imaginando como aquilo seria impactante no audiovisual. Tem imagens ali que são muito impressionantes, e que a produção da série conseguiu usar de forma brilhante”, explica Mizanzuk. “O audiovisual preencheu lacunas que eu, com o áudio e livro, não conseguiria chegar”, confessou o recente contratado da Rede Globo, que percebeu um triplicamento na média diária de downloads dos episódios nas plataformas de áudio, desde a estreia do seriado na plataforma de streaming da emissora, em maio deste ano.
Além disso, Ivan irá lançar no ano de quem mais uma série documental com a mesma equipe que produziu O Caso Evandro – Aly Muritiba (Irmandade) e Michelle Chevrand (Pelé), ambos na direção – intitulada Caso dos Meninos Emasculados de Altamira. Nela, juntamente à um podcast, que será lançado primeiro, compondo, assim, a quinta temporada do Projeto Humanos, ocorrerá as principais revelações sobre os desdobramentos do fato ocorrido na cidade de Altamira, no sul do estado do Pará, entre 1989 e 1992.
Na época, crianças foram assassinadas de forma brutal, tendo o crime sido associado a rituais de magia negra, juntamente aos vários empecilhos judiciais em relação aos processos no Poder Judiciário Brasileiro. Todo o material, ainda encontra-se em fase de pesquisa e de produção e não há informes sobre o início das gravações – seja do podcast, seja da série original -, muito menos das datas de lançamento de ambos os materiais de o Caso dos Meninos Emasculados de Altamira.
Ainda não há informes de quando vão ocorrer as gravações de Praia dos Ossos, tampouco sobre a sua data de estreia. Contudo, caso você, leitor, deseje ouvir o conteúdo original, clique aqui, no site oficial, ou então procure nas principais plataformas de áudio disponíveis na internet.















