
Annie get your gun.
Spoilers Abaixo:
Community já foi uma série que não precisava se apoiar em referências, e essa lembrança se fixou em mim após ver esse episódio. Lembram-se de quando Greendale entrou em uma competição-debate sobre a maldade do homem? Ou quando o grupo principal decidiu assumir que provavelmente todos se sentiriam atraídos por alguém do próprio grupo? Lembram do Vaughn? Pode não ser intencional (aham), mas quando o assunto é relacionamento amoroso geralmente Community não apela para referências, em alguns casos apenas introduz a ideia, mas nunca a centraliza em alguma homenagem (que existem de sobra por aí), como por exemplo, a tensão sexual de Jeff e Britta no meio do torneio de paintball ou a “Gravity” como o tema de Annie e Jeff no episódio dos flashbacks. Nessa área é tudo muito original, disfuncional, e claro, arriscado. Então, sejamos sinceros: qual relacionamento amoroso de TODA a série deu certo? Nenhum. E qual deles veio enfeitado com alguma homenagem cinematográfica para agradar os fãs? Então foi muito reconfortante perceber o quão bem trabalhados foram os dois relacionamentos amorosos tratados nesse episódio: Jeff e Annie (Jennie) e Britta e Chang (Chitta? Sim, adoro inventar esses nomes).
Os roteiristas da série tiveram muita bala na agulha para retomar a química entre Jeff e Annie, talvez um arco para um dos personagens esteja vindo por aí e essa relação precisa de um fim rápido, mas de qualquer forma considero esse o momento crucial da amizade dos dois. Annie raramente foi para Jeff um elemento que se encaixava na loucura constante dos outros amigos que ele, por ser um advogado com a vida ganha, tinha como dever zelar (e no primeiro momento em que ela demonstra ser tão insana como qualquer um ali, em “Cooperative Calligraphy”, o esforço de Jeff para dar um sentido à situação chega ao surrealismo). Britta é bonita e independente, Annie é linda e inteligente, a um primeiro olhar não há como as duas se encaixarem na mesma sintonia de uma mulher religiosa, um senhor tarado, um viciado em TV e um projeto de garoto popular, e a permanência delas instiga e excita o personagem principal.
E se Britta e Jeff podem estar em uma amizade colorida até hoje (alguém se surpreenderia?), com Annie a coisa é diferente. Nesse episódio ela explode mais uma vez ao ver seu projeto de geopolítica fracassar e então é hora de cortar esse cordão envolvendo os dois através da cena com um dos diálogos mais bonitos da série. Jeff pode dizer que Annie cresceu, mas como estamos falando de Greendale na verdade Annie acaba de ganhar seu passe livre para se vincular de vez como mais uma amiga insana da caracterização da sensatez, Jeff Winger – e nesse início de terceira temporada ele já se portou como “personagem principal” da série mais do que em toda a segunda temporada. E é curioso notar que a maioria dos personagens secundários já teve esse momento particular com Jeff, mas não nas devidas proporções (porque nada abrangia a esfera romântica): Abed no episódio “Critical Film Studies”, Troy na season finale da segunda temporada e várias vezes com Pierce, mas Pierce parece ser um caso sem solução.
E o que dizer da storyline envolvendo Chang e Britta? Nonsense do começo ao fim, algumas peculiaridades do jogo de gato-e-rato entre guarda e subversiva como Lionel Ritchie embalando a música-tema dos dois e alguns quotes (“I knew you would come” – referência \o/) tornaram a trama mais divertida do que se apresentou no início do episódio – de uma maneira bem randômica e apressada. Se essa relação completamente maluca vai vingar ou não é difícil dizer, já que Chang é um personagem muito instável, mas o episódio conseguiu deixar essa possibilidade interessante.
Então depois do baque da season premiere, este sólido episódio vem para colocar tudo nos trilhos novamente. O que a série vai aprontar essa semana?
Outras observações:
– CRISIS ALERT!
– Você quer falar de Fringe, eu quero falar de Fringe, todos querem falar de Fringe então vamos ser francos: excelente pegada. Annie Kim como a versão alternativa da querida Annie já foi ótimo, mas o melhor foi mesmo a chegada em grande estilo do lado A ao lado B através da versão genérica do aparelho que o Walter usava, para selarem um acordo de paz entre as duas ONU’s (ou os dois mundos) da maneira “correta”. Também tivemos evidências mais óbvias como as cores azul e vermelho ilustrando a ONU A e a ONU B. E o quão awesome seria se o professor responsável pela competição fosse o Professor Sean Garrity (Kevin Corrigan), o Sam Weiss de Fringe?
– E por falar no professor, a ponta do Mike Starr como o professor Cligoris só teve de engraçado o nome mesmo, tomara que o personagem volte já que o ator é muito talentoso.
– E se Annie e Britta não estivessem tão divertidas no episódio, o MVP de “Geography of Global Conflict” com certeza seria Pierce, simplesmente impagável com suas tiradas racistas: “She stole your idea? Sneak attack! That’s just like… Not women, Asians.”. Já estava ficando com saudades desse lado do personagem.
– Jeff: “Uruguay kindly requests that Somalia stops pronouncing it Ur-a-gay.”
– Michel K. Williams volta no próximo episódio como o professor de biologia durão, dessa vez sem John Goodman, grandes expectativas para a série dando o spotlight que ele merece. Agora só falta um episódio apenas com o John Goodman. No próximo episódio também teremos uma trama temática, será que vocês adivinham quem será o protagonista e do que se trata (só pelo chute)?
– “We gonna be less weird and more fun”. LESS WEIRD. RISOS. É bom te ver de volta, Community…





















