“Apesar de Você
Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu
Você que inventou esse estado
E inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia (…)” – HOLLANDA, Francisco Buarque de.
A metade da temporada de Colônia inicia-se recebendo a visita do Major Carvalho, em uma ilustra participação especial do ator Eduardo Moscovis (Bom Dia, Verônica), ao lado de seu fiel escudeiro, o Tenente Rubens (Bruno Hoffmann de Malhação: Sonhos). O segundo, na verdade, já tinha dado às caras no episódio anterior e, agora, retorna ao lado de vários colegas que vão ficar nas instalações do Hospital.
“O que está sendo feito aqui é um dispositivo de limpeza mais digesto pra sociedade.” De todas as falas ditas pelo Major Carvalho, essa, com toda a certeza, foi a mais nojenta e a mais repugnante entre todas. Aliás, a normalidade daquela reunião, no escritório do Dr. Freitas, foi surreal. Como podem ter existido coronéis otimistas com um trabalho oferecido naquele local? Pra piorar, o Colônia, pelo que foi combinado, passará a receber investimentos e recursos para “despachar” mais seres humanos em seus aposentos. Se antes, só com os enfermeiros, eles tinham que obedecer a hora de comer, de beber e de tomar banho, por exemplo, é evidente que vai ser – a partir de agora – ainda pior para os internos.

Por falar nos nossos queridos personagens, Elisa, tadinha, continua demasiadamente triste e, claro, decepcionada depois de receber a visita de sua mãe, Antonieta. Eu também continuo me perguntando, desde a semana passada: como uma matriarca deixa a própria filha naquela espelunca de lugar, sem higiene, sem amor e, principalmente, sem vida? Por outro lado, o carinhoso Gilberto vê o local como uma espécie de “casa de repouso”, um “refúgio”, pois lá ele não precisa, por exemplo, fingir ser quem ele não é, tampouco assumir responsabilidades, como se casar com uma pessoa que não deseja, caso de Elisa, e não precisar fingir gostar de mulheres, situação de Gilberto. Por incrível que pareça, minha gente, o personagem se sente “livre”, um sentimento “verdadeiro” em sua concepção, mas, para quem assiste, é um tanto contraditório. E acompanhamos essa “liberdade” da melhor forma possível: Gilberto e Valeska dançando no pátio em frente à escadaria principal do Hospital. Ah… É a melhor pessoa do mundo, afinal de contas, em meio às trevas, há luz, e ela se chama Gilberto. Um fofo! Aliás, o seu xará, do BBB21, adoraria conhecê-lo, aposto! Alô, Gil do Vigor! Vem cá fazer amizade! Por favor: quero os dois dançando o famoso “tchaki, tchaki”, hein?!
E seguindo a mesma linha de raciocínio das reviews passadas, vimos – mais uma vez – Elisa na sua missão de tentar fugir do Colônia. O plano da vez foi fingir dores, como se fossem pontadas em sua barriga, mas o Dr. Carlos não aceitou a sua “historinha”. Contudo, de forma positiva, vemos a enfermeira Laura salvando a sua pele – de novo – propondo ao médico que a jovem trabalhasse na horta. “(…) É uma chance poder ir pro lado de fora”, aconselha Laura. Resta saber como Elisa vai aproveitar essa “sorte” em suas mãos, né?! Por falar na palavrinha citada, o Dr. Carlos, coitado, a desconhece em seu dicionário, afinal de contas, ele recebeu uma rejeição de trabalho. Na correspondência – vinda do também fictício Hospital Rosenstern São Paulo, capital -, há a confirmação de que o seu currículo médico não foi aceito, mas, mesmo assim, o documento ficará no banco de dados da unidade hospitalar para oportunas convocações. Ele fica desolado, e não é pra menos, pessoal: apesar de ele praticar os maus-tratos, é nítido em seu olhar que ele não se sente bem fazendo o que faz. Logo, assim como os seus pacientes, o Dr. Carlos deseja sair do Colônia, lugar desumano em todos os sentidos.
Além disso, nesse episódio, tivemos a oportunidade de conhecer um pouco mais da vida profissional de Valeska antes de sua internação. Não sendo nada familiarizada com horta, muito menos com limpeza, ela levava alegria aos seus clientes sendo a “garota da felicidade”. E eu não sei vocês, leitores, mas eu me senti tão triste com a fala dela… Quantas tantas outras moças iguais Valeska foram enviadas ao verdadeiro Colônia? Quantas humilhações elas sofreram, mesmo antes de chegarem lá? Ainda mais depois do que ela falou sobre os homens mais velhos… Ah, e detalhe: isso há 50 anos, ou seja, a sociedade não evoluiu e continua desrespeitando as pessoas, principalmente o público feminino, como o caso recente do DJ Ivis, que agrediu de maneira absurda à ex-esposa, violentamente, em vídeos comprobatórios que circularam nas redes sociais. E esse detalhe de violência foi notório ao final do trabalho, no Sol quente, quando os funcionários fizeram a “revista” nos internos. Juraci, por exemplo, não teve um pingo de receio em apertar os seios de Elisa ao apalpá-la naquele momento. Assédio, abuso, violência… Adjetivos não faltam para descrever a cena, não é mesmo?! O enfermeiro Ramires, interpretado pelo excelente ator Marco Bravo (Unidade Básica), também, não foge desse comportamento autoritário e repugnante.

E, pelo visto, eles não se casam em agredir e em repudiar qualquer comportamento “anormal”, segundo as regras do Hospital. Até mesmo uma simples cantoria, eles já parte pra cima, com uma violência excessiva. Foi de arrepiar ao ver Natália puxando a clássica música “Apesar de Você” (1978), do cantor Chico Buarque, que, inclusive, foi censurada de ser tocada em rádios – na época de seu lançamento – pelo governo vigente, em plena Ditadura Militar (1964-1985). Já na série, isso não seria diferente, e a moça, juntamente aos seus amigos, Ivan (Marat Descartes de As Aventuras de Poliana) e Eduardo (Christian Malheiros de Sintonia), são levados – à força – para um quarto, na tentativa de serem contidos, só porque estava cantando a canção que abriu este meu texto. Não deu nem tempo de eles chegarem ao verso que dá título ao quinto episódio da série – “Samba no Escuro” -, tampouco eles receberam aval para trabalharem na horta. Eles ficaram sem voz e sem vez!
“(…) Cada folha nova, exala o seu vigor. Em cada folha putrefeita, a sua sabedoria. É nessa paz que eu quero morrer… E levar, nos pulmões, o que de melhor esse mundo pode oferecer: o ar.” – Tenente Rubens.
Por fim, à noite, além de vermos Wanda dizer que nunca tentou fugir, pois todas as tentativas que ela presenciou não terminaram de maneira satisfatória, acompanhamos a ida do trio de amigos ao matagal. A pergunta que não quer calar: eles vão ser mortos? As armas foram apontadas pelos militares! Deus que me perdoe, mas esta era a realidade: ficou parecendo um “abate de animais irracionais”, como porcos. Eles eram tratados de maneira análoga ao lixo, ou pior, igual “basculho”, como disse o Gil do Vigor, que significa aquele “resto” para jogar fora, mais abaixo que lixo. Essa era a intenção deles, ou seja, “despachar” seres humanos, quanto mais, melhor! Não vamos perder, por nada, a discussão desse gancho – o famoso cliffhanger – na review do próximo episódio, né?!
COLÔNIA DE OBSERVAÇÕES:
p.s.01: Deus tarda, mas não desampara: Finalmente, para o nosso alívio e, no futuro, a alegria de Elisa, o bendito do Pedro apareceu na fazenda de seu tio à procura da moça. Resta saber se ele conseguirá chegar à Barbacena, em Minas Gerais. Por favor, tio, não nos decepcione, isto é, não passe um endereço falso ao jovem, não, hein?!;
p.s.02: A colunista Patrícia Kogut, do Jornal O Globo, conhecida por dar 0 ou 10 para as produções de televisão e do streaming, em suas redes sociais, deu 10 para o seriado Colônia. Sucesso, né, gente?!;
p.s.03: O olhar “vazio”/“perdido” dos pacientes é algo muito profundo. Eles ficam perambulando pelos corredores, pelas escadarias, pelo pátio… O que será que eles estão pensando? Quais são os seus sentimentos? Vai aí uma reflexão da tortura, do sofrimento e do sofrimento vivido injustamente por aquelas pessoas;

p.s.04: Em entrevista à jornalista Simone Zuccolotto (Cinejornal), no YouTube oficial do Canal Brasil, a atriz Andréia Horta (Elis: Viver é Melhor que Sonhar) falou de sua personagem, a Valeska. Além disso, ela disse as suas impressões sobre duas novelas importante de sua vida: a primeira, Império (2014-2015), que está sendo reprisada atualmente na programação da Rede Globo, logo após o Jornal Nacional e a segunda, Um Lugar ao Sol, próxima novela das 21h, que, em virtude da pandemia do novo Coronavírus, teve a sua estreia adiada várias vezes, concomitantemente à interrupção de suas gravações. Uma conversa pra lá de divertida! Vale a pena dar uma conferida, pessoal;
p.s.05: Já André Ristum (O Outro Lado do Paraíso), o criador do seriado, em entrevista ao 2+2CULT, no Instagram, em uma live, contou maiores detalhes sobre o universo triste da história. No delicioso bate-papo virtual, o 2+2 Talk, ele disse que se interessou muito pela história do Colônia, não só pelas vítimas reais, como, também, pelo fato de poder contar – mediante um outro olhar, uma nova perspectiva – a mesma realidade, mesmo que de maneira ficcional. Não deixem de assistir!;
p.s.06: Ademais, André ao ser questionado sobre uma possível segunda temporada, ele disse que ainda é cedo, pois depende da audiência e da repercussão e aceitação da série com o público, por exemplo. Porém, como todo bom brasileiro, ele tem esperança disso acontecer e, é óbvio, que nós, fãs, vamos ficar na torcida para a concretização de mais novos episódios, não é mesmo?! Por isso, é de suma importância que a gente continue indicando a série para os nossos coleguinhas, principalmente nas redes sociais, por favor!













![Colônia 1×10: Lua Cheia [Season Finale]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2021/07/capa-37-218x150.jpg)

