Guillermo Del Toro sempre foi conhecido pela sua fascinação por monstros, então não foi uma surpresa quando ele anunciou “Círculo de Fogo” como um de seus projetos. Uma releitura e também uma homenagem, o filme misturava os monstros gigantes com os robôs igualmente imensos que permeiam o imaginário nipônico em seus filmes e programas de televisão. Com um visual de encher os olhos, mas uma trama mediana, o filme conseguiu ir bem nas bilheterias ao ponto de dar origem a uma continuação, “Círculo de Fogo: A Revolta” (Pacific Rim: Uprising, 2018), que chega essa semana aos cinemas e que além de ser uma sequência direta também dá início a uma possível franquia.
Dez anos se passaram após o sacrifício de Stacker Pentecost (Idris Elba) derrotar o último kaiju e assim encerrar o conflito que destruiu diversas cidades. Muitas delas conseguiram se reconstruir, mas as que ficavam no litoral se tornaram territórios sem lei. Entre um golpe e outro, Jake Pentecost (John Boyega) vai se mantendo em um desses locais. Quando um desses golpes o coloca em contato com uma jovem chamada Amara (Cailee Spaeny), o passado de qual ele tanto fugia retorna, assim como a ameaça de um novo ataque kaiju de proporções catastróficas.
Steven S. DeKnight (que assume a direção) anaboliza ainda mais o escopo grandioso que Del Toro (que aqui age como produtor) construiu no primeiro filme. Usando e abusando da escala épica dos elementos em tela, ele constrói sequências de ação que referenciam o primeiro filme sem deixar de imprimir seu próprio estilo diretorial. A trama em si não foge muito do que já foi construído, com o modelo “robôs lutando contra monstros” sendo a principal atração. A virada que este segundo filme trás é a de acrescentar uma ameaça interna dentro da equipe jogando assim antigos aliados uns contra os outros.

Visualmente o filme acaba sendo superior ao antecessor em algumas partes. Grande parte das batalhas se passam em locais bastante iluminados ou de dia o que torna a ação mais discernível. Esse discernimento também funciona na mecânica de partículas dos efeitos, que mesmo com vários elementos em tela não confunde o espectador. O som também é outra das qualidades. As respirações e rugidos, os barulhos de motores e turbinas, as ondas de choque e eletricidade tudo se destaca e envolve, colocando o público no meio da ação. Isso fica ainda mais evidente na projeção em IMAX.

Dentre os novos personagens somente os dois protagonistas (Boyega e Spaeny) é que se destacam dos demais, com um dilema sobre seguir o caminho paterno ou construir seu próprio legado. Scott Eastwood serve como um apoio a dupla e um link para o passado conturbado de Jake com o seu Nate Lambert. Tiang Jing é uma das adições que visam o mercado asiático, principalmente o chinês. Quanto a isso fica evidente o esforço em alavancar a bilheteria chinesa, com grande parte da trama se passando no país ou regiões adjacentes. Burn Gorman, Charlie Day e Rinko Kikuchi são os retornantes do elenco do filme anterior. Há também um grupo de jovens atores que representam de certa forma os pilotos das várias nacionalidades presentes no longa passado.
Com mais qualidades técnicas do que narrativas, “Círculo de Fogo: A Revolta” é um daqueles blockbusters típicos que prende o espectador pela ação desenfreada e colorida, sem deixar as homenagens de lado. Esse segundo filme ainda deixa a abertura para o desenvolvimento de um terceiro volume, o que fica evidente na cena pós-crédito. A comprovação máxima de que destruição pouca é bobagem.
* O Série Maníacos assistiu ao filme a convite da Universal Pictures Brasil
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