É tempo de seguir em frente.

Spoilers Abaixo:

Durante nossas vidas, sempre nos deparamos com momentos em que precisamos tomar uma séria decisão. Quando nos vemos presos em uma situação que aparentemente não levará a lugar algum devemos decidir se prosseguimos nesse rumo ou se partimos para uma nova empreitada. É difícil se desapegar do passado e das coisas com as quais estamos acostumados. Exatamente por isso, sair de uma zona de conforto se torna ainda mais complicado. Durante suas três temporadas e meia, Chuck levou seus personagens a um ponto que deveriam tomar essa decisão. Chuck vs. The Masquerade aparece com a função de fazer com que dois de seus personagens escolham sua rota. E o faz de maneira muito competente.

Despreocupados pelo fato de Alexei Volkoff encontrar-se preso em prisão da CIA, Chuck e Morgan planejam um Dia dos Namorados perfeito para suas respectivas parceiras. Como moram na mesma casa, dividem a sala por tempos. Como já seria de se esperar, nada dá certo, e Beckman convoca o grupo para mais uma missão. Vivian Volkoff está ameaçada de morte pelo fato de supostamente possuir a chave para a rede das Indústrias Volkoff. Com isso, Chuck, Sarah, Casey e Morgan partem para a missão em um baile de máscaras. Após conversar com Morgan, Casey passa a se sentir um pouco sem utilidade para a equipe, o que atrai a atenção de Jane Bentley, da NCS, que o convida para chefiar uma nova equipe de espionagem.

Diferente do episódio passado, Chuck vs. The Masquerade não se foca tanto em sua missão. Pelo contrário, utiliza-a como base para construir o tema central do episódio, e o faz muito bem. Na primeira parte da missão o roteiro acerta ao introduzir Vivian como uma pessoa solitária, trançando desde esse momento o paralelo pretendido com o restante dos personagens, a necessidade de mudanças. Gosto de ver que os roteiristas têm o cuidado de tornar as histórias coesas, ao invés de tratar a missão como uma situação qualquer. Nesses episódios que Chuck não possui uma história central definida, é importante que os “casos da semana” não fiquem soltos, para que o espectador se sinta envolvido por todas as tramas. Além disso, mais uma vez Chuck consegue mostrar que é possível criar situações diferentes baseadas na mesma premissa, coisa que muita série policial por aí se mostra incapaz de fazer.

Como já disse, a missão de Chuck vs. The Masquerade tem a função de fortalecer o desenvolvimento da história dos personagens. O primeiro deles é Morgan, que finalmente percebe que não faz muito sentido continuar vivendo com Chuck e Sarah. É interessante como praticamente tudo envolvendo o personagem funciona bem aqui, desde sua percepção da atual situação após o fracassado Dia dos Namorados até o desfecho da história, passando por um belo plano em que Chuck e Morgan encontram-se de lados opostos da parede, separados pela barreira que o amadurecimento impôs a eles. Apesar disso, um detalhe não funciona, mesmo que a intenção dos roteiristas tenha sido boa. Quando os dois amigos decidem o destino das miniaturas de Chewbacca e Han Solo, a ideia inicial era de que o primeiro represantasse Morgan enquanto o segundo seria Chuck. Até aí, a metáfora funciona perfeitamente. O problema é quando o roteiro passa a insistir demais nela, quebrando a naturalidade da ideia. Além disso, o destino final dos bonecos despedaça de vez o símbolo, jogando fora um bom recurso que os roteiristas conseguiram pensar.

O outro personagem abordado aqui é Casey, ainda que de maneira mais sutil e discreta. Na review passada, comentei que o personagem perdeu grande parte da utilidade no momento que Chuck e Sarah ficaram juntos, e que os roteiristas pareciam não saber o que fazer com ele. Pois bem, aqui vemos que o coronel começa a ter seu destino traçado. E o roteiro o faz de maneira tranquila, introduzindo um arco que deverá ser desenvolvido daqui pra frente. Aliás, vemos aqui um interessante paralelo com o discurso de Chuck para Vivian Volkoff. Sempre comento sobre a evolução dos personagens nos meus textos, mas não tinha reparado como Casey acabou se encaixando exatamente na mesma situação que Chuck se encontrava no começo da série. Ele também precisa seguir em frente, e talvez entrar para a NCS seja uma boa alternativa para que o personagem volte aos dias gloriosos.

Enquanto praticamente tudo funciona em harmonia, Devon e Ellie parecem um pouco deslocados do restante do episódio. Aliás, fica a nítida impressão de que os dois só foram inseridos na história para ocupar tempo, uma vez que a trama envolvendo o casal não só não acrescenta absolutamente nada à série como falha na tentativa de gerar humor, preferindo investir em piadas fracas envolvendo um bebê chorão. É uma pena que em um episódio que a intenção era dar harmonia para as tramas surja uma situação que destoe das demais. Aliás, Chuck vs. The Masquerade é muito feliz em seu lado humorístico, mesmo que Ellie e Devon não o sejam. As primeiras cenas do episódio divertem com precisão seu espectador, mesmo sendo típicas situações de trapalhadas.

Não é só o casal de novos pais que destoa da qualidade do episódio. Em vários momentos tive a impressão de que a montagem não mereceu grandes cuidados por parte da produção. Sei que isso não é um detalhe importante, mas incomoda. Em muitas cenas vemos cortes de câmera flagrando os atores em posições contraditórias. Gosto muito do trabalho de montagem de Chuck, principalmente nas sequências de luta, mas aqui a equipe realmente deixou a desejar.

Quem acompanha minhas reviews sabe o quanto gosto de discutir o futuro da série em meus textos. Há algumas semanas comentei sobre a possibilidade dos roteiristas investirem em um novo vilão ou seguir a fórmula de missões da semana até o fim da temporada. Apesar de estar feliz pela série ter encontrado um meio de recriar um arco central sem que a temporada fique muito dividida, tive uma sensação ruim. Que Vivian assumirá as Indústrias Volkoff não tenho dúvidas. Resta saber se ela surgirá como uma nova vilã, seguindo  o caminho do pai. Se isso acontecer, tenho a triste impressão de que o roteiro de Chuck começa a tomar seu rumo para um eventual final de série. Gostaria de saber a opinião de vocês nos comentários, mas Chuck vs. The Masquerade me passou a desagradável sensação de que a série está chegando ao fim.

Se recuperando de um episódio fraco, Chuck dá mais ênfase à evolução de seus personagens e produz um episódio cheio de alternativas, conseguindo criar dois arcos a serem explorados nos próximos episódios. Apesar disso, um pequeno pessismismo começa a recair sobre os fãs quanto à renovação da série

@GabrielOliveira

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