Após uma boa sequência de episódios, Chuck nos apresenta o seu pior episódio em 2011.

Spoilers Abaixo:

Chuck sempre foi uma série que investe nos atributos físicos de suas mulheres. Desde sua primeira temporada, o roteiro sempre encontrou seu espaço para brigas entre duas agentes, vilãs ou traidoras, além de sempre colocar Sarah em trajes bastante insinuantes. Apesar disso, a série nunca apelou para o mau gosto, preferindo exibir o corpo de suas belas atrizes de maneira sutil, utilizando o famoso de recurso de “dar asas para a imaginação”. Pela primeira vez, Chuck dedica um episódio inteiro a essa prática, e apesar de ser extremamente feliz na tentativa de explorar os dotes de suas personagens, Chuck vs. The Cat Squad peca em alguns aspectos.

Preocupado com a satisfação de sua noiva, Chuck pesquisa seu histórico na CIA e descobre que Sarah participou de um grupo chamado de Cat Squad há muitos anos. Descobre também os nomes das agentes participantes da equipe, incluindo a velha conhecida Carina. Chuck resolve então convidá-las para a festa de noivado dos dois, na intenção de que as velhas amigas divirtam Sarah. A loira não vê essa tentativa com bons olhos, pois há muito tempo desconfia da integridade de Zondra, suspeitando de que essa tenha traído a CIA, mesmo tendo sido inocentada. Enquanto isso, Morgan reencontra Carina no pior momento possível, fazendo com que Alex desconfie de sua fidelidade. Aproveitando-se disso, a agente faz de tudo para destruir o relacionamento dos dois, mas acaba percebendo que Morgan tem sentimentos verdadeiros pela namorada.

Não há como falar de Chuck vs. The Cat Squad sem citar o grupo que dá nome ao episódio. A grande intenção dos roteiristas com esse episódio foi sem dúvida alguma promover uma bela paisagem para o espectador aproveitando-se do momento que a série vive, sem grandes acontecimentos. Apesar disso, foi muito bom saber da existência de um grupo de mulheres dentro da CIA que atuava em missões importantes, de forma muito parecida com Charlie’s Angels, que ganhará um remake em um futuro próximo. Além disso, a volta de Carina era um dos momentos mais aguardados do episódio, e embora ela não tenha o carisma de Roan Montgomery, do episódio anterior, a agente faz bem o papel de femme fatale, embora aqui não tenha sido tão aproveitada em conflitos com Sarah.

Embora Carina não tenha aparecido brigando com Sarah, a agente se sai muito bem em seus diálogos com Morgan, agindo como vilã no perfeito relacionamento dele com Alex. Como diria o mestre Syd Field, todo drama é conflito, e conflito é algo que faltava muito nessa relação. Carina aparece justamente para criá-lo, e para abrir espaço para algo maior, que é o fato de Morgan finalmente ter amadurecido. Quando ouvi a bad girl dizer que Morgan parecia diferente, parei para pensar nisso. A evolução do personagem durante essas quatro temporadas talvez tenha sido maior até que a de Chuck. Gosto de vê-lo maduro, dizendo a uma garota que a ama, justamente por isso ser completamente diferente do crianção cabeludo que conhecemos há quatro anos. Não sei o que os roteiristas planejam para o personagem daqui em diante, mas deixá-lo estável simboliza o ato final da transformação dele.

Enquanto Morgan apresenta notável evolução, Casey parece ter congelado na sua. Gosto muito de como Chuck trata com carinho o desenvolvimento da personalidade de seus personagens, por isso ser feito de maneira sutil e elegante, sem assustar o espectador. Apesar disso, os roteiristas parecem ter deixado Casey de lado para que Morgan tenha mais destaque. O grandalhão praticamente tem se limitado a servir de guru para Chuck no que diz respeito a não destruir seu relacionamento. Nas primeiras vezes em que fez isso a tentativa foi interessante, mas agora parece que os roteiristas estão perdidos e não sabem como aproveitar o personagem, isolado pela união de Chuck e Sarah. A solução mais inteligente seria prosseguir com sua evolução e aprofundar seu relacionamento com Alex, pelo menos por enquanto.

Além de abordar relações entre os personagens, Chuck vs. The Cat Squad investe em algo que a série poucas vezes citou em sua história: o passado de Sarah. É verdade que em vários momentos tivemos episódios dedicados a isso, mas os roteiristas tem agora a oportunidade de desmembrar o passado da agente de maneira completa, como foi feito com Casey há algum tempo. Criar um background de seus personagens é uma tarefa que precisa ser feita com cuidado pelos roteiristas, e Chuck parece estar tentando encaixar as peças da única que ainda não tinha uma ficha completa traçada. Não duvidaria inclusive que o pai de Sarah voltasse a aparecer, após uma rápida aparição na primeira temporada.

Após analisar a fundo cada personagem que teve destaque no episódio, é hora de entrarmos a fundo na missão da semana. Ao contrário de semana passada, a ideia de incluir na trama uma perseguição em território internacional não convence, mesmo que essa tenha ocorrido no Brasil. No episódio anterior, a missão conseguiu entreter o espectador do primeiro ao último minuto, arrancando boas risadas. Aqui, parece que os roteiristas tentaram engatar um “mais do mesmo”, sem que a trama tenha a mesma essência da anterior. Isso se deve em parte ao momento que os personagens viviam e a presença do carismático Roan, mas o roteiro aqui não ajuda, e é o ponto baixo do episódio, fazendo com que o espectador anseie pelo fim da missão e para que a série volte a focar-se em seus personagens. Além disso, a tensão entre Sarah e Zondra jamais consegue convencer, a ponto da traição de Amy até conseguir parecer convincente.

Após os roteiristas fracassarem ao desenvolverem a missão da semana, é importante parar para pensar sobre o futuro da série, que novamente flerta perigosamente com o cancelamento. Há algumas semanas, eu disse que Chuck provavelmente investiria pesado na dinâmica entre seus personagens enquanto utilizaria seu lado CIA para construir situações de humor. Até semana passada isso funcionou. O problema é quando o roteiro passa a deixar de lado também a relação entre os personagens, para focar-se em problemas sem peso dramático ou cômico. Chuck vs. The Cat Squad faz exatamente isso. Fora a situação de Morgan, nada de muito interessante acontece aqui, fazendo com que o episódio acabe perdendo harmonia. Se isso não se tornar uma prática comum, não há motivos para preocupações.

Sem conseguir repetir o êxito dos episódios anteriores, Chuck vs. The Cat Squad aparece como um filler cheio de altos e baixos, em um momento que Chuck não podia apresentar episódios desse tipo. Josh Schwartz e Chris Fedak precisam colocar suas cabeças para funcionar para fazer com que a série consiga um bom impulso.

@GabrielOliveira

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