Chicago Med encontrou sua identidade.

Desde a temporada passada eu digo que é muito difícil desenvolver uma série médica diferenciada, já que o gênero é explorado de forma exaustiva. Ainda assim, “Natural History” mostrou que Chicago Med encontrou sua identidade ao apresentar bons casos entrelaçados com o desenvolvimento dos seus personagens.

Vamos aos casos:

1 – Denise – admitida com cegueira repentina após acidente automobilístico.

Essa trama foi a melhor do episódio. Primeiro, pelo fato de desenvolver a dinâmica entre Maggie e Will fora do Chicago Med. Também achei interessante ver os roteiristas apresentando um caso envolvendo uma paciente transexual. Além da questão médica, gostei de como o relacionamento entre médico e paciente foi desenvolvido nesse caso. Afinal, o fato de Denise omitir ter passado por essa mudança acabou surpreendendo Will, e atrapalhando o seu diagnóstico.

Apesar disso, achei um pouco forçado Denise querer deixar o hospital por Will ter se expressado mal sobre a sua condição. Eu entendo que ele pode ter falado algo errado, mas era óbvio o constrangimento dele, e o fato que não feito tal comentário de forma maliciosa. Achei que os roteiristas exageraram na dramaticidade da história quando não precisavam, já que a dificuldade de Maggie aceitar a sua transformação já era suficiente.

O melhor momento do episódio, inclusive, foi a cena em que Maggie e Denise discutiram e se reconciliaram. Tanto o texto, quando Maggie diz que sente falta do seu irmão, quanto as atuações foram impecáveis. Um momento delicado executado com maestria por toda a equipe de Chicago Med.

2 – Glenn Simon – Paciente admitido com fratura no fêmur após queda em jogo de polo.

Estou surpreso com a maneira que os roteiristas estão tratando o desenvolvimento de Rhodes. Afinal, eles fugiram do óbvio de transformar o protegido do dr. Downey em um gênio instantâneo, fazendo com que o seu desenvolvimento seja mais orgânico.

Foi legal vê-lo admitir o próprio erro ao tentar fazer uma cirurgia de alto risco que estava além de suas habilidades. Apesar de achar o dr. Latham caricato, estou começando a gostar da dinâmica que está sendo criada entre os dois.

Também achei verossímil a ideia de Goodwin usar a imagem de Rhodes para divulgar o hospital.  Infelizmente vivemos em um mundo em que aparência e nome contam mais que talento em muitas áreas, e a série foi muito feliz em retratar isso.

3 – Pitopang – jovem estrangeiro admitido com febre, calafrios, vômito e diarreia.

Esse caso demonstrou como o trabalho dos médicos pode ser prejudicado pela falta de comunicação com seu paciente. Afinal, a doença em si, sarampo, não era algo de outro mundo, mas como se tratava de um estrangeiro, as suspeitas acabaram recaindo sobre doenças exóticas que ele pudesse ter trazido do seu país. Gostei de ver como Nat, após uma consulta com Will, conseguiu descobrir onde Pitopang estava e, baseado nas informações sobre o parque de diversões que ele tinha visitado, diagnosticou o paciente.

O ponto negativo dessa trama foi o relacionamento entre Jeff e Nat. Acho que o envolvimento entre os personagens aconteceu rápido demais, e temo pela limitação das possibilidades de desenvolvimento de histórias envolvendo os dois devido a essa situação.

4 – Amanda Kendrick-Dobbs – “Gestante” admitida com queimaduras no seu antebraço e pressão alta.

O enredo de Amanda foi bastante curioso. Apesar de ainda achar uma pena ver Reese fazendo residência na psiquiatria, gosto de ver a maneira como a personagem se entrega aos estudos e sempre busca a melhor maneira para atender os pacientes. Além disso, a sua química com o dr. Charles continua sensacional, e a maneira como o psiquiatra veterano a ensina é excelente.

Apesar disso, continuo incomodado com o fato do dr. Charles quase sempre mentir no primeiro contato com os pacientes. Acho que os roteiristas precisam rever essa abordagem, pois além de ser antiética está se tornando repetitiva.

Assim, muito satisfeito, posso dizer que “Natural History” foi o melhor episódio de Chicago Med dessa temporada, e acredito que a série tem tudo para se firmar como a melhor da franquia #OneChicago.

Observações finais:

1 – Gostei da presença de Leah Bardovi, a residente que participou da cirurgia que de Rhodes e Latham. Seria interessante se ela fosse adicionada ao “núcleo dos cirurgiões” da série.

2 – Com Jeff e Nat envolvidos, foi bom ver que os roteiristas trouxeram a dra. Nina para ser o novo crush do Will.

Comentários da Bruna.

Apesar de estarmos ainda no terceiro episódio da temporada, Chicago Med nos entrega um episódio maravilhoso, desenvolvendo plots dos personagens principais e o melhor ficou por conta dos casos médicos da semana. Eu elogio sempre a escolha dos casos, pois em sua grande maioria são atuais e sempre nos fazem digeri-los depois que o episódio chegou ao fim.

O caso que mais de chamou atenção foi o da irmã da Maggie. Finalmente pudemos conhecer a história e alguém tão importante para a personagem que até então não tinha sido desenvolvida. Maggie sempre esteve ali nas beiradas do episódio e não como sendo o centro de um. Amei o fato de terem trabalhado a irmã dela como sendo trans e bom, volto a dizer, é um tema atual. Além disso, a interação de Maggie com Will foi outro aspecto positivo ao meu ver. Gostaria de ver mais interações deles fora do hospital.

Não vou comentar cada personagem, mas de maneira geral Chicago Med não decepciona e conquista por sua simplicidade.

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