Desordem nos faz humanos.

Usando como o tema da semana a desordem, tivemos a confirmação nesse episódio que a busca pela ordem e perfeição pode, e deve acontecer, mas que a beleza da humanidade está na sua imperfeição.

Vamos aos casos:

1 – Nathan Clay – idoso com problemas neurológicos que sofre uma lesão cardíaca após ser atropelado.

Essa trama foi bastante interessante, pois, além de tratar da saúde de Nathan, trouxe a questão ética do tratamento de um doente por um ente querido.

Mesmo que a dra. Laura Clay, esposa do paciente, tenha procurado uma segunda e terceira opiniões que confirmaram o seu diagnóstico, o seu julgamento foi prejudicado pelo fato dela conhecer a doença diagnosticada e temer a possibilidade de ver o seu marido sofrer dela. Para piorar, a descoberta do seu erro pesará na sua consciência por muito tempo.

Também gostei de ver como Rhodes demonstrou segurança ao insistir em operar Nathan, mesmo sabendo dos riscos da cirurgia. O seu relacionamento com o dr. Downey é a única coisa interessante acontecendo com o personagem atualmente, pelo menos estamos vendo ele colher os frutos do seu aprendizado.

O ponto negativo dessa trama foi a participação do dr. Charles. Por mais que eu seja fã do personagem, ele é praticamente o dr. House, resolvendo casos impossíveis graças ao seu grande poder de observação. Os roteiristas deveriam diminuir os seus “poderes”, pois a sua “super-competência” faz os outros médicos parecerem amadores. Além disso, a forma como ele desrespeita os protocolos e a necessidade de pedir autorização para fazer exames o faz ainda mais parecido com House e, para minha surpresa, com Will.

2 – Paul – um acumulador que queimou a sua perna e não conseguia se mover.

Gostei da ideia de vermos os residentes trabalhando com os paramédicos como parte do seu treinamento. Além disso, foi interessante ver que essa trama não era só sobre o Paul, mas sobre Choi também.

Assim, foi possível notar que a queimadura de Paul não era o problema mais grave desse paciente, mas a sua condição de acumulador. Além disso, foi interessante ver Choi tendo que lidar com os seus próprios traumas ao entrar na casa de Paul.

Em ambos os casos, médico e paciente, vimos que o caminho para a melhora é longa. Mas, acredito que a presença de um na vida do outro, naquele momento em particular, pode ter ajudado muito.

3 –– Tara – paciente vítima de mordida do seu cachorro e com febre.

Gostei de ver os roteiristas usando essa trama para falar de um fenômeno que já foi confirmado por um estudo da Universidade da Pensilvânia: alguns cachorros tem a capacidade de sentir o cheiro de tumores cancerígenos em seres humanos.

Achei orgânico ver como Reese e Nat estavam tendo dificuldades para diagnosticar Tara até perceberem que Boomer tinha ficado agressivo com um paciente com câncer. Além disso, foi divertido ver Reese sem saber o que fazer quando a irmã da paciente entregou o cachorro a ela na recepção do PS.

4 – Paciente fazendo braquiterapia para câncer de próstata.

Essa trama serviu apenas como pano de fundo para mostrar a forma como a burocracia excessiva pode mudar o ambiente de trabalho para pior. Afinal, passando por uma auditoria surpresa, os funcionários do Chicago Med tiveram que fazer uso de todos os protocolos, por mais inúteis que fossem para evitar uma diminuição da classificação do hospital.

Achei engraçado ver a inversão de papeis ocorrida entre Will e Maggie. Nunca imaginei ver o dia que ele iria insistir para que Maggie seguisse as regras do hospital.

Gostei bastante desse episódio, principalmente por abordar temas como o excesso de burocracia que atrapalha o funcionamento de qualquer negócio, não só de hospitais. Além disso, foi divertido ver o crescimento de Rhodes, Choi e, por incrível que pareça, Will. Fico feliz em ver que os roteiristas estão investindo na evolução dos personagens.

Observações finais:

1 – O fato de Will ser o chefe dos residentes do Chicago Med é hilário. Ainda bem que os roteiristas fizeram piada com isso ao mostrar Maggie, Godwin e dra. Perrington falando sobre essa ironia.

2 – Acho justificável o motivo pelo qual Nat não gosta de cachorros, mas tenho que dizer que não confiaria em uma médica que não gosta deles.

3 – Quem tiver interesse em ver a animação da história da criação dos cachorros contada por Nat é só clicar aqui.

Comentários da Bruna

Quem tem cachorro em casa ou gosta muito desse bicho, acredito eu, ter gostado da participação do Boomer. No começo do episódio a aversão da Natalie ao cachorro dava a entender que a “culpa” seria realmente dele, mas que acabou sendo o oposto ao final do episódio. Há quem não goste, mas bichos são importantes na vida de qualquer pessoa porque nos faz menos egoístas e mais humanos. Adorei ter em um mesmo episódio uma jandaia e um cachorro. Mas no caso do Boomer, ficou ainda mais legal porque sutilmente deixaram uma mensagem bem bacana que é a adoção de animais que acontece num número muito maior do que aqui no Brasil. Boomer e a jandaia foram os salvadores da Tara e Paul, respectivamente. O primeiro por salvar literalmente a vida da dona e o segundo por manter o Paul com um mínimo de sanidade perante todo aquele acúmulo de objetos.

Foi um bom episódio e foi bom ver alguns personagens puxando as rédeas da situação como foi o caso do Will e do Rhodes, mas ainda é preciso melhorar um pouco mais e fechar alguns plots antes do final da temporada. Além disso, Dr. Charles, como o Aurelio mencionou, está começando a ficar com sua imagem desgastada – aos nossos olhos – porque os produtores preferem leva-lo para o PS do que dar bons casos na ala psiquiátrica do hospital.

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