Entre escolhas e renúncias, CF passa do 6º para esse 7º ano com uma Premiere mais branda, simbolizando um recomeço na história dos bombeiros de Chicago e na do Batalhão 51 também, cujos arcos precisavam de uma renovada. Uma grande mudança foi feita – não que os roteiristas pudessem evitar – mas ainda é questionável os efeitos de suas consequências para a série.
“A Closer Eye” mostrou como os acontecimentos na finale anterior impactaram a vida dos nossos heróis: Casey melancólico pela partida inesperada de Gabby, Stella e Kelly mais estáveis do que nunca, Brett com a sensação de que poderia ter feito mais por sua ex-parceira e Boden pensativo enquanto assiste à ascensão de Grissom. Resquícios de uma temporada passada que serviram para embasar um novo retorno. Até então, nada de novo. Em relação ao salto no tempo de dois meses, diria que não foi tão proveitoso, pois queria ter visto mais de perto o sofrimento de Casey, que mesmo durante esses 6 anos nunca nos propôs uma fase tão dura e sombria. Em contrapartida, deu para sacar a decisão ágil do roteiro em não querer perder tanto tempo com excesso de lamentação e autopiedade.
Ao menos profissionalmente, Casey pareceu reagir bem à partida de Dawson. Não se pode dizer isso ao certo, pois muito tempo se passou e, exceto nos momentos em que ele não tentou dar uma de Martin Riggs nas chamadas, pode-se dizer que nosso Capitão se cercou de decisões escrupulosas e se portou como um bom profissional e amigo, ainda que por dentro sentisse a dor severa da partida de sua amada.
O teaser em especial foi muito bom. Acredito que a sensação de Casey estar sendo sufocado pelo elevador foi bem transmitida ao público (ainda mais a um público claustrofóbico como eu). Portanto, ver minúcias como essa que mesmo após seis anos, nunca fugiram à série, é um ponto bastante positivo.
Precisei dobrar a minha língua ao dizer que as minhas expectativas de Dawson aparecer nessa Premiere eram nulas, e dobrei com gosto, pois me agradou bastante tê-la por mais um episódio e além disso, por ser uma aparição inesperada. Mesmo sabendo que Gabby sempre esteve ali, 49% atenta à razão e 51% à emoção, a forma como os dois se separaram foi bem forçada; Estava na cara que ela havia agido por impulso, ainda que tivesse uma causa nobre em mente. Fiquei satisfeito em saber que a série simplesmente não interrompeu o contato entre os dois (como fizeram com Lindsay e Halstead, em Chicago PD), que passaram a se comunicar com uma certa frequência durante esses dois meses.
O rápido retorno de Dawson fez com que eu sentisse ainda mais falta de sua personagem! Embora as suas tramas ultimamente estivessem repetitivas, a presença dela era mais positiva que negativa à série, até porque sempre a enxerguei como alguém com potencial, capaz de projetar rumos e perspectivas novas para CF. Mas o que se pode dizer disso? Uma série com um elenco grande e que tenta permanecer nas telinhas por muito tempo, sempre tem que lidar com isso em algum momento, pois a maioria dos atores sempre tenta enveredar por outros caminhos e projetos (seis anos nem de longe é pouco tempo para interpretar uma personagem) e o que devemos lembrar é que Dawson fez uma boa trajetória até aqui, que é bom vê-la feliz e satisfeita no Novo México (agindo como a Dawson que sempre foi) e que sua presença será lembrada para sempre por nós.

Achei Brett bem “nojentinha” no início, inclusive ponto para a atriz que interpretou bons trejeitos de intolerância para com a novata. Do meio para o fim, passou de indiferente a pensativa, um tanto mais comedida de seus atos. Quem sabe agora que na ambulância, como ela não está mais sob a aba de Gabby, seu personagem venha a ter uma importância maior na trama. E já comentando sobre a sua reação à partida de Dawson, achei bem exagerado ela ficar tão desolada a ponto de vetar todos os pedidos de recrutas à ambulância. Sim, elas eram bem amigas, mas qual é… dois meses se passaram! Claro que Brett se sente em parte culpada por ser mais um motivo para que Gabby fosse embora, porém não acho normal ela ficar acordada de madrugada pensando nisso quando já tiveram várias chances de se falar por internet e de resolver suas pendências.
Quanto a Otis, Mouch, Joe e Herman, não há nada de muito diferente a acrescentar. Sem dúvidas, uma das peculiaridades da série que aprendemos a aceitar. Quem é que enquanto está assistindo, não precisa daquele breve momento de folga para olhar as mensagens no celular?
Por entre farpas, o episódio lançou várias críticas às atitudes de Grissom e as supostas consequências que sua ascensão trouxe aos bombeiros de Chicago. Ótimo. É dessa forma que sabemos que a série está aos poucos, preparando o terreno e engrenando por uma trama interessante.
Após toda a ação envolvendo a subida de Grissom, achei que a 7º temporada traria esse plot de forma mais enérgica e até cheguei a acreditar que essa seria a melhor decisão. Mas, com o salto no tempo, ficaria realmente difícil ter encaixado isso e devo admitir que o roteiro agiu por bem ao dar um restart no plot. Sem demora, CF apresentou o personagem Jerry Gorsh, que acabou servindo bem a Grissom, dado que ele e Boden possuem um passado e ao se dar conta da ameaça do subcomissário assistente, Boden foi proativo e logo alertou Casey e Severide, usando posteriormente, os relatórios que Otis havia examinado contra Grissom. Antes tarde do que nunca, Chefe! Estou ansioso para ver as consequências que isso trará. Contudo, mesmo se esquivando da jogada rival, muito provavelmente Jerry irá causar mais problemas a Boden do que pôde ser visto nessa semana e é bem bacana ver que o roteiro está indo por partes, seguindo bem sua própria projeção.

Quanto à nova paramédica, muito pouco há o que se dizer dela. Até agora, mais uma que quis arrastar Brett para a vida noturna de Chicago. Parece gente boa, faz esforço para se enturmar e ser legal com todo mundo e proativa como profissional. Pelo o que Brett ouviu falar dela e tendo em vista a sua performance na chamada, acho que ela trabalhou como médica durante algum tempo. Resta saber por qual motivo ela desistiu da carreira e virou paramédica. Parece que ainda há muito a descobrir sobre Emily Foster.
Ao término do episódio, tivemos outra surpresa: Gabby Dawson volta para se despedir de forma digna, o que achei ótimo, inclusive havia comentado na finale que queria que ela voltasse à Chicago na Premiere para um último adeus. Fiquei satisfeito ao ver que Matt acabou entendendo os motivos de Gabby, que o relacionamento dos dois não terminou de forma tão previsível, como achei que teria terminado na finale passada e mesmo no ato de sua despedida, Dawson conseguiu transmitir toda a sua essência ao tentar levar Casey junto ao invés de ficar. Que mulher! Quem sabe no futuro ela não retorne à série para algumas participações?

Em resumo, julguei “A Closer Eye” como um recomeço satisfatório para a série: pontas soltas que haviam sido deixadas foram resolvidas ou reabertas para melhor proveito; o plot de Grissom foi reintroduzido de forma mais cautelosa, fornecendo uma porção de possibilidades e perspectivas para esse 7º ano; Temos também uma nova personagem, que espero eu, ser melhor desenvolvida futuramente. E aí, será que agora vai, CF?
Observações:
- Severide dando conselhos a Matt de evitar desejos de morte, mas ele mesmo se arriscou muito quando empurrou o cara que havia ficado preso no cabo elétrico… “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço, né?”
- E aquele Ramirez, que mais parece uma cópia do Otis?
- Foi ótimo lembrarem de dar um final digno para Connie, cuja atriz que a interpretava morreu de uma parada cardíaca há alguns meses; Herman lembrando que nenhum deles teve a chance de se despedir, Boden olhando para o céu ao dizer que ela sabia que todos a amavam foram detalhes bem legais de se mostrar;
- Kidd ficou muito apagada no episódio. Achei que o beijo que Severide teria dado em Renee traria alguma consequência (acho que ainda trará).














