Preguiça, seu nome é Chicago Fire.

 Já faz alguns meses que sabemos que Chicago Med, o novo spin-off de Chicago Fire, seria apresentado em um episódio de sua série mãe. Desta forma, “I Am the Apocalypse” nos apresenta o elenco novo em seu ambiente de trabalho com a presença não só dos bombeiros, mas também com a participação de Halstead e Ruzek de Chicago PD.

No entanto, o que deveria ser um episódio caprichado focando nos novos membros da nova série, nada mais foi que um episódio acelerado e raso, mostrando mais uma vez a preguiça dos roteiristas e produtores das séries da “família Chicago”.

A ideia inicial era promissora: um vazamento de gases tóxicos com muitas vítimas faz com que as equipes de Severide e Casey ajudem os paramédicos a transportá-las para o Chicago Med (hospital que tem sido mencionado a cada 5 segundos em episódios passados de CF e CPD). Lá, com um pronto-socorro já lotado por causa de uma epidemia de gripe, um terrorista se explode com uma granada dizendo que está com um vírus pior que o Ebola e que irá contaminar a todos. Como desgraça pouca é bobagem, as vítimas são obrigadas a ficar isoladas no que sobrou do pronto-socorro que tem um incêndio iniciado no seu forro depois da explosão.

Este enredo por si só, se bem executado, poderia gerar um crossover entre CF e CPD que apresentaria de forma muito mais elaborada os personagens da nova série, pois teriam o dobro do tempo para mostrar quem são, suas características e criar uma interação mais orgânica com os bombeiros e equipe de Inteligência de CPD. A dinâmica poderia ser dividida com o primeiro episódio tratando da explosão com o incêndio do Pronto-Socorro sendo um cliffhanger para o episódio de CPD, onde haveria a investigação sobre o vírus e se o terrorista trabalhou sozinho. No entanto, demonstrando a preguiça usual de seus roteiristas, tudo foi resolvido nos 43 minutos deste episódio corrido e superficial que nem se deu ao trabalho de fazer os policiais de CPD trabalharem, já que logo sabemos que o rapaz que se explodiu agiu sozinho, não havendo nenhum tipo de ação mais efetiva por parte deles (muito provavelmente pela falta de tempo do episódio).

Desta maneira, o que ficamos sabendo sobre Chicago Med pode ser resumido em uma série procedural médica com os personagens principais sendo formada por uma equipe de clichês abaixo:

1 – Will, médico e irmão do detetive Jay Halstead de CPD. É um babaca que foi demitido de seu último emprego em Nova Iorque e que estava em Chicago bebendo e arrumando confusões até conseguir um emprego no Chicago Med. Queria abandonar o emprego no primeiro dia e voltar para Nova Iorque, mas depois do ocorrido no episódio deverá ficar e ter uma jornada para “se encontrar” e se tornar uma pessoa melhor.

2 – April, a amiga de infância de Severide, é a enfermeira linda e gente boa da série. Essa personagem que irá fazer a ligação com CF devido ao seu envolvimento com Severide. Vamos ver se o relacionamento entre eles irá para frente ou se não dará em nada como é a regra desse universo (vide Halstead e Lindsay em CPD e Dawson e Casey em CF).

3 – Hannah Tramble é a médica badass e rebelde do Chicago Med. Ela mostrou isso, contra qualquer bom senso, ao entrar na área de contaminação para ajudar suas vítimas, sem proteção alguma. Por mais heroico que tal ação tenha sido, demonstra que ela é teimosa e quebrará as regras por um bom motivo ou por um paciente em estado terminal.

4 – O Dr. Charles, chefe da psiquiatria do Chicago Med, é o mestre Jedi da série. Inteligente e um tanto quanto peculiar – confesso que gostei do personagem, mas talvez seja porque sou fã de Oliver Platt. Vê-lo persuadindo uma das vítimas a voltar para o hospital me fez pensar que só faltou ele acenar para o homem e dizer: “esses não são os droids que você procura, agora de volta para o hospital”.

Sei que faltaram alguns outros personagens, como Sharon Goodwin (aparentemente a administradora do hospital) ou Diane Claman (especialista em doenças contagiosas), mas isso é basicamente o que nos foi apresentado sobre elas.

Espero que agora que o elenco de Chicago Med já foi apresentado (mesmo que de maneira mal executada, para não dizer porca), os produtores voltem a focar em Chicago Fire como uma série que tem que se sustentar e entreter seus expectadores por si só.  Para isso acontecer penso que é necessário buscar novos plots e tomar decisões definitivas nas narrativas dos personagens (ao contrário de dramas que não levam a nada como a saída e o retorno de Mills à equipe de Severide), algo que não vemos desde a morte de um dos poucos personagens cativantes de CF, Shay. E assim, chegamos à reta final da temporada tendo fé, pois é só isso que nos resta: ter fé que a série irá melhorar, pois piorar mais não dá.

Observações finais:

1 – A inconsistência na construção de personagens é algo surpreendente em Chicago Fire. Um ótimo exemplo disso é a maneira como Will é retratado: em um momento ele demonstra ter um pulso fraco ao diagnosticar que Severide morreria pelos seus ferimentos e que outras pessoas com melhores chances de sobreviver deveriam ser tratadas em seu lugar. No entanto, bastou ser contrariado por Mills, um paramédico, para mudar de ideia; nenhum médico mudaria o seu diagnóstico apenas por ouvir “eu não ligo para as porcentagens”. Em outro momento, não muito a frente, ele demonstra toda a confiança e determinação para informar a um senhor que tinha um osso enfiado no seu tronco que deveria aceitar que o osso ficasse lá até ser possível a sua retirada mesmo com o paciente estando contrariado.

2 – Alguém pode me explicar por que April não removeu calmamente a pequena Ruby e sua mãe quando um pedaço do forro caiu pegando fogo aos seus pés e o teto apareceu em chamas, ao contrário de ficar contando histórias sobre panquecas? Sério mesmo?!

3 – O único ponto positivo neste episódio foi ver Shay nas alucinações de Severide. Acho curioso ver uma série com roteiristas com tão pouca inspiração ter a sensibilidade de pensar que em momentos críticos a lembrança de Shay seria algo com o que Severide iria alucinar. Sim, pode ser óbvio para nós, pessoas normais, pensar que o nosso subconsciente busque um grande amor (mesmo que platônico) perdido recentemente em uma situação como essa, mas eu acho um feito de proporções épicas para a produção de CF.

4 – Com Severide ferido, quem será que irá ser o comandante do seu esquadrão na sua ausência? Será que teremos a volta de Welch?

5 – Casey e Dawson se pegando de novo?! Nãoooooooooooooooooo!!!!!

6 – Você sobrevive a uma explosão de uma granada, um incêndio no local onde houve essa explosão e passa o dia pensando na possibilidade de estar infectado com um vírus mortal, o que você faria? Eu possivelmente iria para casa e tentaria digerir tudo isso na presença das pessoas que eu amo e dos meus cachorros. O pessoal de CF, CPD e CM vai para casa tomar banho e depois para o Molly´s para beber. Taí um pessoal animado e uma turma de roteiristas sem noção.

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