Boston subestimou o furacão Natalie?
Cancer Friends with Benefits, enfim, deu o pontapé inicial no enredo que conduzirá a segunda parte desta temporada de Chasing Life, e não poderia ter sido melhor, pois Natalie, certamente, é a personagem mais promissora da série, e não digo isso pelos arcos narrativos que ela sustenta – embora não haja dúvidas de que ser a única doadora compatível com April e se relacionar com ex-namorado da meia-irmã sejam tramas muito promissoras – mas sim pela complexidade que ela carrega, repelindo todo intuito de simplificação, se encaixando, perfeitamente, em uma típica personagem multiforme. Ainda não fomos apresentados aos porquês/justificativas/motivações, conscientes e inconscientes, de Natalie para tomar as atitudes que toma ou agir de determinada maneira, já que não conhecemos seu passado, mas acredito que, ao longo da temporada, isso será desenvolvido e nos aproximará ainda mais da personagem.
Como disse em reviews passadas, a linearidade de April, às vezes, me incomoda, e não é pela sua moral e seu caráter exacerbado, mas é por ela se afastar muito pouco do que já se espera de uma protagonista. De um modo bem simplificado, a fórmula não apresenta surpresas: era uma vez uma heroína indefesa que se digladia com os empecilhos que surgem e impedem-na de viver o felizes para sempre. Se nossa heroína é April, o vilão é o câncer. Quanto ao amor, Dominic é o empecilho de Leo, e o contrário também é verdadeiro. O que falta, então? O fator surpresa, aquela imprevisibilidade sobre qual decisão April tomará em determinada situação. Por exemplo, a conversa que ela teve com Beth sobre contar ou não a Leo sobre o trabalho que realizou com Dominic no concerto beneficente, remeteu, imediatamente, àquela conversa que elas tiveram, há alguns episódios, no hospital, quando April decidia se contava ou não a Dominic que ela já havia se relacionado amorosamente com Leo. Beth, mais uma vez, aconselhou que April não contasse, mas April, assim como foi com Dominic, contou. Não tiro a razão dela, que expôs, de forma clara, suas motivações a Leo, mas não esperava qualquer outra atitude dela, e é esse o ponto, afinal, quem não gosta de ser surpreendido? (Tá bom, admito que fiquei surpreso com April só de lingerie na piscina com Leo, esperava, no mínimo, que ela usasse um maiô bem fechado.) De qualquer forma, este fato não desabona o conjunto que a série apresenta, sobretudo porque, mesmo que indiretamente, April está interligada a todos os personagens, tendo sua dinâmica linear afetada pelas condutas alheias.
No episódio passado, quando Natalie disse à Dra. Susan que permaneceria, por mais alguns dias, em Boston, já me perguntava se a cidade teria estruturas para receber e manter um evento desse porte, e, a depender do que assistimos até então, a resposta não poderia ser outra: SIM! Aliás, a série precisava de uma personagem assim, carregada de um despretensiosismo que a deixa leve, em que as atitudes deturpadas não parecem tão deturpadas assim, afinal, torna-se difícil notar e ponderar as possíveis consequências ruins de algo quando nem mesmo o sujeito ativo da situação se importa com elas. Não é no mínimo arriscado ir morar na casa de um bartender que você conheceu na noite anterior? Não para Natalie. Dominic foi apenas mais um que não resistiu, compreensivelmente, às investidas da moça, que não faz ideia do imbróglio que se meteu, pois April, que até então parecia decidida em se relacionar com Leo, demonstrou certa dúvida e realinhou o outro vértice do triângulo. Mas, considerando as juras de amor na piscina, April não poderia pedir que Natalie se afastasse e nem sequer cobrar satisfações sobre o que aconteceu entre eles, por razões óbvias. O máximo que ela poderia é argumentar o quão estranho seria conviver com o ex como sendo atual da irmã, sobretudo porque o término do namoro não foi pacífico, mas penso que Natalie não veria problema algum nisso, para ela nada é tão traumático que não se possa contornar. É April que terá que contornar a situação (#TeamLeo ou #TeamDominic?).
Em relação à conturbada relação de George e Sara, chegamos a um desfecho que faz surgiu uma questão. Explico. É evidente que o rápido envolvimento entre os dois não foi suficiente para convencer Sara de assumir a relação, isto é, o único empecilho para que George ficasse e rejeitasse o trabalho na OMS foi sustentado por Sara até o último momento, mesmo diante do próprio estarrecimento e do das filhas. Ela argumentou que não era o momento das filhas saberem sobre os dois, sem perceber que a sua fraqueza e dúvida estavam escancaradas – Emma que o diga! – e que George tinha ciência que o problema maior estava nela não se decidir, em não querer bancar a relação, assim como ele queria. Mas, se partimos do pressuposto de que Emma esteja certa e Sara ainda não tenha superado a morte de Thomas, a questão que surge é a seguinte: como um casamento pode ser tão sólido e harmônico do ponto de vista de Sara, mas, ao mesmo tempo, fracassado e desestimulante para Thomas, a ponto dele se envolver com outra mulher, engravidá-la e manter duas famílias? Note-se, inclusive, que, mesmo traída, Sara não conseguiu desconstruir a imagem idealizada quem tem do seu casamento, motivo pelo qual seriam muito bem-vindos os flashbacks necessários para sermos apresentados a essa relação dúbia.
Enfim, o décimo quarto episódio da temporada nos apresentou, indiscutivelmente, um dos melhores cliffhangers da série e um poderoso roteiro, não só por Natalie estar envolvida – já devem ter percebido que estou em um verdadeiro caso de amor com a personagem – não só pelo novo triângulo amoroso que surge (Natalie – Dominic – April), mas também pela força dos plots secundários da série, que atraem e sustentam-na assim como o principal.
Top Frases da Semana #1: “Surprise, b**ct!” – Natalie
Top Frases da Semana #2: “Pelo menos vocês trabalham com alguém que dorme junto.” – Kev
Top Frases da Semana #3: “Natalie tem um estilo de vida diferente do nosso.” – April; “Fale por você” – Emma
Top Frases da Semana #4: “Porque está tão feliz? Orin disse que poderia usar jeans novamente?” – Beth
P.S: No episódio “The Family That Lies Together”, o quinto da temporada, enquanto April buscava alguma evidência que explicasse a relação entre Natalie e Thomas, em meio aos móveis que vieram da Flórida após a morte dele (ele tinha uma espécie de escritório por lá), ela encontrou uma fotografia de Thomas, Natalie e George, e Dominic, que estava com ela, também viu esta foto, o que justifica ele ter tido a impressão de já conhecê-la.















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