Dear White People traça um caminho diferente do seu ano anterior e busca ampliar os plots abordados em um mesmo episódio. Se no Volume 02 a prioridade foi dar foco nas personagens coadjuvantes, aparentemente, neste ano, teremos um plano aberto. O sentimento de desorientação dos personagens que acompanhamos nos últimos anos é evidente e a trama desse ano deve priorizar as novas escolhas feitas por eles.
Na primeira cena do episódio, vemos Joelle e Muffy (Caitlin Carver) debatendo sobre feminismo, especificamente, feminismo branco e negro. Esse assunto é um verdadeiro vespeiro, mas deve ser debatido para entendermos as peculiaridades de cada uma dessas mulheres. O movimento feminista vivenciou três momentos cruciais: Primeira Onda (Final do século XIX e caracterizou-se pela luta por direitos políticos), Segunda Onda (A partir da década de 1960 e caracterizou-se pela igualdade de gêneros e a liberdade sexual) e a Terceira Onda (a partir de 1990 e caracterizou-se pela discussão das peculiaridades em torno da feminilidade – o feminismo da diferença). Disse tudo isso para entendermos o posicionamento de Joelle. As mulheres brancas e negras são atingidas pelo machismo e a estrutura patriarcal da sociedade? Sim. As mulheres brancas e negras são atingidas pelo machismo e a estrutura patriarcal da sociedade da mesma forma? Absolutamente, não. O passado escravocrata dos Estados Unidos deixa claro essa diferença. Enquanto as brancas já possuíam direito ao voto desde 1920, as negras só tiveram esse direito a partir de 1965. Estamos falando de 45 anos de diferença! São todas mulheres? Sim, mas a desigualdade entre elas é gritante e merece um debate distinto. A Terceira Onda do Feminismo veio para suprir algo que a Segunda Onda ainda não estava pronta para debater. Dentro dessa discussão, podemos compreender a alfinetada feita a The Handmaid’s Tale no episódio anterior.

Outro ponto importante abordado no episódio foi a questão da presença de imigrantes africanos em Winchester. Claramente, a temporada vai abordar este tema (imigração). Vemos Rashid (Jeremy Tardy) sendo interpelado por seus amigos que deveria ir para Casa Bechet, para ficar com os seus. Isso me lembrou uma fala que ouvi no filme Hotel Ruanda:
“Você é negro, não é nem um criolo americano, você é africano”.
Ou seja, todos eles são negros, mas mesmo assim existem diferenças entre eles. Observando a polarização existente nos Estados Unidos, neste momento, sabemos como a xenofobia atingiu níveis alarmantes, provando que isso deve ser aprofundado mais a frente pelo show. Dear White People está decidida a abordar polêmicas ainda maiores do que foi feito nos anos anteriores e isso está bem claro. E falando de divergências, as uniões estudantis do Caucus Negro estão desorganizadas e sem um rumo definido. Coco tentou se aproveitar da situação para assumir o poder. Seu plano só falhou por intervenção da Joelle. Na ausência de Sam, as duas devem lutar para assumir essa posição. Veremos como essa situação irá se desenrolar.

Uma boa adição ao elenco foi o professor Moses Brown (Blair Underwood). Ex-professor de Winchester que volta para universidade depois de uma temporada no Vale do Silício e da criação do app Otimizador. Logo, seu personagem se aproxima de Reggie, pois seus dramas pessoais são semelhantes. Não sabemos muito ainda sobre ele, mas ficamos com uma interrogação, pois ele usa um anel da Ordem X, algo que chamou atenção de Sam e Lionel. Quais são suas reais intenções em Winchester? Acredito que esteja diretamente relacionado com o que vimos na premiere. O Narrador quer retomar a existência da Ordem X e a presença de Brown reforça essa teoria. E por falar em Reggie, sua insegurança atingiu o ápice durante esse episódio. O rapaz queria tanto contar para todo mundo sobre seu relacionamento com Joelle, mas quando ele consegue o que queria se fecha em uma bolha. Claramente, os traumas vivenciados por ele não foram superados. Talvez a presença de Moses o ajude a seguir em frente.
Dear White People ainda não mostrou a que veio em seu Terceiro Volume. A única coisa clara é que teremos assuntos ainda mais polêmicos para debater. Antes de fechar este texto, quero agradecer novamente minha amiga Vera Tocantins pela parceira nesta cobertura. Pelo segundo ano consecutivo, estamos aqui. Muito obrigada!!!! Não deixem de comentar e até o próximo episódio.
> THE BOYS VAI TE SURPREENDER!
Conhecendo mais da Universidade Winchester e outros pontos do episódio:
– The Handmaid´s Tale é a bola da vez. Nos volumes 1 e 2, vimos as paródias de Scandal e Empire (séries com protagonistas negras). A escolha da série está diretamente relacionada a discussão que Dear White People quer fazer sobre feminismo.
– Seguindo nessa linha, Joelle chamou The Handmaid´s Tale de tragédia pornô. Muita gente que assistiu a segunda temporada da série irá concordar com ela.
– Joelle é uma excelente personagem, mas confesso que sinto falta de Sam no programa. Nas duas entrevistas feitas nesse episódio, senti sua ferocidade. Até Joelle concorda comigo.
– Brown conseguiu que a segurança do campus fosse desarmada. Qual é seu verdadeiro poder em Winchester?
– Não existe tecnologia neutra, não poderia concordar mais com Brown.
– DWP faz uso do seu roteiro para valorizar e dar visibilidade a cultura afro-americana. Como nas reviews do ano anterior, usarei esse espaço para dar mais informações sobre as pessoas citadas. Segue abaixo algumas personalidades citadas:
- Clair Huxtable: Personagem do The Cosby Show (1984-1992). Mulher forte, trabalhadora e com fortes princípios feministas, ela era a matriarca de uma família de cinco filhos.





















