
A outra face de Michael Westen.
Spoilers Abaixo:
O extremo pode ser sombrio e desesperador.
Recordo-me que durante a segunda review que escrevi de Burn Notice, durante sua sexta temporada (Mixed Messages), eu tive a oportunidade de comentar sobre a minha personagem feminina favorita no mundo das séries: Fiona Glenanne. Não apenas por sua força e habilidade, mas principalmente porque ela é independente e decidida… Independente para liderar a própria vida indiferente aos acontecimentos ou àqueles que estão ao seu lado. Decidida por sempre saber o que quer, e quais são os limites a serem estabelecidos perante aos próprios objetivos.
E como uma personagem como esta na realidade, e como Fiona, tornou-se importante para a evolução de Burn Notice, para o desenvolvimento dos conflitos vividos por seu protagonista.
Michael, ao decorrer destes seis anos, provou que sempre viveu sobre a linha tênue entre o certo e o errado, e quando mais a sua integridade foi testada, era Glenanne que se posicionava para indica-lo sobre suas escolhas. E a este nível do seriado é possível observar que sempre foi este relacionamento que “tirou” Westen do lado negro para o qual ele poderia seguir.
Não poderia ser mais justo do que durante esta sétima temporada que Burn Notice explorasse a possibilidade do “e se…”. E se Michael não estivesse com Fiona? E se a sua família não estivesse mais ao seu lado? E se os amigos não se preocupassem mais com suas decisões? E é exatamente isto o que o episódio da última semana buscou oferecer ao telespectador, All or Nothing, é um episódio que traz no próprio nome seus objetivos. Se não há mais nada pela a qual valha a pena lutar, se tudo foi perdido, não há mais nada com o que se preocupar.
…
Enquanto Westen estava em Cuba, ele carregava consigo a esperança de que completando a missão solicitada por Strong haveria a possibilidade de corrigir os erros do passado. Esquecer a vida de espião, dar adeus à CIA e reconstruir sua vida. Porém, a partir do momento em que Michael retorna à Miami, tudo é mais complicado. Pois a missão deve prosseguir enquanto ele encara todas as consequências dos seus atos expostos, descaradamente, em sua face. A história foi elevada a outro patamar.
Para alguém tão inteligente, fica mais do que claro que a ajuda de Sam, Jesse e agora Fiona, surgem apenas porque todos correm riscos se a missão de Michael falhar. Mas nenhum permanece ao seu lado, apenas por conta da amizade. “Eu não tenho nada!”
E como este episódio brinca com a analogia entre o passado e o presente da série.
De imediato temos que a “missão da semana” está em auxiliar Sonya em destruir um grupo de hackers denominados “O Coletivo”, ao mesmo tempo em que Jesse e Sam precisarão ajudar Barry (O Cliente) a encontrar a namorada. Porém, se este cenário nos faz recordas as histórias presentes nas antigas temporadas de Burn Notice, em contrapartida, quem coordena e opera a missão é Sonya. Para Michael, resta aceitar a nova “hierarquia”, lidar com seus sentimentos por Fiona e aceitar que o casal trabalhará em parceria nesta missão.
Durante o texto que apresentei na última semana (Exit Plan), um dos leitores (Juliano Augusto) comentou o quanto sentiu a nostalgia das temporadas passadas enquanto assistiu ao episódio. Devo admitir ter tido muito esta sensação durante o episódio desta semana. Michael e Fiona atuando disfarçados, ao mesmo tempo em que eles não são mais um casal, um perfeito contraste às adaptações. E seguindo a linha evolutiva das possibilidades, desta vez, quem domina o disfarce e rege os caminhos da missão é o personagem de Glenanne com toda sua autonomia em “seduzir” Jordan e contar histórias para lá de fabulosas, enquanto Michael acompanha o disfarce com suas caretas e faces de surpresas com a desenvoltura da parceira.
E o ápice do episódio não poderia ser melhor do que ver Fiona “escorregando” pelas mãos de Michael, com a recordação de grandes episódios passados enquanto o fato decorria. A ideia de lutar contra a própria resistência física para salvar a mulher que ama, trazia tanto a Westen quanto ao telespectador a expectativa de que era o motivo necessário para lutar, certo? Mas então Glenanne rompe qualquer oportunidade ou esperança com um frio e cruel “Michael, já acabou.”.
Tão destruidora o quanto a frase tenha representado para nosso espião, o extremo de seu desespero é enfatizado com o ato final do episódio, (em analogia ao episódio Hot Spot), onde Michael se apega ao que lhe resta: concretizar a missão.
Ficar com Sonya representa o momento onde Michael deixa de lutar contra os limites da moralidade, se tudo foi perdido, não há mais pelo que lutar. Então, não importa se dormir com o inimigo é necessário para cumprir seus objetivos, ele não tem mais para quem expressar os seus valores. E o fio que lhe resta de esperança, é acreditar que todas as suas perdas não tenham sido em vão.
7×07: Psychological Warfare
Um homem que não tem segredos é capaz de confiar em si mesmo.
De imediato, o que me vem à mente quando penso neste episódio é a palavra: fantástico.
Muitas vezes questionamos quando uma série não aproveita a sua oportunidade de evoluir, de estruturar conceitos relevantes ao seu personagem e trazer este foco como ponto a ir mais além. Até mesmo em Burn Notice eu já tive esta sensação de desagrado. Porém, não com esta temporada, jamais.
Aproveitando-se de toda a evolução da série e ancorado pelo episódio All or Nothing, o roteiro escrito por Matt Nix (criador), mergulha a fundo nos conflitos psicológicos de Michael Westen, e apresenta o que em minha opinião, foi o melhor episódio de Burn Notice, até hoje.
Michael, que demonstrara estar decidido seguir até o fim com sua missão, tem em suas mãos a oportunidade de conhecer o grande maestro e líder da organização a qual Sonya é integrante. Grande foco da CIA, mas nós também sabemos que para nosso espião, esta meta tornou-se pessoal. Principalmente por conta do preço a ser pago, caso a mesma venha a falhar. Porém, o maior inimigo a ser enfrentado para conquistar a confiança desta organização seria o próprio Westen, e todas as suas marcas do passado.
O que marcou a divisão da temporada e os primeiros sinais de despedidas de Burn Notice, é que finalmente, conhecemos a outra face de Michael. Aquela que todos nós sabíamos que existia, e que por muitos anos ele lutou contra esta realidade, mas de fato, nosso espião tem um grande passado sombrio, e negá-lo não é mais uma alternativa.
O retorno de Tim Matheson interpretando o personagem mais marcante da série, Larry. Não trouxe fôlego à Burn Notice (não é preciso), ele trouxe um perfeito encerramento e digno da compreensão do quanto Michael o respeitava e o temia ao mesmo tempo. Larry retorna para selar uma grande trajetória de um perfeito vilão, e como assim sendo, o seu legado foi deixar cicatrizes irreparáveis na personalidade de Westen.
Estar diante do inimigo e ser forçado a entregar-lhe a própria alma, é a tarefa mais difícil que alguém pode enfrentar na vida. Para Michael, este é o momento onde o seu conceito em acreditar que ele não tem mais nada, depara-se de frente em perceber que ele tem tudo, todas as revelações necessárias para destruir a vida de todos aqueles que ele ainda ama. Lutar com este impasse psicológico onde a verdade luta para ser exposta, mas a verdade significa a sua ruína, coloca sua mente em busca de um ponto de estrutura para manter a sanidade e não se render aos questionamentos de James.
E é muito interessante a ideia de que todos esperavam que Michael fosse se apoiar no amor que ele sente por Fiona. Mas a grande surpresa e grande revelação vêm com a lembrança de seu pai. A imagem do homem que Westen mais odiou por temer, porém nunca soube que o respeitara. Recordar-se do pai, para Michael, foi trazer a tona o maior de seus pecados. Pois o assassinato de pessoas inocentes junto à parceria de Larry, apenas simbolizou a personalidade de alguém que se anestesiou dos sentimentos perante o maior vínculo rompido em sua vida, quando optou por abandonar à família acreditando que servir ao seu país seria a oportunidade de encontrar uma nova.
Mesmo lutando para erguer-se contra aquela afronta, a maior verdade era expressa pela frase de seu pai: “Você deixou o seu lar pela CIA. Perdeu Fiona pela CIA, e teve o seu único irmão morto pela CIA.”. E agora ele perderia tudo pela agência?
Reencontrar-se e compreender sua verdadeira face, é a oportunidade de aceitar-se. E Michael encontra esta chance após encontrar seus verdadeiros demônios.
James lhe disse: Bem vindo à família. Porém Westen sabe que está na hora de recuperar o que restou da sua.
Observações Finais:
Admiravelmente, Burn Notice cresce demais próximo de sua despedida. Dois episódios perfeitos e dignos de entrarem na lista dos melhores da série.
No quesito interpretação, confesso que fiquei de boca aberta com Jeffrey Donovan em ambos os episódios. Ainda que seu talento não seja novidade, a sua transição entre o disfarce sarcástico, a tensão em estar ao lado de Fiona e o desespero ao fim do episódio em All or Nothing, foi fantástico. E então, temos nada mais do um espetáculo do ator na interpretação de Psychological Warfare… Meu único desejo é que ele não desapareça das telinhas após o fim da série.
Fica a dica:
Enquanto Fiona corre o risco de cair do prédio (em All or Nothing) e Michael a segura pela mão, é exibida uma sequência de cenas ocorridas em temporadas passadas da série, sendo estes, respectivamente:
2×11 – Hot Spot
3×13 – Enemies Closer
4×18 – Last Stand
5×18 – Fail Safe
7×02 – Forget Me Not
Todos foram ótimos episódios e merecem as honras de serem revistos.
Fica a dica.
PS: Peço desculpas por apresentar uma review dupla. Prometo que irei me esforçar para que isto não se repita.













![Burn Notice 7×13: Reckoning [Series Finale]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2013/09/Burn-Notice-series-finale-capa-218x150.jpg)
