
A garota da fossa séptica.
Spoilers Abaixo:
“Inherit the Wind” foi um bom episódio e trouxe as consequências do final de For Fanny. Começando com um diálogo cheio de maus entendidos entre a sogra, a nora, e o amigo que Hubbell escolheu para penar com a situação, vemos Fanny sentada ali mais desorientada que cego em tiroteio, tentando engolir a última façanha de seu único filho.
É mesmo difícil de entender. Foi o dinheiro de Hubbell que comprou aquela casa – ou aquela semi-fazenda – mas dona Flower viveu ali por quarenta anos. Quarenta longos anos. Por que o cabeça dura não deixou alguma coisinha no nome dela?
Justamente pelo que Michelle falou (ou insinuou): o filho imaginava que sua mãe estaria morta quando fosse a vez dele de partir para a melhor. Ninguém planeja a vida pensando que vai bater o carro numa árvore logo depois de se casar com a mulher dos sonhos, certo? Hubbell muito menos.
Mas isso é o que menos importa agora. Independente do que ele pensou, sua mãe ficou nas mãos de uma nora que ela mal conhece e, some isto ao fato de que Fanny não é nem um pouco dramática, você tem o mundo caindo aos pedaços. As cenas consequentes desse drama, com ela fazendo birra com bule, chá, caneca e scones (com toque de Downtown Abbey), foram simplesmente maravilhosas. Ainda mais que ela não deixava Michelle falar nada, naquele monólogo imponente digno de Palladino.
E Paradise, (a cidade onde todos já têm o telefone de Michelle), não podia deixar de dar sua contribuição ao caso. Se a coisa está pegando fogo, nada melhor do que a corretora Claire para levar seu famoso taco em um saco e umas palhas para ajudar o incêndio a alastrar. A boa mulher não só aterrorizou Michelle com todas as despesas e preocupações que ela teria com sua nova propriedade, como acabou levando o encontro à presença de Fanny que, claro, surtou de vez.
E como ela não surtaria, né? Ela mal acaba de ouvir que Michelle é dona de toda a sua vida e já vê a nora passeando com a corretora da cidade… Pelo menos este passeio serviu para que a herdeira conhecesse melhor sua herança e também seu marido. Surpresa, surpresa, Hubbell era um homem de fino gosto e apreciador de detalhes, como bem vimos no lindo carro que ele mesmo montou.
Juntando Claire, Fanny surtando, e carro de Hubbell, temos Michelle parando na tal estrada particular de Paradise, onde nem o jornaleiro entra para fazer uma simples entrega de jornal. Conversa vai, prisão vem, sogra-que-dança-com-o-chefe-de-polícia vai e surge (Bill?) Grant, o misterioso milionário da estrada particular sem placa, culpado pelo sumiço de gente que ele nem conhece.
Desconfio muito que Grant, com toda aquela pinta de bom moço, logo, logo vai topar com Michelle outra vez. O primeiro encontro deles, se assim podemos dizer, foi um tanto peculiar. A moça aparece na porta dele falando igual uma condenada, se apresentando como “a garota da fossa séptica”, ele se recusa a servir vinho para ela (provavelmente porque ele achou que sóbria ela já é noiada demais…), apresenta para ela as maravilhosas vistas que cercam Paradise (…), manda o motorista particular arrumar o carro dela, e por aí vai.
Sem contar que ambos ficavam completando as frases um do outro (ele mais corrigindo do que completando) e, naquela conversa de poucos minutos, ele convenceu Michelle a dar uma chance à nova vida: “Uma dançarina com um estúdio de dança. Isso parece alguma coisa.”. A óbvia complicação, a namorada, nós descobrimos que existe. E então está semi-lançado o plot amoroso de Bunheads. Falta descobrir quem é a dita cuja.
Enquanto isso, as meninas do balé faziam o plot amoroso delas. Boo é apaixonada pelo irmão de Melanie, Charlie. O menino é aquele adolescente bonitinho que aprontou e ficou de castigo, preso à irmã. A paixonite de Boo retrata muito bem o inicio da adolescência, onde o garoto mais bonito, e provavelmente o mais estúpido, é quem consegue chamar a atenção da menina doce e inocente.
No caso de Boo, ainda existe Sasha para piorar. A situação já é constrangedora por natureza, Boo é tímida, e lá vem a menina com aquele bullying nojento. O episódio mostrou Sasha como uma menina que sofre com a ausência e indiferença da família, como se isso justificasse ela ser tão amarga e enjoadinha. Acaba que no mundo real as coisas são parecidas com isso mesmo, mas a lógica aqui não faz sentido algum.
Por que ela não tenta encontrar nas colegas a importância que ninguém dá para ela em casa ao invés de caçar inimizades? Por que ela não aceitou sua realidade e ficou calada, quando Boo a defendeu, ao invés de reagir com patadas? A resposta para tudo isso, leitores, é o orgulho, o maldito que ainda vai fazer Sasha se dar muito mal.
Pelo menos no caso de Michelle, o orgulho é um caso vencido… Por agora. A nora finalmente conseguiu se sentar com a sogra num momento de silêncio desta e conversar sobre o futuro. Acontece que a semi-fazenda de Hubbell, que deve tomar metade do território de Paradise, tem uma casa de hóspedes onde ela poderá morar. Assim, cada Flower terá um canto para si e a paz pode voltar a reinar na cidade. Bom, pelo menos por agora.
Observações:
– Grant é interpretado por Steven Eckholdt, o ator que fez Mark Robinson em Friends e o Doug Westin de The West Wing.
– Quem ficou curioso para ver as fotos dos pés das bailarinas? Lembrem-se de que elas ganharam a competição de pés mais feios competindo com outras bailarinas de pés feios…
– O poder da estrada particular: por causa da bendita, Grant está isolado até das fofocas de Paradise. Eu hein.
– O poder da estrada particular [2]:
Michelle: Não há placa nenhuma, como eu deveria saber?
Lou: Uma estrada particular é uma estrada particular. Todo mundo sabe disso.













