
Olá, chegamos ao início da 3ª temporada de “Bored to Death”, que como toda série da HBO alcança uma recepção da crítica sempre muito acima de sua média de público. O que de certa forma é natural, por se tratar de um canal vendido à parte nos pacotes de TV por assinatura. Com isso em mente, tentando majorar nem que seja só um pouquinho essa média de audiência, vamos tentar apresentar o mote da série aos leitores, e também comentar rapidamente o que rolou de bom até agora nessas três temporadas. Mas antes, uma pequena introdução para entender do que se trata o show.
Spoilers Abaixo:
“Bored” é representante típica do humor judaico tão apreciado nos EUA, sendo inclusive por muitas vezes comparada com a ótima e atualmente maior representante desse gênero “ Curb Your Enthusiasm”, de Larry David (co-criador de Seinfeld). E tal comparação não é à toa, o criador de “Bored” é amigo e colaborador de David, com isso, podemos corretamente inferir que ocorre uma sinergia entre as produções. Mais uma similaridade com “Curb” é o fato de que aqui o personagem principal também é homônimo do criador da série, posto que se naquela Larry David joga nas duas posições, aqui o papel de Jonathan Ames é interpretado pelo bom ator Jason Schwartzman, de “Viagem a Darjeeling”. O verdadeiro Ames também atua, mas na pele de outro personagem. Podemos dizer que as semelhanças terminam por aqui, pois enquanto “Curb” (que chegou este ano a sua 10ª temporada sem que muitos brasileiros tenham ouvido falar dela) é marcada pela narrativa absolutamente egocêntrica do seu protagonista, em “Bored”, encontramos uma tríade de mosqueteiros que temperam as histórias: Jonathan, Ray (Zach Galifianakis de “Se beber Não Case”) e George (o veterano Ted Danson).
Jonathan, Ray e George têm em comum o fato de serem escritores notoriamente desajustados (cada qual em seu grau), mas tirando isso, têm personalidades bastante diferentes… George é absolutamente extrovertido, Ray é pervertido e excessivamente mal humorado, enquanto Jonathan é o loser típico…
Mais precisamente, Jonathan é um jovem escritor que teve relativo sucesso em seu primeiro romance, mas não consegue terminar o segundo… Entediado e em crise amorosa, ele resolve colocar um anúncio na internet (craigslist) se apresentando como detetive particular… Isso rende a ele uma vida de aventuras que lhe tiram do tédio, e com ajuda dos amigos tenta resolver os mistérios… Parece ingênuo, e de certa forma é. O que não é de forma alguma ingênuo é o roteiro. Os diálogos flertam continuamente com o politicamente incorreto, e abusam do constrangimento e das desventuras do herói… Mas este herói como dissemos não atua sozinho, recebe ajuda do personagem de Ted Danson, um editor bem sucedido e excêntrico que exerce o papel de mentor e “paizão” de Jonathan, cabendo à Zach interpretar o papel de melhor amigo, o que faz muito bem, como um adorável carrancudo tentando se comunicar com o mundo através de seus quadrinhos que diríamos… ehh… Seriam considerados muito pouco ortodoxos para apreciação de um leitor mais conservador… Ou mesmo para os mais liberais! Vai lá na série conferir para ver do que estou falando…
Na primeira temporada, logo na cena inicial, Jonathan está em pé na frente de seu prédio observando o pessoal da mudança lotar um caminhão com diversos móveis, enquanto isso tenta dissuadir inutilmente sua namorada de abandoná-lo. Nessa ocasião, Jonathan indaga aos funcionários da mudança se eles seriam judeus, por conta do nome da empresa, e disserta brevemente o quão improvável é um judeu ser encarregado de realizar trabalhos braçais quando o comum é serem médicos, advogados, etc… Ele recebe então um passa fora do funcionário, e acata com tranquilidade, pois já está mais do que acostumado com isso… O que é curioso sobre Jonathan é justamente sua imensa falta de noção sobre a vida, combinada com um espírito passivo e gentil… O é em tal grau que não dá nem mesmo pra ficar com raiva dele… Dá é pena… O personagem une qualidades como de amigo absolutamente compreensivo, e sujeito reconhecidamente egoísta, interlaça uma figura doce e irritante ao mesmo tempo… Ingênuo e puro, ele passa toda a first season buscando a ex-namorada, Suzanne, implorando com pérolas como: “Eu estou vivendo como um animal. Eu não tenho papel higiênico, não tenho comida, nem pasta de dentes”. Suzanne é interpretada por Olivia Thirlby que a meu ver poderia ser explorada mais profundamente no papel. O vácuo que ela deixa na vida de Jonathan o permite ocupar a cabeça com qualquer tipo de bobagem para tentar se anestesiar da vida…
George (Ted Danson) também está entediado até a morte, e quer algo para confirmar que a juventude é acima de tudo um estado de espírito. Editor e proprietário de uma grande revista, ele virou uma figura meramente decorativa no mercado… É um tipo e tanto… Em um episódio, enquanto os outros estão atabalhoadamente envolvidos na resolução de um caso, George está em segundo plano, extasiado por ver sua imagem em várias câmeras de circuito fechado de uma só vez, ele não se cansa de si mesmo… Esse é George, maravilhosamente interpretado por Ted Danson! Confesso que dos três, é meu personagem preferido. Acredito quer se vc for dar uma chance à série, provavelmente também será o seu.
Ray por sua vez toma o que Galifianakis tem de melhor, aquela faceta de humor corpóreo, sisudo e doido ao mesmo tempo… A vida de Ray é de mero consumo dos recursos naturais, é o “desperdício de oxigênio” do grupo… Apesar de não ter dotes físicos, conseguiu ser sustentado pela namorada Leah (interpretada interessantemente por Heather Burns) e apesar de se sujeitar aos caprichos desta, é um tremendo vagabundo… Vive no mundo dos quadrinhos que rabisca com imensas doses pornográficas, e é emocionalmente dependente de Jonathan.
Apresentados ainda que incipientemente os personagens, devemos considerar que a premissa principal de “Bored To Death” é a de Jonathan ser um detetive, mas o programa não tem o foco policial, aliás, faz troça, mostrando Jonathan como o pior investigador possível. Temos que em “Bored” os personagens são delimitados psicologicamente e expostos à situações inusitadas e burlescas, conseguindo lidar com estas sem trair a sua caracterização, funcionando talvez como um experimento de psicologia, só que recheado de comédia… Daí vem o “pulo do gato” da série… A evolução dos personagens gerada nesse ambiente durante essas três temporadas é interessante, talvez resida aí o ponto forte do show.
1ª TEMPORADA
Na first season, quando Jonathan é largado por sua namorada e vê sua carreira como escritor estagnada, ele passa por um inferno astral que o tira do trilho, encontrando-se completamente fora do ar, busca consolo em suas duas paixões, livros e álcool (mais precisamente vinho branco!). Então, inspirado por um romance policial, Jonathan coloca um anúncio na internet oferecendo serviços de investigador particular. Os primeiros casos que pega são resolvidos com relativa facilidade muito por conta de sorte, envolvendo uma pessoa desaparecida e um caso de infidelidade.
Durante praticamente todos os episódios, Jonathan tenta reconquistar Suzanne, mas sem sucesso. No campo profissional, George tenta ajudar seu pupilo convencendo o aclamado cineasta Jim Jarmusch (de “Stranger Than Paradise” entre outros) interpretado por ele mesmo, a dar um roteiro para revisão de Jonathan, que, no entanto, assoberbado pelas tarefas detetivescas e desventuras amorosas, não consegue produzir todo o material antes de Jarmusch mudar de ideia… Em outra tentativa de reconquistar Suzanne, Jonathan tenta levá-la para Brighton Beach com Ray e Leah. No entanto, mais uma vez as atividades de detetive particular frustram as possibilidades de se dedicar totalmente, estragando a noite. George nesses momentos serve como conselheiro do amigo, tentando passar sua experiência adquirida em tantos anos, o que rende muito bem para série, pois Ted brilha no papel.
Paralelamente, o quadrinista sem sucesso Ray concorda em doar esperma para um casal de lésbicas, embora contra a vontade de Leah. Por fim, Ray descobre que o casal de lésbicas a quem ele estava fornecendo esperma estava revendendo o material para outros casais gays, o que o deixa estarrecido. Jonathan após ver que não consegue reconquistar Suzanne, finalmente conhece uma nova dama, a maluquinha Stella.
No encerramento da temporada, acompanhamos George, Jonathan e Ray envolvidos em uma feroz batalha de reafirmação contra os membros de uma revista rival. Ambos os grupos concordam que apenas uma disputa de boxe seria suficiente para resolver seus conflitos. A equipe rival é liderada por Richard Antrem (Oliver Platt), o novo marido de Priscilla, ex-mulher de George. Antes da partida, George dorme com Priscilla que implora para ele perder a luta devido a Richard ter problemas cardíacos. No final, Ray perde a luta, mas Leah está orgulhosa dele. Jonathan bate seu crítico, e George perde intencionalmente para Richard. Ray recebe então o afago da mulher, que antes via nele um inútil covarde e agora enxerga uma centelha de coragem, Jonathan foi à forra contra seu mais intolerante crítico, e George acaba se saindo bem pela cumplicidade que estabelece com a ex.
2ª TEMPORADA
Três meses após deixarem o ringue da 1ª temporada, Jonathan continua seu trabalho como detetive particular, e com mais ênfase, pois seu segundo livro foi rejeitado. Ele agora também dá aulas de escrita em um cursinho de segunda linha. A sua nova namorada Stella quer manter um relacionamento aberto, gerando um conflito que só se encerra quando, após muito custo, convence Jonathan a se submeter a um tragicômico ménage… Após isso, Stella opta pela monogamia… Mas com a outra ponta do ménage que não Jonathan! Pra encerrar, o pobre detetive ainda é sequestrado no mesmo dia…
Antes disso, Richard Antrem pede a Jonathan para espionar Priscilla tentando descobrir se ela está tendo um caso. Mal sabia o nosso Jonathan que o amante seria George… Destaque para esse núcleo que gera cenas muito divertidas, em boa parte devido ao ótimo trabalho de Platt/Antrem . Mais tarde, George vai a uma urologista e é diagnosticado com câncer de próstata, e até nisso ele se dá bem… Passa a namorar a doutora interpretada corretamente por Jessica Hecht (a Susan de Friends, namorada da ex-mulher de Ross) que curiosamente está muito mais bonita hoje do que no passado, confiram lá!
Por outro lado, após várias tentativas fracassadas de encontrar um denominador comum no relacionamento, Leah rompe com Ray, que insiste num retorno até o momento em que acidentalmente flagra a ex na cama com um homem chamado Irwin e o põe pra correr ferozmente.
Ao saberem do sequestro do amigo, George e Ray tentam resgatá-lo, mas como ambos estão chapados, acabam sendo também capturados pelos bandidos, só sendo liberados com a ajuda dos pais de Jonathan que pagam o resgate. Posteriormente, Ray inicia um breve romance com a personagem de Kristen Wiig (de Saturday Night Live, excelente atriz!) que já havia feito uma ponta na first season, mas o relacionamento não vai pra frente já que a mulher é doida, muito mais doida que o próprio Ray… Coloco como um dos destaques da temporada a cena de término desta relação (que gera déjà vu em qualquer um que já passou por isso)… Mas se no amor Ray anda atrapalhado, ao menos seu personagem de quadrinhos ganha projeção, atraindo o interesse de nada mais nada menos do que Kevin Bacon (interpretando a si próprio) que deseja iniciar uma série de filmes sobre o Super Ray… No entanto, nosso quadrinista reconsidera por achar que Bacon estaria modificando a essência do seu personagem…
Um dos fatos importantes da temporada, é que devido a grave crise econômica americana, Geroge acaba vendendo sua editora para uma nova empresa, mas mantem sua coluna, o que se mostra um grande engano, pois ele passa a ser cada vez mais desvalorizado até o ponto de sua coluna ser finalmente cancelada. Após, quando George é internado no hospital para a cirurgia de próstata, Jonathan descobre que a médica/namorada o diagnosticara erroneamente (o doente era outro George), deixando seu mentor livre do fantasma do câncer para alívio de todos… De todos exceto do outro George, que irá se descobrir enfermo, mas como consolação receberá uma cesta de frutas do nosso George que se apiedou do homônimo…
Uma semana mais tarde, George abandona seu emprego na nova editora, porque seus chefes queriam impor uma visão mais republicana na revista, cuja capa teria Obama caracterizado como comunista, e também por não querer se submeter às consequências advindas do teste antidrogas que é padrão da nova companhia.
Para fechar a temporada, Ray recebe inúmeros e-mails de um perseguidor, até que finalmente recebe na porta de sua casa uma “boneca Super Ray” com a ponta de uma faca em seu ombro. Jonathan agora empreende seus dotes de detetive para achar o perseguidor, chega muito próximo, mas não consegue prendê-lo a tempo de desferir o primeiro golpe, mas ao menos consegue evitar que seu amigo seja morto em plena Comic Con… O perseguidor era o amante de Leah, que desejava vingança por ter sido preso por atentado violento ao pudor quando saiu da casa completamente nu tentando escapar da fúria de Ray.
Por fim, Leah vai ao encontro de Ray internado no hospital e se apieda dele… Os dois se reconciliam no leito, George e Jonathan deixam o amigo em boas mãos e decidem sair para discutir qual paradeiro seria mais propício para novas aventuras… Esse episódio de encerramento foi o melhor da temporada! Recomendo fortemente.
3 ª TEMPORADA – 3×01-05: The Blonde in the Woods/Gumball!/The Black Clock of Time/We Could Sing a Duet/I Keep Taking Baths Like Lady Macbeth
Quando terminou a segunda temporada (um ótimo final, com uma breve menção ao Brasil, aliás), após cada um ter enfrentado seu rival: Jonathan x Louis Green (John Hodgman perfeito como antagonista caricato), Ray x Irwin (agora sim, o autor Jonathan Ames fazendo uma ponta) e George x Antrem (Oliver Platt, excelente no papel de rico afetado) eles haviam vencido fraquezas e medos, mas na 3º temporada os desafios são outros, agora o mote é a relação familiar, especialmente entre pais e filhos.
O primeiro problema pai x filho é com Ray, que após ter doado sêmen para um casal de lésbicas fica exultante ao saber do divórcio das mesmas, pois precisa preencher seu vazio existencial participando da criação do menino… O problema é que quando vcs conhecerem Ray entenderão que ele é o último modelo de pai a se pensar… Isso fica claro até para ele no decorrer da história…
Já George, o mulherengo sessentão que acredita ser eternamente jovem, e sem qualquer pudor de levar qualquer menininha para cama, tem de aturar sua filha comprometida com um homem da idade dele que também crê ser um garotão… George fica mortificado com isso… A partir daí a série vai trabalhar com a hipocrisia desse tipo de situação, e promete ser um bom caminho…
E o nosso loser-hero, Jonathan? Bem, esse aqui ao comentar efusivamente sobre a paternidade do seu amigo Ray estimula os próprios pais a revelarem um grande segredo… Por serem inférteis, tiveram de usar um banco de sêmen. Isso só serve para bagunçar ainda mais o caótico senso de realidade do rapaz, e gera ótimos diálogos com George ainda nesse episódio.
Como pano de fundo desses dramas familiares se desenrola o caso policial do dia… Aliás, um dos piores dias da vida de Jonathan, que ao final do episódio termina pendurado num arranha céu do Brooklin tentando fugir da polícia por suspeita de assassinato… Quem o incrimina é a blondie do título do episódio, o desfecho se deu no capítulo seguinte, corre lá e assiste!
Ok, preferiu ficar lendo mesmo? Tudo bem… Vou te contar o que aconteceu… Lá estava o pobre Jonathan pendurado na torre do relógio do mais alto e tradicional prédio do bairro do Brooklyn, o One Hanson Place, e sua única esperança era Ray, que por telefone se comprometeu a ir até lá ajudar o amigo… E no último badalo do relógio eis que surge Ray, que impagavelmente irrompe dentro da madrugada no apartamento de um ricaço para salvar o amigo puxando-o para dentro do prédio…
Interessante é que Ray poderia ter aliviado o companheiro do sofrimento muito mais cedo, mas preferiu terminar de fazer sexo primeiro… E não é pra menos, a sua namorada Leah (interpretada por Heather Burns) só dá chances para Ray uma vez por mês… E desta vez foi bem especial, por conta de uma especificidade impublicável… Interessante notar aqui que Ray é um quadrinista, seus desenhos são basicamente sobre um herói chamado Super Ray… Note que o recurso de alter ego também se aplica a este personagem, cujo poder simplesmente deriva do seu membro… Sim, do membro… Daquele membro… Pois é, agora vcs entenderam o caráter pervertido de Ray… Outro fato interessante desta ação que toma boa parte do episódio, é que no final da 2ª temporada o papel de herói se inverteu… Jonathan é que havia salvado Ray… Isso é uma tônica da série… Os personagens se revezam em suas aspirações, os alter egos são utilizados a todo tempo… Quer tirar a prova? No quadro seguinte temos George enfrentando seu futuro genro, que em todos os aspectos é uma versão alternativa sua… Como foi dito, trata-se realmente de um descompromissado exercício de psicologia… A série é conduzida num jogo de espelhos temperados de sátiras hedonistas com pitadas de noir…
De qualquer forma, uma vez salvo, Jonathan decide lavar sua honra a todo custo… E obteve êxito, apesar de eu achar que seria melhor para série desenvolver essa trama por mais episódios… Mas enfim, após algumas reviravoltas, com o apoio dos amigos, a loira foi desmascarada, e todos terminaram bem. Não irei minudenciar ainda mais o episódio, pois nosso propósito inicial é fazer vc querer assistir a série, e acreditem, algumas cenas fazem valer a pena… Foi fantástico os três mosqueteiros discutindo os altos e baixos do dia antes de dormir, talvez só sendo superado pelas cenas de perseguição paranoica de George sob os efeitos alucinógenos da maconha…
No 3º episódio da temporada, o conflito de pais e filhos é explicitado logo ao início, com Jonathan tentando achar pistas sobre seu pai biológico, e Ray sofrendo como pai de primeira viagem tentando fazer amizade com grupo de lactantes… Do outro lado da cidade, George que agora é dono de um restaurante chique (ao final da 2ª temporada ele se demite da editora) recebe mais uma vez o genro tentando dissuadi-los de levar o relacionamento à frente…
Uma ótima história foi apresentada quando Jonathan tem de enfrentar mais uma vez o famigerado Louis Green (John Hodgman), seu antagonista das duas primeiras temporadas que aparentemente não conseguiu superar o passado, e pelo que parece, jamais o fará. Mais uma vez a série trabalha na seara de confrontos familiares, nos parece que a justificativa de tanto rancor é que Louis projeta em Jonathan aquilo que poderia ter sido, uma pessoa que apesar de falhas seja amável e desperte afeto… Coisa que não consegue granjear de seu próprio pai… Ponto alto para os diálogos travados sobre o título do livro de Green e as cenas gravadas no tradicional programa americano “The Dick Cavett Show”.
No 4ª episódio temos um contexto forte que aborda basicamente o choque de gerações, a diferença das idades, e paralelamente uma conotação sexual intensa… Com direito a voyeurismo, e a perversão de Ray que parece não ter mais limites…
É tido por alguns como o melhor episódio de todas as temporadas, por outros como o pior… O motivo é a intensidade com que certos temas foram mostrados… Eu particularmente não me ofendo mais com o “fantástico mundo de Bored”, mas algumas audiências não suportaram bem o mau-caratismo pervertido de Ray, por exemplo. Realmente para ver o show é preciso ter um certo estômago, assim como Ray mostrou estômago ao se envolver com uma idosa nesse episódio… Vimos também mais uma projeção de alter ego, pois surge um terceiro Jonathan Ames… O papel poderia ter sido melhor explorado para que se conhecesse um sentido mais amplo do mesmo… Em miúdos, serviu apenas como escada para relação entre a filha de George e Jonathan. Essa relação se constrói a pedido do próprio George, tentando esvaziar a iminência de um casamento de sua menininha com um homem mais velho. Ao final, George acaba se arrependendo, pois encontra naquele homem mais velho um amigo fiel que lhe defendeu com muita galhardia. A propósito, aqui se dá uma ruptura na amizade entre George e Jonathan como decorrência da desventurada noite entre este e a filha daquele. Esse mote foi necessário para que fosse explorada a relação dos dois amigos no episódio seguinte…
Chegamos ao 5º episódio em que contamos com a participação da humorista Sarah Silverman como uma terapeuta de casais, que vai receber quem em seu consultório? Pois é, George e Jonathan… Ponto alto do episódio, principalmente para os fãs de Sarah, que interpreta uma terapeuta que beira o sadismo em suas sessões… Em paralelo, tendo em vista o afastamento entre mentor e pupilo, George passa a estreitar laços com Ray… Este vem enfrentando dilemas morais em manter sua relação com a idosa, ou jogar limpo com Leah. Dilemas morais não são o forte do amoral Ray…
Jonathan por sua vez decide reatar sua amizade com George provando ser confiável, e para tanto passa a investigar o restaurante da nêmesis de seu mentor Mr. Antrem (o ótimo Oliver Platt), que ao que parece está trapaceando… Trapaceando inclusive com a ajuda do persistente Green que volta a este episódio como garçom e assistente do personagem de Platt… A interação entre Ray e Green nesse episódio é fantástica, só sendo superada em humor pelas cenas finais do episódio que são para mim o que há de melhor na temporada… Impagável a perseguição dentro do supermercado, onde finalmente é restabelecida a amizade entre George e Jonathan.
Pois é, com isso fizemos uma análise dos 5 primeiros episódios da season, restando apenas 3 para terminar… As temporadas anteriores também tiveram apenas 8 episódios, sendo só 20 minutinhos por capítulo… Para os mais compulsivos dá pra matar “Bored” em um final de semana tranquilamente…
Por fim, espero que alguma curiosidade tenha ficado para que vcs comecem a assistir essa boa série da HBO… Eu particularmente no campo da comédia sou mais fã da linha NBC, de shows como Community, The Office, Parks and Recreation, 30 Rock… São estes que prendem minha atenção… Mas é bom variar, não é mesmo? O selo da HBO não é de comédia rasgada, definitivamente… Mas talvez por isso mesmo não seja de se jogar fora!
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Até!


















