Em entrevista ao Hollywood Reporter, Sarah Watson, showrunner de The Bold Type, brinca que uma boa tagline para a série seria “procurando a melhor cor de batom para esmagar o patriarcado”. Em seu terceiro episódio, a série continua firme em sua missão, discutindo temas sociais relevantes e investindo no desenvolvimento de seus personagens; isso tudo sem abrir mão do glamour.
No episódio anterior, Kat abandonou seus medos de rotular sua sexualidade e assumiu para si mesma que estava realmente interessada em Adena. Foi um momento importante para ela, mas não quer dizer que nosso ship vai acontecer, já que a fotógrafa tem namorada. A boa notícia é que Adena não sumiu da série, como eu cheguei a temer que acontecesse. Ela não deu as caras no episódio, mas mandou mensagens a Kat dizendo que tinha um assunto urgente para tratar com a moça. Será que ela vai dizer que largou a namorada porque não conseguia parar de pensar na morena? Improvável, eu sei. É muito cedo para isso, mas um garoto pode sonhar, não é mesmo? #IbelieveInKatena
De qualquer forma, em The Woman Behind the Clothes os roteiristas decidiram deixar a vida sentimental de Kat em stand by e focar em seu trabalho na Scarlet. Por mais que goste de Adena, isso foi uma sábia decisão, pois além de explorar ainda mais a personalidade da personagem, ainda transmitiu uma mensagem importante sobre como nos comportamos e lidamos com o que acontece online.

Estima-se que hoje, mais de dois bilhões de pessoas fazem uso de alguma rede social: Twitter, Facebook, Snapchat, Intagram, Linkedin, Bando de Séries; tem para todos os gostos e finalidades. As ferramentas de mídias sociais se tornaram parte importante do nosso dia-a-dia, impactando nossa rotina e relacionamentos. Mas não é só no âmbito pessoal que as redes sociais exercem uma grande influência. Empresas como a Scarlet usam as diversas plataformas disponíveis para divulgar seu conteúdo, atingir um grande número de pessoas em poucos segundos, criar um relacionamento mais íntimo com seus leitores e ficar a par das tendências do mercado. As possibilidades são infinitas, e como gestora de mídias sociais da Scarlet, Kat está bem ciente do poder que tem em suas mãos.
Por isso, ao perceber que até mesmo a tecnologia usada em óculos de realidade virtual é sexista, nem pensa duas vezes antes de criticar publicamente as empresas, que mesmo sabendo que o uso do equipamento por mulheres em período menstrual pode causar náuseas e vertigens, continua vendendo o produto e não faz nada para resolver o problema. Só que o tiro sai pela culatra. Kat começa a receber mensagens de ódio, que vão de xingamentos misóginos até ameaças de estupro. E, infelizmente, esse tipo de coisa não acontece só na ficção. Embora traga muitos benefícios, a internet cria uma barreira de proteção que permite que esse tipo de gente babaca se esconda no anonimato para atacar outras pessoas da forma mais vil e inconsequente. É algo nojento, perverso e desumano. Kat é uma mulher forte e não se deixa abater, até que o ataque vai longe demais, violando sua privacidade ao vazar uma foto sua de topless. Sinceramente, eu já teria desabado bem antes.
Embora traumático, esse caso serviu para mostrar para Kat que ninguém é tão forte o tempo inteiro e que ser vulnerável não significa fraqueza. Como Jacqueline aponta, às vezes é preciso se permitir desmoronar para que possamos depois nos reerguer e contra-atacar. Mas não se combate desumanidade com agressividade e sim com gentileza. Ao reunir um grupo de mulheres que passaram pelo mesmo problema (a união faz a força!), Kat apelou para o lado humano dos detratores, mostrando que por trás de cada usuário na internet há uma pessoa de carne e osso, que possui sentimentos, que se machuca e sofre. Assim, a série nos traz a mensagem de que é preciso ter maior responsabilidade em nossas interações online. É preciso, como diz J. M. Barrie em uma de suas obras, “tentar ser sempre mais gentil que o necessário”.
Se semana passada Kat era quem estava preocupada com rótulos, dessa vez é Jane. Mal começou a carreira, e ela já está com medo de ser conhecida como a garota que só publica artigos sobre sexo e relacionamentos. Ela então decide escrever o perfil de uma congressista que, embora seja progressista quando se trata de direitos das mulheres, é contra a preservação do meio ambiente. Mas descolar uma entrevista não é nada fácil. A equipe da congressista Helen Wolf (Linda E Smith) nutre o mesmo tipo de opinião sobre a Scarlet que Adena na premiere: a de que a revista só serve para falar de coisa “fútil” e não de assuntos mais sérios.

Engraçado como Jane se irrita com o preconceito de Helen, mas reproduz o mesmo tipo de intransigência com Ryan ao descobrir que o bonitão (e bota “ão” nisso. Socorro!) estava escrevendo um artigo sobre mulheres que não conseguem atingir o orgasmo, tema de seu último artigo. Ela logo o taxa de machista, não dando chances para que ele se explique ou sequer se dando ao trabalho de ler o que o moço tinha escrito. Entretanto, ele procurava educar o público masculino sobre o orgasmo feminino. As mulheres fingem orgasmos para não frustrarem seus parceiros, que se sentem emasculados e culpados ao descobrirem que não conseguiram levar suas parceiras ao clímax. É um círculo vicioso que não faz bem a ninguém. O melhor mesmo é o casal ser sincero um com o outro, assim ninguém sai frustrado. E isso serve pra qualquer situação, neh? Olha The Bold Type me educando sobre sexo hétero. risos
Se Jane ainda luta para encontrar sua identidade profissional, Sutton sabe muito bem o que quer da vida e corre atrás de sua tão sonhada posição no departamento de moda. A coitada ficou entre a cruz e a espada ao tentar auxiliar Lauren (Emily Chang ), sua chefe, e o diretor de moda ao mesmo tempo, mas conseguiu desempenhar com elegância ambas as funções, bem #plena mesmo. Não dá pra negar que ela é supercompetente. Acontece que esse era exatamente o problema. Lauren não queria ajudar a assistente a conseguir a vaga por ser malvada, mas porque ela não queria abrir mão de Sutton. Se você pensar bem, até que é fofo, embora eu não vá muito com a cara de Lauren e por mim ela já pode desaparecer da série. Que bom que Alex (Matt Ward) estava ali para motivar Sutton a se abrir com a sua chefe, explicando que embora ela estivesse muito agradecida por todo o aprendizado ao longo dos anos, atrás da mesa da editora, precisava correr atrás do seu sonho.
Por falar em Alex, sou eu ou estava rolando um clima naquele closet? O romance com Richard segue insosso, embora o miniencontro romântico no carro tenha sido bem fofo. E foi bacana a atitude de Richard de apoiar Sutton em sua decisão. Mas já quero que Alex chegue para desestabilizar esse casal. Gosto bem mais dele. #TeamSalex
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The Bold Note 1: realmente inteligente a ideia da congressista Helen de usar o sexismo da mídia a seu favor, controlando a narrativa ao usar trajes horrorosos em dia de votos polêmicos. Pena que ela usa toda sua inteligência para o mal, neh? Pois Jane está atenta. Antiambientalistas não passarão!
The Bold Note 2: e eu achando que o “há um lugar especial no inferno para mulheres que não ajudam outras mulheres” era coisa da Taylor Swift. Quem disse que série também não é cultura? Como Jane apontou, a frase é creditada a Madeleine Albright, primeira mulher a ocupar o cargo de secretária de Estado dos EUA.
The Bold Note 3: só eu fico morrendo de vontade de ler os artigos da Jane e do Ryan na íntegra? O canal poderia disponibilizar online, como uma experiência extra para o público, além dos episódios. Não seria legal?















