O mundo vai ficando mais escuro.

O episódio já abre de um jeito sombrio. Vemos Secretariat condenar a vida do próprio irmão ao exército americano durante a batalha do Vietnã, afinal ele era uma grande estrela e não poderia ver a sua carreira acabar daquele modo. Nixon deu a sentença, mas Secretariat foi o carrasco do próprio irmão, que acabou morrendo na guerra. Não fosse o bastante, ainda vemos a influência do cavalo sobre o jovem BoJack, que o tem como ídolo e acende um cigarro simplesmente para seguir o seu exemplo. E a mãe de BoJack, simpática como a conhecemos, obriga o garoto a fumar o cigarro até o fim e se certifica de que ele nunca será capaz de chorar na frente de ninguém. As duas cenas foram bastante fortes e sintetizaram bem todo o episódio: apesar de engraçado durante a maior parte do tempo, o fundo de toda a trama não disfarça a tristeza de nada do que está acontecendo.

BoJack Horseman continua discutindo muito bem sobre o empreendedorismo por trás da arte produzida por ‘Hollywoo’. Desta vez o produtor Lenny Turtletaub cortou do filme precisamente a cena em que Secretariat descobre que o seu irmão foi morto. BoJack se revolta contra esta decisão e logo convence Kelsey – que não foi difícil de ser convencida – de filmarem a cena em segredo pelo bem do filme. Toda a estética de heist film foi divertida e várias piadas brilhantes colaram na tela. O pobre Alan e a sua eminente morte, a atriz Margo Martindale, o filho perdido de Nixon… tudo muito divertido. É difícil a série errar nesse ângulo. Resumo de uma longa história: eles filmam uma ótima cena, mas Kelsey é despedida. Agora BoJack está preso num filme colorido e plástico sobre a vida do seu ídolo, uma figura trágica. Pequena pista de que as coisas irão ficar bem ruins para a carreira de BoJack.

Mas BoJack não é o único encontrando complicações na sua jornada. Princess Caroline tem de ponderar deixar a Vigor e lidar com o fato de que talvez não esteja não interessada numa vida pacífica, mas em perigo e aventura. Diane está em Cordovia e descobre que o seu amigo não está tão preocupado em salvar vidas quanto está em masturbar o próprio ego. De todas as pequenas histórias do episódio, acho que Princess Caroline foi a única que teve uma conclusão ‘feliz’, deixando para trás a agência que não a valoriza e indo para um mundo cheio de oportunidades. Mais do que merecido. Já Diane volta para casa e é forçada a passar algum tempo na casa de BoJack para que Mr. Peanutbutter não saiba que ela desistiu e BoJack não deve fazer ideia do que fazer a seguir.

A melhor sequência de todo o episódio começa quando Kelsey diz que BoJack deve chorar durante a cena. E graças à sua mãe, ele não é capaz de fazer isso na frente das outras pessoas (enquanto Mr. Peanutbutter chora só de pensar em ir ao parque). BoJack faz a cena sem derramar uma lágrima, mas ainda transmite o sentimento que Kelsey queria e o diálogo final dos dois é bastante sensível. Mas a cena em que BoJack chora sozinho e escondido já entrou para o ranking de melhores de toda a série (e deveria ter sido a última do episódio).

Esse foi um dos episódios mais completos desta segunda temporada e de toda a série, sem dúvidas. É engraçado, é tocante e é inteligente. Não podemos pedir muita coisa de BoJack Horseman além disto. O que quer que seja que está por vir, de uma coisa tenho certeza: o mundo de BoJack está prestes a ficar ainda mais escuro. 

Lá nos anos 90… 

– A cena do ‘melhor arrombador de portas da cidade’ me fez perder o ar de tanto rir.

– A fofura de Todd aos olhos da Kelsey é encantadora.

– Vocês notaram o título do roteiro que Wanda estava lendo? “Fat guy, hot wife”, haha.

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