Poles Apart.

Spoilers Abaixo:

Nenhum blog/site especializado em séries vive só de elogios. Isso seria empobrecer a capacidade de discussão. Não é bom e nem rico pra ninguém. Sendo assim, escrever sobre aquilo que você não gosta muito acaba sendo um exercício necessário, que por vezes, gera textos tão importantes quanto daquelas séries que você ama.

No entanto, fazer críticas a Boardwalk Empire nunca foi bom. É diferente de criticar uma coisa como Terra Nova, quando você sabe que suas opiniões não vão provocar o ódio. A série de Terence Winter me decepciona a cada episódio, mas estou aqui por duas razões: primeiro porque me sentiria mal em só cobrir séries que adoro. Isso não me enriqueceria em nada. Segundo porque apesar de seus problemas, BE é uma série que tem qualidades e merece algum tipo de fé.

Pena que a fé, nesse caso, não move montanhas.

Depois de uma premiere de reinvenções, o segundo episódio foi enfadonho, tedioso e arrastado. Sei que alguns podem entender isso como o assentamento de novas tramas, mas numa série com 13 episódios apenas, não pode haver espaço para chatice. E, sobretudo depois do finale passado. Insisto e sempre insistirei nessa questão. Jimmy era tão desimportante assim que sua morte continua não representando nada na temporada seguinte? Não faz sentido pra mim… Não é certo. E não deveríamos estar tão passivos perante isso.

Mas, não adianta ficar esperneando. É tentar ver o programa com outros olhos. Agora, pra mim, a série está dividida em dois pólos. O primeiro pólo eu chamaria de:

“Novos chefes de uma máfia de sempre”

E esse pólo, pra quem vê Boardwalk Empire por causa dos crimes, está seguindo sua correnteza habitual. Aquela velha história de sempre, do chefe novo brigando com o chefe velho. Ainda acho que os problemas de Nucky deveriam ter a ver com o que aconteceu na segunda temporada, mas o reboot foi o caminho mais fácil. Então, tenho que aturar Bobby Cannavale fazendo cara de durão em absolutamente qualquer cena que ele tenha.

O movimento dramatúrgico desse pólo foi lento e previsível. Todos já sabíamos que Gyp ia tentar atravancar o esquema de Nucky, para atingi-lo de alguma maneira. Acho até, que no final das contas, a questão nem é essa. O mais importante aqui é sabermos se vamos realmente nos importar com esse novo antagonista. Jimmy tinha uma história com Nucky, e uma história bem embasada, que incluía um senso de paternalismo muito interessante. Gyp é um vilão cartunesco, tipo Disney, que só tem uma cara e um tom.

E o drama de Eli, tão escorregadio quanto todo o resto. Uma vez presidiário, sempre presidiário. A abordagem do texto é igual em qualquer série. Você sai com vontade de andar com as próprias pernas, mas termina sempre cedendo ao que lhe é perigosamente familiar.

Visto isso, passemos para o próximo. O outro pólo presente na estrutura, eu chamaria de:

“Boardwalk Empire para o canal ABC”

Nesse pólo temos as questões pessoais/sociais da série, e que pelo menos nesse episódio me soaram como saídos de um roteiro de um drama familiar. E é claro que não se trata de não enxergar dramas familiares em BE. Eles existem, mas tratá-los sob uma ótica menos corriqueira seria bom, e a gente agradece.

Margaret ficou uma temporada inteira sendo nada, então agora lhe deram uma nova motivação. Como uma dona de casa saída de Sétimo Céu, ela tem a missão altruísta de melhorar as condições do hospital que lhe concede o título de doadora. E nesse propósito, o roteiro vai longe… Com direito ao encontro com a paciente que “lhe abriu os olhos”, até a rusga futuramente romântica que ela firmou com o médico “que não tem medo de dizer a verdade”.

No entanto, nada me apavorou mais nesse episódio do que a aparição de Chalky White, que em detrimento de toda a cara de psicopata que tem, viveu a trama mais Papai Ensina Uma Lição da história do programa. Ao final do episódio eu me perguntava no que aquilo tudo interessa pros espectadores. Conhecer mais sobre Chalky? Pode até ser… Mas um personagem com aquela cara (sério, a cara do homem é de dar medo) e com a energia que trouxe desde sua primeira aparição, não nos remete imediatamente a lições de vida sobre a família e o amor. E faça-me o favor, mas passar um episódio inteiro vendo o personagem servir apenas para completar os 58 minutos necessários de capítulo, é uma ofensa.

Espremido nessa inutilidade toda, está Nucky. Ele vive um novo romance, que ao que parece vai representar mais em sua vida. Vamos esperar pra ver até onde vai a segurança dessa amante, ou se volta tudo pro lugar comum de sempre.

Ao final, tédio. E tristeza. Porque escrever sobre esse episódio ia provocar uma nova onda de reclamações no mesmo sentido: “porque não abandona a série?”. Bom, eu não costumo largar as séries que começo a cobrir. Fico lá, torcendo por uma boa mudança, mas não largo. Não tenho nenhum interesse em criticar BE. O problema é que, pelo visto, ela também não tem interesse nenhum em parar de dar motivos pra isso.

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