Quando a família Rayburn começou a ruir, ninguém imaginou que o desencadeamento das atitudes do seu outcast fossem tão coordenadas. A fachada dos Rayburn era o que realmente sustentava a “perfeição” e o privilégio de pertencer a essa família, a morte de Robert não foi nada comparada ao que a de Danny causou.
You could have more concern for the rest of your family in all of this
– Diana
O modelo de estruturar os seus episódios a partir de um flashback é a fórmula que deixa Bloodline cativante. A partir de um fato do passado, conhecemos mais o caráter da família e o que mal eles sabem, com Danny as surpresas não cessam. O mais velho dos Rayburn sempre teve uma personalidade e atitude duvidáveis, as más influências não param com Eric. A storyline de Danny só piora o caráter dele, as coisas ruins que ele fez não mostraram a extensão dos crimes inimagináveis do seu passado, Danny realmente era um ser humano desprezível e essa nova informação do flashback não poderia demonstrar o contrário.
Ainda que ele esteja morto, não tem como ignorar tudo que Danny fez no ano anterior da série. Quando alguns fatos geram repercussões imensas, geralmente não tem como escapar ou fugir como Meg fez. Evidentemente o maior problema na morte de Danny é de John, ele nunca entregaria os irmãos que apenas tentaram ajudar e a sua consciência e personalidade de escoteiro não ajudam ninguém a superar o crime que eles cometeram. A família nunca foi tão unida como agora, os irmãos sustentam uma verdade abominável que vai demorar para cair em esquecimento.
Kevin sempre foi o tipo de personagem do qual se espera muitas burradas, ele não decepcionou nesse quesito e comprovou o que todos já sabiam sobre ele. A sua inutilidade aumenta a cada episódio, mas a sua empreitada no tráfico foi tão atrapalhada que não tem nem como criar empatia por ele mais. A confusão de Kevin foi digna do Danny, é até engraçado por ele se achar tão melhor que o irmão e acabar cometendo o mesmo crime que ele e ainda envolvendo seus irmãos mais profundamente no problema.
John e Nolan aparentemente construindo um relacionamento é um dos plots que mais podem ficar interessantes, o tio ajudando o sobrinho a encontrar um emprego e se estabelecer é exatamente o John que ele era antes de tudo acontecer com Danny. Já Nolan com Eric fazem uma combinação estranha que funciona, mas ainda não foi bem esclarecida e o mistério dessa trama não é tão curiosa como poderia ser.
A instabilidade do Kevin é enorme, mas ao invés de usarem essa volatilidade para um plot mais explosivo investem em umas tramas que não são muito legais. Kevin é completamente patético e John e Meg se sentem tão responsáveis por ele que acabam sendo absorvidos nos problemas dele. O egoísmo de Kevin é uma característica marcante nele, é quase como um buraco negro que envolve tudo ao seu redor e essa autodestruição é tão incompreensível que não faz muita diferença.
Sally é uma personagem complexa, a insistência dela no primogênito – até depois da morte – é muito irritante. A sua constante preferência por Danny foi o que mais desagradou na temporada anterior e agora ela já não tem nexo. Diana foi simplesmente maravilhosa em sua sequência com Sally, a matriarca da família tinha que ouvir aquelas verdades desde o pilot e ninguém teve coragem o suficiente para isso, até que Diana oferece essa perspectiva mais externa.
Lenny Pots e sua investigação privada é tedioso, o passo em que anda a sua trama é demasiadamente lento para o propósito de sua participação. E mesmo não sendo um dos personagens mais empolgantes ele conseguiu se sair bem em algumas cenas com Sally. Danny era um verdadeiro malandro, sabia muito bem manipular as pessoas para que sentissem pena dele e não seria diferente com Pots que acaba pendendo para o lado dele depois do “acidente” na pousada Rayburn.
John é um mediador e protetor nato, ele é exatamente o que se espera de um irmão do meio. Bloodline é excelente em usar certas especulações sobre famílias para que os Rayburn possam ser facilmente relacionados a maioria das famílias. Como John é um fixer e tenta consertar tudo, ele quase foi bem-sucedido em finalmente pegar Wayne através de uma negociação básica. Até que Kevin acontece novamente.
I took them
– John
A temporada começou bem empolgante, as tramas estão sendo bem trabalhadas e a continuidade de seu primeiro ano vem sendo muito bem abordada. Os Rayburn mudaram completamente do pilot até aqui, acompanhar essa transição é sensacional e os personagens são fascinantes até quando resolvem fazer coisas menos interessantes; Kevin é o maior exemplo. Com o cliffhanger do Kevin indo estragar tudo que John armou, é impossível parar de ver aí. Bloodline é uma das melhores séries da Netflix e se concretizou na categoria familiar com veteranas como Parenthood e Brothers & Sisters de forma que ainda pode ultrapassar essas séries na qualidade e criatividade.
Seahorse 1: Meg faz muita falta em Keys, mas ela merece aquele emprego em NYC. É difícil escolher o que é mais interessante para a trama dela.
Seahorse 2: Eric e seu plot já deveriam ter acabado, essa extensão é um tanto cansativa.






















