A série que está voando sem rumo algum.

Não é surpresa que Blood & Oil não vem surpreendendo o público americano. Os índices de audiência e o fraco desempenho do roteiro não contribuiu em nada até agora para fidelizar uma porção considerável da platéia. O projeto surgiu como uma grande aposta para quem estava com saudades da soap opera de Revenge e das tramas familiares de Dallas, mas infelizmente não conseguiu desenhar um caminho durante seus primeiros episódios. Tudo o que foi mostrado até agora não passou de um ensaio, uma espécie de experimento para descobrir o que dá certo em séries que exploram a ganância e o poder, apesar de não conseguir ao menos deixar o telespectador cativado com seus personagens.

Wick Briggs, por exemplo, “o anti-herói em construção” acabou virando o jogo numa espécie de redenção pessoal após descobrir affair entre Jules e seu pai. Agora, diferente de Carla, que foi bem mais agressiva na hora de ameaçar a amante, ele preferiu machucá-la no que ela mais ama: a imagem do patriarca como único e eterno amante. Diferente da madastra, Wick tem outras cartas na manga e prefere jogar num âmbito mais limpo, depois de ter aprendido que a violência só gera mais violência e atrai suspeitas numa velocidade imensurável. Concluindo: o projeto vilanesco que previmos no início da temporada acabou virando uma catarse dramática para limpar a imagem do rapaz a transformá-lo num “laranja” que vai fazer de tudo para destruir o império de pai, com a ajuda da justiça  (AKA FBI) claro.

Outra rodada sem sentido foi o voo surpresa que Annie Briggs (Lolita Davidovich) promoveu para os pombinhos Billy e Emma (Peyton List). O acerto do roteiro foi em suavizar os plots anteriores com uma festa elegante (olha Revenge dando pinta aí), mas pecou um pouco na enrolação por parte dos personagens. Toda aquela história de posicologia reversa que Billy aplicou na ex-mulher de Briggs ficou um tanto que desproporcional com a trama e não serviu nem um pouco para nos aproximar ainda mais do protagonista. Aliás, não existiu em nenhum momento a tentativa de transformar o personagem numa visão carismática ou genial, e isso é preocupante demais.

Outro detalhe é a coleção de mentiras que Billy anda construindo em cima do seu casamento com Cody, qual necessidade disso? Entendo que estão tentando forjar uma espécie de proteção por parte do “herói” mas toda aquele quadro inicial veio se alterando numa velocidade que não dá para entender exatamente quando essa mutação “Billy com sede por dinheiro, vingança, poder” começou.

Com apenas mais 3 episódios para encerar (ou ser cancelada de vez) Blood & Oil provou que é possível escrever e produzir uma série sem um rumo final definido, pois se realmente eles tivessem algo em mente, ou hipoteticamente um alvo a ser seguido, as causas e consequências teriam mais conexão e contextos. Que as perguntas sobre o caminho percorrido diminuam e as respostas comecem a ficar mais claras daqui pra frente.

PS01: A inserção de Annie Briggs deveria ter sido mais precoce. 

PS02: A.J. explodindo de raiva foi realmente muito sexy. 

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