
Depois da minha suposição de que os produtores da série tinham se esquecido de que existia uma correlação entre a legalização do casamento polígamo e do casamento gay na review anterior, agora eu tenho certeza: afinal, o que essa série quer nos passar?
Spoilers Abaixo:
A situação por aqui está tão confusa que nesse episódio chegamos em um ponto em que Barb, a personagem principal dessa temporada, se recusa a participar de uma benção conjunta e a reafirmação divina do seu casamento durante a cerimônia de Bill e Nicki porque o polígamo não consegue aceitar que Barb recebeu o dom do sacerdócio por ser mulher. Então tudo agora é uma questão de sexismo? Se antes Big Love era uma série complexa por tratar de uma maneira incomum diversas tramas que remetiam ao realismo fantástico refletidas em dogmas da sociedade atual, agora a série se mostra confusa em acertar o próprio caminho e definir qual é a real função da sua fantasia e da sua realidade. Essa trama da Barb começou muito bem, mas agora já incomoda porque não mostra em nunhum momento o desenvolvimento dos personagens quanto à intolerância de Bill (Barb continua se afastando dos preceitos de Bill, Bill continua não aceitando a escolha de Barb, mas os dois continuam levando uma vida de casados como se essa questão vital para um casamento fosse supérfula). Se Barb se separar “emocionalmente” de Bill, ela vai acabar se opondo a ele e à sua luta pela legalização da poligamia, se ela continuar com Bill sua trama vai ser deixada de lado de uma maneira, no mínimo, vergonhosa. Pobres roteiristas.
Mas eu gostei do episódio. Houveram avanços significativos em várias tramas paralelas, como Alby comprando a Home Plus e inclinando o que parece ser uma derrocada financeira de Bill. Alby está se deixando guiar pela sua vingança, e sua vilania está cada vez mais caricata que até sua trama homossexual com Verlen já se desgastou, longe de ser o momento sensível e corajoso do personagem na quarta temporada, onde ele se envolveu com Dale. Também vimos uma aproximação da trama deslocada de Margene e o esquema da pirâmide no qual ela entrou, já que finalmente Bill a alerta sobre os riscos de entrar em um sistema assim, embora a série ainda não tenha apresentado nenhuma evidência de que o Goji Blast é realmente nocivo. E o quão triste foi ver o desespero de Lois? A personagem está completamente fora de si, chegando ao ponto de quase matar o marido para que não seja levada a um asilo e passe a depender do filho (e se existe um destaque surpreendente nessa última temporada é a interpretação de Grace Zabriskie, passando com clareza e sem firulas toda a agitação da sua personagem). E qualquer coisa sobre Ben, Heather e Rhonda continua tão desinteressante e sem propósito que eu até me reservarei de comentários.
Mas nada foi tão bom nesse episódio quanto o destaque para Nicki. Há tempos a personagem é descartada da série, servindo apenas como a voz contrária aos ideais de Barb (e aos ideais de qualquer coisa que se oponha a Bill e à comunidade mórmon, na verdade), essa semana tivemos a oportunidade de ver melhor a dimensão da personagem que se mostra uma imaturidade tão grande a ponto de se manifestar contra a participação das outras sister-wives no SEU casamento, se mostar imensamente satisfeita à compreensão de Barb ao seu casamento com Bill, sua altivez ao deduzir que o professor de sua filha está interessado nela (e qual será sua reação ao descobrir que o professor na verdade está tendo um caso com Cara Lynn?) e sua expressão de superioridade e felicidade ao caminhar para o altar na companhia da mãe, em um dos melhores momentos de toda a série. Nem preciso dizer o quanto brilhou Chloe Sevigny nesse episódio, não é mesmo?
Com direito a uma sequência que pode ter alegrado a muitos pela notória presença do suspense, mas para mim soou enjoativa e presunçosa ao usar uma edição cíclica e uma trilha cafona para mostrar diversos pequenos acontecimentos da casa de Bill depois da cerimônia (a única coisa de destaque, tirando a última cena, é a expressão de Margene ao ver a aproximação de Cara Lynn e seu professor), o episódio termina com Barb sendo levada pela polícia como testemunha de um crime de estupro. Terá isso alguma coisa a ver com Bill e Margene, e uma investigação política como induz a cena final do senado Dwyer? Veremos no próximo episódio.
PS: Cadê a Sarah que não apareceu até agora?












