“Você quer ser um amigo do cartel?” – Kim Wexler

O fim da temporada vai chegando e ao contrário das expectativas que apontavam para um afastamento entre o casal, Saul e Kim estão agora mais juntos do que nunca. Desde a season finale passada e a partir da decisão de Jimmy de passar a advogar como Saul Goodman, a relação entre o casal estava fria e estremecida, indicando que um rompimento era apenas questão de tempo. Entretanto, os acontecimentos do último episódio levaram a crise a um extremo que ao invés de levá-los ao rompimento, acabou fazendo-os decidir pelo casamento.

Pois JMM teve início justamente com o casal acertando as regras para ficarem juntos e, desde o início, eles conseguiram transformaram sua união em cartório em algo ainda mais sem emoção que o usual. Já não bastassem as proibições de manifestações de alegria no local, Kim e Jimmy ainda optaram pela cerimônia curta e também por não trocar alianças. No entanto, mesmo com toda a frieza ouso dizer que ainda assim o momento foi de suspense, visto que foram tantas as idas e vindas de Kim durante a temporada que somente acreditei que o casamento se concretizaria após a personagem dizer sim.

Mas se o casamento foi sem graça e, segundo Saul disse a Huell, apenas para impedir que futuramente venham a ser obrigados a depor um contra o outro (e sinceramente não sei se acredito nessa versão), foi interessante observar como após sua realização o relacionamento entre eles melhorou, com o casal que mal trocava duas palavras de repente passando a se tocar, a fazer sexo, rir e curtir ficar juntos. As intenções do casamento podem até ter sido enviesadas, porém a verdade é que ele funcionou tão bem que agora está difícil prever como Kim sairá da vida de Saul.

Contudo, se o destino da vida pessoal de Saul ainda não está claro, o mesmo não ocorre do lado profissional. O advogado vai ficando cada vez mais enrolado em seu relacionamento com o tráfico, porém depois de Lalo dizer que ele se tornaria um “amigo do cartel” caso conseguisse fazê-lo sair da cadeia sob fiança, Saul trocou o medo que sentia pela perspectiva (e ilusão) do dinheiro fácil. Para piorar, ele ainda foi novamente envolvido em outro capítulo da guerra Fring x Salamanca e, com a ajuda de Mike, acabou realizando o desejo de ambos os chefões do tráfico, o que acaba colocando-o em uma posição muito parecida com a de Nacho.

E por falar em Fring x Salamanca, Gus mais uma vez teve que recuar e inclusive ajudar a explodir um de seus restaurantes para não prejudicar o disfarce de Nacho. Esta já é a segunda vez que Fring precisa prejudicar seus negócios e, conhecendo a peça, ele não vai deixar barato. Para piorar, o financiador do seu negócio – Peter Schuler, o dono da Madrigal – está desesperado, o que provavelmente fará com que Gus pense em alguma solução mais definitiva com relação a Lalo. A questão é: uma vez que não pode matá-lo para não chamar a atenção de Don Eladio, qual será a jogada desta vez?

Enfim, JMM foi mais um ótimo episódio de Better Call Saul que, assim como na última temporada, vendo sendo precisa em traçar todo o caminho rumo ao destino dos personagens da série que são vistos em Breaking Bad. Assim, resta-nos apenas curtir o método utilizado por Vince Gilligan para atingir os objetivos traçados e observar todos os pequenos detalhes dos episódios que são inseridos tão cuidadosamente e fazem parte da composição dos personagens e das tramas. A verdade é que a direção para onde vai a série é conhecida, mas a escolha das sutilezas e belezas que se observam no caminho é o que fazem a série ser tão diferenciada.

Observações

– Saul cumpriu o acordo com Kim e contou a ela sobre Lalo e a perspectiva do dinheiro fácil. Entretanto, mentiu (a ela e talvez a si mesmo) sobre não querer arriscar-se pela grana. Quanto tempo vai levar para essa mentira desmoronar?

– Do outro lado, até onde vão os limites de Kim com relação aos crimes de Saul? Aceitar as trambicagens (e gostar delas) era uma coisa, mas ser conivente com o tráfico de drogas é bem diferente.

– Mais uma vez Better Call Saul traz de volta um personagem de Breaking Bad (Lydia Rodarte-Quayle) e faz isso muito bem. Foi muito interessante ver como se dava o relacionamento de Gus com a Madrigal Electromotive GmbH, visto que em BrBa a empresa só aparece após a morte de Fring. Além disso, BCS mostrou que Peter Schuler já tinha medo de ser descoberto há muito tempo e dessa forma nos faz entender o suicídio do personagem na série original após ser interrogado pela polícia sobre suas conexões com Gustavo Fring.

– A composição do personagem de Fring é realmente espetacular. Falar da atuação de Giancarlo Esposito é chover no molhado, porém uma cena como a dele chegando ao quarto de hotel e meticulosamente arrumando seus pertences diz muita coisa sobre o personagem. Essa cena reflete bem o que é o método que equipe que Gilligan carrega desde Breaking Bad, a maneira sutil de compor o roteiro com cenas aparentemente inócuas, mas que na verdade trazem profundidade à série sem que o espectador perceba no que está sendo envolvido.

REVISÃO GERAL
Nota:
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better-call-saul-5x07-jmmJMM foi mais um ótimo episódio de Better Call Saul que, assim como na última temporada, vendo sendo precisa em traçar todo o caminho rumo ao destino dos personagens da série que são vistos em Breaking Bad.