A dança das cadeiras.

Só perde quando dá valor é um dos maiores clichês da humanidade. Altamente explorado em histórias objetivas em demonstrar a lei do retorno, essa velha lenda é figurinha carimbada em séries dramáticas e em Beauty and the Beast não é diferente.

Muitas pessoas tendem a usar este ditado como consolo quando estão decepcionadas com alguma história amorosa, outras aplicam somente para se sentirem melhores sobre o ex companheiro, mas com algumas simplesmente acontece. Dar valor quando perde não aplica-se apenas a questões sentimentais. O mesmo funciona com posses materiais, tempo mal aproveitado e oportunidades perdidas. No caso da nossa série, os dois episódios que vamos comentar hoje foram bem amarrados neste fundamento e serviram como complementares para esta história.No capítulo 12 tivemos a morte de Tori, que funcionava como um empecilho para a  reaproximação do casal principal e no segundo, a concretização da falta de opção que restou para Vincent.

Em nome de Catherine, em ambos episódios foi possível notar a culpa que ela sente por não gostar de Gabe. Embora Catherine ainda goste de Vincent e saiba  disso, ela quer tentar ter um relacionamento novo, mesmo que saiba que forçar a barra com Gabe não vai dar certo. É aquela velha história do “mas ele é tão bonzinho, por que não gosto dele?”. Simplesmente não aconteceu. Não é necessário ter outra pessoa na história para decretar uma situação como essa, mas o problema de Catherine é que ela quer retribuir os sentimentos bondosos que ela acredita receber de Gabe, mas não há forma de fazê-lo como ele espera. Catherine arruma todas as desculpas para prolongar ao máximo a concretização do relacionamento, e se afundar em trabalho é uma maneira pertinente para justificar isso.

Voltar a trabalhar com Vincent é a mesma coisa que deixar as portas abertas para o Ex. Quando JT é sequestrado para desenvolver um soro para as feras, Tori tenta sua ultima cartada para segurar Vincent. Com um  relacionamento antecipadamente fadado ao fracasso, Tori sabia que estava perdendo o que nunca teve realmente mais rápido do que poderia controlar, e se ela não conseguia ter Vincent por amor, ela poderia talvez ter por gratidão. Salvar JT de um problema como aquele poderia significar a admiração e reconhecimento de Vincent. O problema de Tori foi o mesmo de sempre: fazer tudo impulsivamente por necessidade de aprovação. Confesso que não fiquei surpresa pela morte de Tori, pois diferentemente do que a personagem disse, ela não tinha vínculos significativos com a história, além de separar Catherine e Vincent.

A brecha que abre com a morte de Tori é Vincent não ter mais motivos para fingir que não queria mais estar com Catherine. A pressão emocional que a solidão de Tori exigia fazia com que Vincent continuasse assumindo seu lado que Catherine tanto reprovava, e a medida que ele se mantinha com Tori, Catherine buscava maiores consolos em Gabe. Em todo momento desta segunda temporada, a nova atitude de Gabe foi contestada. Afinal, como um personagem tão rejeitado na primeira temporada pode passar a ser o substituto aspirante a par romântico da protagonista? Parece que as duas ex-feras haviam trocado de lugar. No momento de Catherine continuava buscando motivos para justificar sua falta de interesse em Gabe e foi cúmplice na invasão que Vincent fez ao domicílio, por um momento cheguei a acreditar que Gabe estivesse mentindo o tempo todo, simultaneamente não confiava na atitude estranha de Sam. Por que um homem inútil para os experimentos e que sabia demais seria mantido vivo e ileso em uma jaula por tantos anos? Desconfiei de todos neste episódio, até mesmo de Rebeca, que poderia estar usando a historia do marido para comover uma mulher sentimentalmente abalada e alvo em potencial e usar isso para conseguir a coleira em parceira com ele.

Gabe mais uma vez saiu intocável nesta história, mas sabemos que uma hora , por algum motivo, ele deixará a cena para dar espaço ao casal. O dia dos namorados, feriado tão prestigiado americano, contribuiu para dramatizar ainda mais a situação de Vincent, que fingia incentivar o romance da ex para também não ter escolhas. Tudo se trata de escolhas. As vezes quando temos demais, podemos nos arrepender do que fazemos. Se Catherine não tiver Gabe, ela não pode machucá-lo, se Vincent não tiver Catherine, ele não pode machucá-la. Assim, os dois podem se livrar da precoce culpa que sentem pelo que pode vir a acontecer.

A única coisa que não entendi sobre estes episódios foi o comportamento de Tess. Após ser mantida em cárcere na delegacia, aparentemente a personagem parecia ter renascido em seu aniversário. Logo no princípio do episódio 12 ela se mostrou aberta e desesperada para desenvolver laços afetivos com alguém, que chegaram inclusive a ser cômico. Quando imaginaríamos que toda aquela seriedade seria transformada numa atiradora acompanhada pelo fracasso? Em contrapartida, no episódio seguinte Tess tratou de voltar rapidamente ao estado de espírito anterior e mostra o que considero a maior inconsistência da personagem. Tess não é nem um pouco satisfeita com a sua vida pobre de emoções e solidão, então por que ela é tão fechada para alguma coisa nova? Desde que ela e JT tiveram um affair pela primeira vez, o cara se apaixonou e ela fez de tudo para afastá-lo. Será que o seu problema é acreditar que tudo vai dar errado sempre ou não achar que alguém seja bom o suficiente para ela? Fiquei com pena de JT em sua trajetória para tentar conquistar o coração gelado, mas parece que vai ter uma luz no fim do túnel. Tess é incapaz de dizer coisas bonitas e ser romântica, disso já sabemos, mas espero que no próximo episódio a personagem não volte a regredir em sua evolução. JT assumir um caso seu em delegacia foi mais uma prova do que ele está disposto a fazer por ela e falando nisso, até que enfim alguém percebeu que Catherine e Tess são completamente improdutivas em seus trabalhos e já deveriam ter dado maiores explicações há muito tempo. Nem me lembro qual foi a ultima vez que vimos um caso efetivo sendo abordado na série, e embora o novo chefe parecer estar pegando no pé, nada mudou no episódio. Tess ficou com medo de perder o emprego e Catherine continuou se focando em seu mundinho particular.

Gabe e Vincent no final das contas trabalharam junto em prol de Catherine. A cena que Vincent salva Gabe e Catherine juntos é mais um motivo para Catherine voltar a gostar de Vincent, pois como conhecemos a protagonista, ela seria capaz de acreditar e apoiar Vincent em tudo, desde que ele demonstre humanidade e compaixão. O gancho da conversa de Cat com Rebeca por outro lado foi o suficiente para levá-la a questionar Vincent mais uma vez. É o problema quando se ama uma pessoa que muda com o tempo. Não dá para resgatar sozinha aquela pessoa por quem se apaixonou. As pessoas só mudam por vontade ou necessidade própria, e Catherine conseguiu aplicar este sentimento em sua vida perfeitamente. A cena final contribuiu para o que esperávamos. Da mesma forma que Catherine assistiu com o coração partido o beijo entre Vincent e Tori, e anteriormente Vincent e Alex, Vincent teria que estar presente neste momento para que sentíssemos pena o suficiente e dele e voltássemos a colocá-lo no lugar de vítima e torcer ao seu favor. Coisa que o personagem havia perdido aos poucos na segunda temporada.

Confesso que fiquei um pouco decepcionada com a reação de Vincent ao descobrir que JT havia o indicado para o experimento da Muirfiled, afinal isso que tornou a sua vida tão infernal como está, e consequentemente arrastou muitas pessoas junto. O que podemos entender da cena é que Vincent o perdoou automaticamente, isso não chegou a abalá-lo em momento algum e foi o que achei estranho. Não esperava que fosse o fim de uma amizade, mas que isso abalasse a vida de Vincent no momento que soubesse.

Não acredito em vida longa para o lance de Catherine e Gabe e posso prever o novo crescimento de Vincent em relação ao público. Essa semana A CW renovou 5 de suas séries, o que não incluía Beauty and the Beast. Será que vamos ter tempo de saber  que acontecerá no final desta história?

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