Culpado até que se prove o contrário!

Agora sim, nós, série maníacos estamos felizes. Depois do pavor que foi passar por essa fall season, podemos respirar mais tranquilamente e feliz, afinal Bates Motel está de volta. A série que nos mostra os anos formativos na vida de Norman Bates deixou um enorme espaço vazio no meu coração no final da sua primeira temporada, portanto esse retorno é muito bem-vindo.

Admito que achei esse episódio morno. Não frio, apenas morno. Mas não se preocupem, essa temperatura não atrapalhou em nada o fato da série continuar transbordando qualidade e o roteiro continuar atingindo seus objetivos de forma precisa. A realidade é que Bates Motel sempre foi uma série mais calma e, como provado pela primeira temporada, isso não é ruim, muito pelo contrário. Ouso dizer que essa “velocidade” pode ser considerada como o trunfo da série.

Portanto, quem sou eu para reclamar de um episódio morno de Bates Motel? Até mesmo porque esse episódio foi importante para nos mostrar onde paramos, onde estamos e o que possivelmente virá pela frente.

Todo mundo sabe o que aconteceu na reta final da temporada passada certo? Pois então, a professora Watson está morta e os sinais apontam para Norman. Sinais esses que, obviamente, foram captados por Norma. Norma é um ótimo exemplo para a frase: “o pior cego é aquele que não quer ver” e ela realmente não quer ver a possibilidade de seu filho mais novo ser psicologicamente perturbado e capaz de tamanha atrocidade. Os sinais estão ali, Norman está cada vez mais obcecado com a morte, seja de professoras ou de animais. Mas o que realmente incomoda Norma é como essa morbidez do filho refletirá na imagem de suas habilidades maternas. Não estou dizendo que não exista real amor materno, claro que existe. Norma realmente ama Norman, mesmo que seja dessa maneira controversa e até mesmo excêntrica. Mas Norma sendo a boa egocêntrica que é, deixa a imagem falar mais alto. Assim percebemos o quão iludida ela realmente é, afinal Norman nada mais é que sua extensão, já que “a maçã não cai longe da árvore”, ou se preferirem, “filho de peixe peixinho é”.

Norma continua surtada e isso continua simplesmente sensacional. Ela ainda não filtra seus pensamentos. Agora, ela deve correr contra o tempo e impedir a construção da nova estrada e não há limites para o que Norma fará para atingir seus objetivos. Vera Farmiga é tão sensacional que com apenas uma mudança de olhar conseguimos entender a extensão do egocentrismo e a dimensão das mudanças de humor da personagem. Mas fato é que, Norma como personagem por si só já é sensacional e isso ajuda muito. Com apenas uma frase ela conseguiu resumir muito bem a série: “só vemos a ponta do iceberg de cada um. Nós vemos o que as pessoas permitem, mas isso não quer dizer que não exista mais por baixo”.

Nos primeiros minutos do episódio eu fiquei incrivelmente feliz com a possiblidade da morte de Bradley. Até perceber que fui devidamente trollada, e mais ainda, até perceber o quão importante a ladainha dela será para o desenvolvimento da história nessa segunda temporada. Admito que meu interesse por Bradley era tanto, que eu havia esquecido totalmente o que estava acontecendo com ela, até ela aparecer naquele carro.

Ao que tudo indica realmente é o pai da Bradley a conexão entre o misterioso homem do cemitério e o que de fato aconteceu com a professora Watson. Os sinais apontam tão fortemente para Norman que fica quase claro que ele é “inocente”, mesmo assim, ele comerá o pão que o diabo amassou antes dessa “inocência” ser provada, ainda mais quando ele anda para lá e para cá com a pulseira de pérolas da falecida. Mas todo esse sofrimento será para entendermos melhor como o Norman Bates da série vira o Norman Bates que conhecemos, e queremos ver.

Digo mais, hoje me interessa mais a dinâmica Bradley e Norman. Lembram que lá nas reviews da primeira temporada eu mencionei que Bradley funcionaria como a âncora de Norman? Aquela que o levaria de vez para o fundo do abismo? Hoje temos ainda mais certeza sobre isso. Bradley levará Norman ainda mais para o mundo de mentiras e o mais devastador e promissor é que é ela quem levará Norman, e até mesmo Dylan, para um mundo distante de Norma, ou seja, Bradley aparentemente se torna a personagem que disputará forças com Norma Bates, e vejo muitas possibilidades pelo caminho.

Mas na realidade eu só tenho uma certeza sobre tudo isso, que nessa disputa entre lealdade e poderes, quem ganhará será a insanidade e, claro, nós que acompanhamos a série.

Bates Motel voltou de maneira promissora e confirmando os motivos que fizeram dela uma das melhores estreias de 2013. O roteiro continua intrigante, bem como os personagens e suas caracterizações. Só peço por mais Dylan, de preferência longe de Bradley e por mais Emma, de preferência desafiando Norman e se aliando à Norma.

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