
A hora das mudanças em Awake.
Spoilers Abaixo:
A cada semana o cancelamento de Awake fica mais próximo. A série continua boa, mas já podemos sentir no episódio dessa semana uma certa diferença na maneira de contar a história, tentando aumentar a sobrevivência da série, mesmo com a audiência em queda livre. Oregon foi um episódio que tentou dar aos espectadores algo a mais na trama policial, com intrigas e um serial killer para incomodar a vida de Michael Britten, além de dar a Jason Isaacs alguns momentos para mostrar sua grande atuação.
Este foi um dos episódios em que Awake mais deu espaço para um caso, e principalmente por ignorar completamente a parte policial do lado “quente”, conseguiu focar na história do assassino Gemini e não cometer vários dos erros que vinha cometendo. Para uma série que mostra claros problemas para criar investigações interessantes, trabalhar só com uma por episódio já facilita bastante. Ainda estamos longe de ver uma grande trama policial na série, mas este caso já foi bem mais aceitável do que os anteriores. Era de se esperar que uma hora o “instinto” de Michael fosse questionado, afinal ou ele assume que vive em duas realidades, ou mantém o mistério sobre suas descobertas e cria dúvidas entre seus parceiros.
Focar mais no caso policial serviu de estratégia para os produtores tentarem trazer a série para mais perto do público, pegar um pouco daquela audiência que outras séries policiais de formato procedural têm na TV aberta. Torço muito para que Awake consiga durar por mais tempo e encontre uma fórmula de bons casos policiais, mas que sirvam somente de apoio para o ponto onde ela realmente sabe trabalhar: as relações pessoais, que neste episódio, mesmo que de uma maneira menos direta, também existem. Michael precisa lidar e quase tem a sua carreira destruída pela agente do FBI recém-divorciada, enquanto na outra realidade se distancia cada vez mais da sua esposa.
Depois de dois episódios mais focados na relação de Michael com Rex no lado “frio”, Oregon foi todo sobre Hannah. Como parte da sua tentativa de seguir em frente após a perda do filho, ela começa a pensar em se mudar de cidade. Mais uma vez a série tem sucesso na hora de lidar com as reações após uma tragédia. As cenas se tornam tão bonitas que é difícil não simpatizar com as emoções do casal. Para dar um rumo ao pensamento de Michael, e consequentemente ao episódio, a série utiliza as interpretações dos psiquiatras. Pessoalmente, acho as cenas nos consultórios geniais, Dr. Lee e Dra Evans criam toda uma maneira de interpretar os fatos que é incrível. Nesta situação, Dr. Lee coloca em Michael o pensamento de como o casal começou a se distanciar, e que a situação da relação que pode ter ficado cômoda para Michael, não é para Hannah.
Mais tarde, na bela cena com o casal (onde percebi que a química entre Jason Isaacs e Laura Allen vem aumentando bastante) percebemos que a separação dos dois não é o caso. Michael entende as emoções da esposa e tudo indica que realmente irá se mudar para Portland. Isso traz a melhor parte do episódio, com os psiquiatras dos dois lados dando as suas opiniões, e as explicações de que o lado que é um sonho pode acabar com esta mudança. Michael segue relutante em entender o que está acontecendo e acredita que consegue controlar a situação. Se a mudança realmente ocorrer, vai ser muito interessante ver o rumo que o lado de Rex vai tomar. Por outro lado, a cena final do episódio deixa várias dúvidas sobre esta mesma realidade. Michael pode achar que a família está em perigo em Los Angeles, ou ainda com outra interpretação maluca, que Portland representa perigo caso ele tenha ouvido o aviso do aeroporto dando a entender que é pra lá que Gemini está indo.
Um inimigo que conhece a situação de Michael pode ajudar muito a série na questão de aproximar as duas tramas. Pois mesmo quando temos um episódio bem mais focado na área policial, ainda percebemos que as melhores partes do episódio são as poucas em que Awake trata das relações pessoais e da maneira com que Michael lida com elas em cada versão da sua vida. As cenas são muito bem feitas, e é impossível não sentir alegria quando vemos Michael feliz com Hannah e com Rex. Ele realmente está fazendo a sua condição atual dar certo, a pergunta é até quando?
Mais uma semana em que Awake se mostrou como uma série diferente. É estranho comentar que ela tem uma trama inteira somente razoável, mas mesmo assim é muito boa. As partes fracas da série continuam não me incomodando, mas parece que a série entendeu que vai precisar mudar um pouco de abordagem, pelo menos por enquanto, para tentar escapar do cancelamento. Vamos ver no que isso vai dar.














