Presente de grego.
Chegamos à nossa semana final do Australian Survivor, e vou pedir desculpas por não ter publicado esta review antes, mas a semana que antecedeu à final foi tão morna que acabei não tendo muita inspiração para escrever antes da twist deste domingo, que chupinhou a ideia que consagrou Michele Fitzgerald como rainha e proprietária de Kaoh Rong, mas fez isso num momento bem mais interessante do jogo.
Antes disso, porém, versemos um pouco sobre os acontecimentos que eliminaram Ziggy e Locky da competição, e prometo não me estender muito para mantê-los acordados.
Todos contra Locky

O F6 foi apenas uma continuação do cenário que já havia se estabelecido no F7: nem mesmo as aliadas de Locky o queriam na competição mais e o elenco inteiro já estava ansioso pela oportunidade de apagar a tocha do alpha male.
O problema é que vaso ruim não quebra, e Locky conseguiu vencer novamente. A edição me deu uma enganadinha em relação à possibilidade de Pete conseguir superá-lo no challenge que considerei o melhor desafio individual da primeira temporada, porque mescla ao fator resistência o ritmo e a coordenação necessários para manter a bolinha girando sobre as paredes internas do aro. Acabou não sendo o caso. Pete lutou bravamente, mas o colar de imunidade continuou com o mala sem alça.
Assim, chegamos ao Tribal Council com o jogo inteiro nas mãos de Tara. É difícil mensurar o impacto da versão americana na maneira como os australianos decidem jogar, mas, levando em conta que os jogadores, nesse momento, já haviam visto a fatídica eliminação de Jessica Lewis em Millennials vs Gen-X, ir às pedras certamente era uma ideia que poderia assustar.
Por motivos óbvios, Michelle jogou certinho. Como ela era o alvo de Ziggy e Locky, era importante que fizesse a maior pressão possível para que o jogo fosse para as pedras ou para que Tara flipasse, pois em qualquer dessas duas hipóteses ela ficaria salva. Tara, por sua vez, não teria muitos motivos para manter Ziggy na competição e correr o risco de ir embora nas pedras por ela. Tomou a decisão certa. No caso de Pete e Jericho, o risco era bem mais real e perigoso, mas não deixa de ser compreensível a decisão. No fim das contas, tudo se resume ao quanto eles confiavam no fato de que Tara cederia, e arrisco dizer que eles tinham uma boa percepção disso.
Quem, pra variar, teve o pior desempenho possível no Tribal Council foi Ziggy. Extremamente impaciente com a argumentação de Michelle e Jericho, a moça perdeu a esportiva e disse “ok, então vamos pras pedras, eu vou ficar salva e tá tudo ótimo”. Eu, se sou aliado dessa pessoa, imediatamente pensaria “ah, é assim? Vc vai ficar salva e foda-se eu?” e ficaria muito relutante em confiar nessa parceria.
Ziggy facilitou muito para Tara, mas a verdade foi explicitada em seu confessional de voto: Tara nunca teve dúvida em relação ao que faria naquela noite (como sempre acontece em qualquer TC). Se essa anta não tivesse usado seu idol tão mal, ela teria uma chance muito digna agora, mas é como diz o ditado né? Bicha burra nasce jurada.
Dona e proprietária

O episódio seguinte deu seguimento ao plot “Todos contra Locky”, mas agora com um Locky emburradinho porque percebeu que não tinha chance se não ganhasse todos os ICs. Eu não vou dizer que não achei digno ver Locky lutando como pôde – e é impressionante saber que ele pegou o papelzinho do idol de Anneliese durante o Tribal para tentar usar no futuro.
É claro que ele nem precisaria disso se vencesse o IC, que desta vez foi o clássico “efeito dominó”, já consagrado pela versão americana. Gosto bastante desse challenge porque ele exige menos habilidade física e mais equilíbrio emocional, que é algo muito importante em todas as instâncias do jogo Survivor.
Prova disso foi o fato de que, de todos os possíveis nomes para desbancar Locky como challenge beast, Michelle certamente seria um dos que jamais citaríamos, mas esse tipo de challenge dá a jogadoras como ela possibilidades reais de vencer, e, com uma mãozinha de Jericho, foi o que aconteceu. Assim, a babá mais maravilhosa da Austrália não apenas venceu uma imunidade crucial como também levo um carrão pra casa. E não me venham falar em maldição do carro, que essa maldição fique bem quietinha nas Américas. De maldição que viaja pelos oceanos e se espalha para outros continentes já basta a demonha japonesa de O Grito.
Vale interromper nossa análise para uma observação do quanto me diverti com a reação de Tara, Michelle e principalmente Jericho ao entrarem no carro aos gritinhos e pulinhos. Praticamente Rachel, Phoebe e Ross da nova geração. Locky, enquanto isso, ficou preso com Pete no acampamento, que era a pior pessoa pra estar sozinha com ele se ele quisesse levar a mentira do idol adiante.
O problema é que Locky é uma pessoa que não sabe ser contrariada, e sabemos como é difícil lidar com alguém assim. No episódio anterior, a cena dele com Michelle, que mesmo após ser extremamente didática em sua argumentação foi sumariamente ignorada por ele, que ainda acha que pode ficar irritado porque “ela é teimosa”, resume bastante a dificuldade de se estabelecer uma parceria com alguém como Locky.
Essa dificuldade social de Locky é o que coloca sua habilidade estratégica em xeque, porque ele acaba não sendo muito bom em dialogar com seus adversários na hora de tentar convencê-los de algo que eles não querem. E é aí que entra Pete, e seu desempenho neste episódio e no Tribal Council.
Too little, too late?

Eu gostei DEMAIS da firmeza de Pete ao lidar com a mentira de Locky, desafiando o adversário e usando argumentos extremamente lógicos e coerentes para desarmar a tentativa de jogada. Pete não fugiu da raia e argumentou no sentido de garantir que os demais jogadores também não caíssem na ladainha do rival. Achei um excelente trabalho, e vê-lo se defendendo bem diante da falta de respeito de Locky ao chamá-lo de goat foi a cereja do bolo.
Nós não vimos Pete suficiente para entender seu jogo, mas colocá-lo no patamar de goat e depois dizer que votaria na Tara como winner é o cúmulo da hipocrisia, e só mostra que no fundo, Locky julga as pessoas apenas de acordo com o quanto gosta delas, sendo incapaz de avaliar gameplay de fato. E é dessa maneira nada classuda que nos despedimos de Locky na semana mais morna de toda a temporada. Tão morna que tivemos que aguentar 15 minutos de imagens de Jericho nadando no mar entre corais e cardumes mil porque certamente não havia nada mais interessante pra ser mostrado.
Nós, que estamos vendo a edição, sabemos que Pete é praticamente peso morto em termos de chance de vencer, mas, pensando em quem está lá, sem fazer ideia de quem tem chance ou não de fato, o fato de as ações de Pete possivelmente o terem elevado como jogador aos olhos das testemunhas daquele Tribal Council não poderia ter vindo numa pior hora.
A Twist

Mas a pior hora para Pete foi a melhor hora pra termos algo interessante pra falar, porque o Australian Survivor decidiu dar um PAH na cara do júri e eliminar do programa alguém que teria poder de voto para decidir o Sole Survivor.
Para isso, implementou um dos melhores e mais difíceis desafios individuais já vistos, em homenagem ao qual vou propor uma pausa para venerarmos a equipe de planejamento de desafios do Australian Survivor, que faz um trabalho impecável de elaboração de challenges. Mesmo aqueles que escolhe chupinhar da versão americana são realmente os mais interessantes que a original tem a oferecer, o que mostra um planejamento impecável nesse aspecto.
Desde o início, sabíamos que a disputa ia ser entre Pete e Jericho, e eu torci muito pelo primeiro para não precisar mais olhar a cara do chato do Locky nesse programa, mas sou pé-frio demais para que isso se realizasse, e Jericho acabou ganhando o poder. Esse, pra mim, foi o primeiro grande erro de Jericho individualmente, pois essa era uma vantagem da qual ele tinha que passar longe. Jericho é um excelente jogador social, não fez inimigos no júri e não tinha nenhum motivo real para se preocupar em eliminar alguém de lá.
Uma vez de posse da vantagem, foi interessante a maneira como Jericho a usou para arrancar informações dos demais. Essa foi, na verdade, uma bela evidência da diferença gritante do nível de gameplay do atual elenco para o ocorrido em Kaoh Rong. Enquanto Tai e Aubry deram a Michele inúmeras dicas estratégicas com critérios para escolher o que fazer com sua vantagem, ajudando mais a vida da vencedora do que a deles próprios, Pete e Tara efetivamente blefaram, e não entregaram a Jericho nenhuma informação vital da qual ele já não dispunha. É claro que Jericho não é bobo. Ele não iria fazer o que seus adversários mandassem e, no fim das contas, tudo foi uma verdadeira guerra fria de falsidade.
Outra grande diferença em relação a Kaoh Rong e que pode fazer muita diferença aqui é o timing da vantagem. Ainda temos duas eliminações pela frente, e portanto a posse da vantagem e a maneira como ela é utilizada podem, no fim das contas, ajudar ou impedir seu usuário de chegar ao FTC. Isso torna tudo muito mais complicado e abre possibilidades e caminhos riquíssimos de gameplay. Ponto para o Australian Survivor! Chego até a desejar que isso aconteça mais vezes neste jogo, o que definitivamente não aconteceu quando assisti à mesma twist na versão americana.
Mas não acabou ainda: ao contrário de Michele, Jericho ainda tinha a MAMATA de poder fazer três pergunta aos jurados antes de tomar sua decisão. E, para fins de uma análise realmente digna, vamos passar por cada uma delas.
JARRAD
Pergunta: “Na sua opinião, há alguém sentado ao meu lado com quem eu deva me preocupar caso ainda esteja sentado ao meu lado na finale?” (edição imediatamente dá um close na cara de Michelle)
Resposta: “Sim, nós convivemos por pouco tempo, mas espero que tenha sido tempo suficiente para que você tenha compreendido o tipo de jogador que sou e o quanto eu valorizo gameplay. Eu também passei muito tempo com cada membro do júri, e a cada eliminação recolhi todas as informações necessárias para avaliar o jogo de cada um de vocês. E, sim, eu acho que há alguém com quem você deve se preocupar caso esteja ao seu lado no fim. É perceptível que há jogadores fortes, e eu basearei meu voto em um jogo forte. É tudo o que posso dizer.”
Análise: A pergunta foi boa, e a resposta, digna e justa. Mesmo sem a edição dando na nossa cara, é CLARO que Jarrad não estava falando de Pete ou de Tara quando disse que há alguém com quem Jericho precisava se preocupar. Mas a impressão que fica é de que os jogadores não têm essa mesma compreensão de que Michelle é uma ameaça, e isso talvez impeça Jericho de compreender tão claramente a mensagem de Jarrad quanto nós compreendemos.
TESSA
Pergunta: “Se os deuses de Survivor estiverem irados com a presença de alguém não merecedor ainda no jogo, e dissessem ‘Tessa, vamos te conceder um desejo: você pode trocar de lugar com alguém e retornar para o jogo, enviando essa pessoa para o júri no seu lugar, mas é necessário que essa pessoa seja a menos merecedora’, quem seria essa pessoa e por quê?” (corta para o júri e o F4 em choque absoluto com a pergunta)
Resposta: “Nuss, Jericho, tô passada! Mas se eu tivesse esse poder, pra mim, o compromisso com a estratégia de jogo e com o que está acontecendo à sua volta é uma parte muito importante do critério pelo qual estou baseando o meu voto. E Tara é a pessoa mais sem noção de gameplay desta temporada, que vem ao TC falando que não faz ideia do que está acontecendo e continua sem saber o que aconteceu até depois do voto, mesmo quando ela vota com a maioria. Em termos dos jogos que eu sei que vocês 4 jogaram, eu tomaria o lugar do embuste.”
Análise: Essa pergunta faria mais sentido para Jarrad, que Jericho não conheceu tão bem. A esta altura é mais fácil compreender Tessa como jogadora, principalmente com seu histórico em relação a Tara. Acabou sendo uma pergunta desperdiçada, mas a resposta de Tessa foi maravilhosa. Mesmo sendo eliminada do júri, Tessa continua sendo rainha e o pisão em Tara foi lindo de ver! Agora, que pergunta mais roubada hein? Deixar o júri citar nomes de quem eles respeitam menos? É praticamente perguntar “quem eu devo levar para a final?” Ridículo a produção permitir que um jogador pergunte ao júri esse tipo de informação, e pra mim essa foi, de longe, a parte mais horrenda dessa twist. Caso aconteça novamente, espero que os jurados comecem a mentir na cara dura, pra esse povo aprender.
ANNELIESE
Pergunta: “É para a pessoa que tem a maior poker face. I’M SORRY ANNELIESE, mas uma vez que você está analisando a finale, o que te afastaria de votar em um jogador?”
Resposta: “Eu quero que ganhe esse jogo alguém que tem muitas qualidades não apenas como jogador mas também como pessoa. E o que me afastaria seria alguém responder algo no sentido de dizer ‘Ah, eu votei em fulano porque me mandaram!’. Se eu achar que a pessoa ficou no banco do carona, isso irá me dissuadir de votar nela.”
Análise: Pra mim, foi a pior das três respostas, embora tenha sido bastante honesta. Foi uma resposta relativamente óbvia, mas com um fator que, pra mim, depõe contra Anneliese como jurada, que é a possibilidade de mistura de jogo com o que ela pensa dos jogadores como pessoa. Isso torna a decisão dela extremamente subjetiva e, portanto, menos previsível e uma aposta mais arriscada.
JERICHO HAS SPOKEN

No fim das contas, Jericho escolheu Tessa (como se já não tivesse ficado óbvio depois do close enorme que a edição deu na cara dela quando os jurados estavam entrando, como quem diz “aproveitem, porque vai ser a última vez que vocês a verão!”), o que evidencia seu enorme erro estratégico. Tessa foi a ÚNICA dos três que deu a Jericho a receita prontinha para que ele ganhasse seu voto: levar Tara à final. Jarrad e Anneliese responderam suas perguntas com certo grau de incerteza. Tessa não. Tessa foi clara. E ver Jericho tirando do júri a pessoa que mais facilitou sua vida nas respostas mostra duas coisas importantíssimas:
1) Jericho não levou as respostas em consideração para tomar sua decisão, ou seja, ele não é um jogador muito preocupado em analisar o ambiente antes de estabelecer seus planos.
2) Jericho não tem a intenção de levar Tara para a final. Se Pete tiver prestado atenção nisso, ele tem um argumento FORTÍSSIMO para ganhar Tara e eliminar Jericho no próximo TC em vez de sair em quarto lugar. A edição me faz acreditar muito que isso não vai acontecer, mas é fato que Jericho cometeu um grave erro aqui e que, caso não haja consequências, será unicamente porque os adversários não souberam se aproveitar dele.
Ao meu ver, uma vez que a cagada de ganhar o challenge estava feita, a decisão aqui era simples: Jarrad. A pessoa que menos conviveu com Jericho, a pessoa que deixou claro que há alguém que ameaça Jericho ainda no jogo, e a pessoa que foi eliminada primeiro e que, portanto, seria uma escolha mais justa em termos de mérito do que eliminar alguém que passou muito mais dias no jogo. Era a escolha perfeita, que, em um discurso de FTC, geraria a explicação perfeita para ser vendida tanto como estratégia quanto como uma forma de respeitar a instituição do júri e a paixão de todos pelas regras do jogo Survivor.
Assim, sigo com o coração DEVASTADO com Tessa sendo novamente eliminada do programa, desta vez para sempre. Logo ela, que vinha sendo eleita por todos como a maior fã do jogo em todo o elenco, teve sua oportunidade de exercer de fato sua habilidade analítica tirada na reta final. As exclamações de choque do júri certamente têm muito a ver com isso, muito a ver com empatia pela dor de Tessa. Eu cogito até mesmo a possibilidade de o nível de respeito deles por Jericho ter sido reduzido após essa decisão, embora reconheça que isso é um salto e pode não corresponder em nada à realidade.
E a realidade é: estamos entrando nos episódios finais e a temporada continua tão quente quanto sempre esteve. Há dois candidatos muito fortes à vitória e, se ambos chegarem ao FTC, o que é algo bastante possível, será uma batalha épica! Concordam?
RANKING FINAL

1. Michelle: Peter já a havia feito uma promessa de F2 há alguns episódios. No episódio 24, vimos Tara e Jericho também prometerem a Michelle que ela seria seu F2 (aliás, amo que as lollies tão rendendo até hoje). É claro que, em Survivor, palavras não são lei, mas ver Michelle dentro de tantos acordos deixa muito fácil a percepção de que ela é a jogadora mais bem posicionada para chegar à final, e com muitas chances de vencer todos os rivais restantes num FTC argumentativo. Principalmente depois de, nos dois últimos episódios, ter sido aplaudida pelo júri e ainda claramente apontada por Jarrad como alguém com quem Jericho deve se preocupar.
2. Jericho: Apesar de ter jogado mal no episódio da vantagem, não chegou ao ponto de ser desastroso. Em termos de likeability, Jericho é sem dúvida o maior candidato ao prêmio e pode muito bem vencer se o júri não conseguir enxergar a superioridade estratégica de Michelle em relação a ele. Em termos de edição, os últimos dois episódios foram extremamente generosos e com grandes momentos heroicos e de superação, o que pode, sim, indicar Jericho como vitorioso (como as pessoas o deixariam chegar à final eu jamais compreenderei, mas vai que ele ganha os dois challenges?).
3. Pete: Suas chances de vencer caíram drasticamente com a eliminação de Tessa, mas se por algum milagre ele conseguir se posicionar ao lado de Tara como finalista, vence assim mesmo (spoiler: a edição torna impossível acreditar na possibilidade).
4. Tara: Tessa explicitou o óbvio: Tara é a goat perfeita para ser carregada para a final e tem zero chance of winning the game.
















![Australian Survivor All Stars 7×01-06: Weeks 1 & 2 [Season Premiere]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2020/02/ABRE-218x150.png)





