Arrow divide Kapiushon entre flashbacks e tortura com um resultado incrível para a consistente quinta temporada da série.
Nunca pensei que um episódio centralizado no recurso atualmente mais defasado de Arrow conseguiria me prender, mas o que o time de roteiristas de Kapiushon fez balanceou muito bem a alternância entre Rússia e Star City, sem deixar nenhum dos dois arcos cair no já característico marasmo quando entramos nesta divisão. Compreendo que este será um capítulo que poderá dividir fãs, entre aqueles que não aguentam mais desviar do caminho para tratar de eventos ocorridos no passado e os que celebraram a melhor abordagem em uma história do Oliver antes de sua saída da ilha, em duas temporadas.
A verdade é que o décimo sétimo episódio do Arqueiro Verde é cheio de ação e tensão e isso eu imagino que se tornará unânime entre quem continua ao lado da série até hoje. Além de abarrotado do que nem mesmo Punho de Ferro conseguiu fazer nesta esfera, Arrow entrega algo que também esteve faltante na produção mais recente da concorrente, coesão textual. Sim, senhoras e senhores, esta é uma crítica que elogia a boa construção do roteiro de Arrow em detrimento de uma produção da Marvel Netflix.
Analisando a primeira “morte” de Oliver, o primeiro passo que ele tomou dentro da história construída através da primeira temporada, Kovar foi essencial para que Oliver Queen percebesse que seu gosto pela morte era uma escolha e não algo imposto pela trajetória de um vigilante. Neste momento o ‘Capuz’ tira a vida de seu inimigo porque julga como a melhor decisão, o que o transforma em um assassino. Quando a morte é uma escolha e não algo forçado devido as circunstâncias, o perpetuador se torna exatamente o que o Arqueiro Verde foi por muito tempo. Enquanto o protagonista mentia para si mesmo e seus amigos, dizendo que cada morte havia sido uma consequência de sua ação como vigilante, o episódio deixou bem claro, mesclando flashback e interrogatório, o que nosso herói realmente escondia como seu mais bem guardado segredo.
Em Kapiushon também tivemos o melhor uso do recurso do flashback em muito tempo. Usualmente o que Arrow faz é repetir quase exatamente o que está acontecendo com o personagem no presente, no passado. Durante a terceira temporada chegamos ao extremo de ter falas idênticas sendo utilizadas, colocando o recurso como uma grande perda de tempo. Se você não vai desenvolver a história do personagem no presente, fazê-lo no passado requer um voto de confiança muito grande, além de um roteiro bem construído. Se Oliver não havia aprendido a lição 4/5 anos atrás, porque ele aprenderia hoje se o conteúdo apresentado era praticamente o mesmo?
No décimo sétimo episódio, porém, a série inverteu esse padrão e ao invés de termos Oliver repetindo ações no passado e presente, tivemos o desenrolar de algo inédito, de uma trama com ótima base e que coloca o protagonista como um refém de sua escuridão. Não existe repetição, porque o que estamos vendo se transforma na lição que o protagonista precisa aprender e confirmar no presente, uma que de certa forma ele nunca havia feito, nem mesmo durante a quarta temporada com a proposta de trevas e luz. Oliver matou porque ele gostava de matar e essa frase, dita em meio a uma explosão sentimental, veio carregada de poder, um que elevou a carga dramática do episódio.

Claro que o mérito maior vai para ambos os vilões e suportes de Arrow, Constantine Kovar e Anatoli no passado, Adrian Chase/Prometeu no presente. O papel do antagonista neste momento é essencial para compreender a atual situação do protagonista. Neste aspecto Adrian é o mais bem sucedido, muito mais do que Slade Wilson. Apesar de ainda não ter uma missão definida, o que Adrian fez com Oliver neste episódio, indo além da tortura física, é um marco para Arrow. Ficará difícil bater a interpretação de Josh Segarra e a manipulação criada pelos roteiristas, incluindo a participação da Artemis. Foi um divisor de águas.
Funcionando como uma homenagem a suas primeiras temporadas, a atual quinta também serve para fechar histórias começadas lá no ano de estreia da série. A partir deste momento a trama deverá ser forte o suficiente, mas ao comparar com o que foi feito dentro deste quinto ano, o efeito final deverá condizer com a expectativa. De maneira geral, se já não estivesse renovada para o sexto ano, eu pontuaria facilmente esta como o perfeito momento para que Oliver se despeça da televisão, em alto estilo.
> Punho de Ferro, Crítica em Vídeo Sem Spoilers!
Easter eggs e outras informações de Kapiushon:
– Este excelente episódio, com cenas de ação perfeitamente colocadas, foi dirigido por Kevin Tancharoen, que já cuidou de Agents of S.H.I.E.L.D. e também a série de Mortal Kombat Legacy. Kevin é irmão de Maurissa Tancharoen, uma das criadoras e showrunner de Agents.
– Inicialmente Kapiushon se chamaria Kapot, que em russo se traduz ‘capô de carro’, o termo correto para capuz, porém, é Kapiushon.
– Com este episódio tivemos John Barrowman participando de todas as séries do Arrowverse na atual temporada – com exceção de Supergirl, apesar deste ter interagido com Kara no episódio musical de Flash.
– Artemis, por um minuto pensei que você voltaria para o time Arrow. Como é bom ter pelo menos uma vilã feminina sem qualquer ligação com o passado do Oliver, apesar de conectada a ele.














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