No final da década de 60 e por toda a década de 70, o cinema americano foi assolado por uma guinada criativa que mudaria o estilo do que seria produzido dali em diante. O classicismo das obras das décadas passadas daria espaço para as experimentações narrativas, dando voz aos anseios de uma juventude cada vez mais contraventora e discrepante de seus pais. Nesse ambiente surgiu um subgênero do cinema de aventura que perduraria até meados dos anos 80 e que só seria retomado já atualmente, com menor apelo para o público. O “filme catástrofe” colocava o público em meio plots passíveis de acontecer com qualquer um que estava sentado dentro da sala de cinema: incêndios, naufrágios, trens desgovernados… Com a melhoria nos efeitos especiais, tais filmes foram cada vez mais se tornando anabolizados pela destruição em larga escala, se tornando verdadeiros espetáculos visuais, mas sem conseguir gerar a mesma empatia. Não à toa, Arranha-Céu: Coragem Sem Limite (Skyscraper, 2018), tenta a todo momento resgatar essa aura clássica usando a roupagem atual dos efeitos gerados por computador. Mas não consegue o resultado desejado.

Acompanhamos Will Sawyer (Dwayne Johnson), um ex-soldado do FBI que perde uma perna em um resgate malsucedido com reféns, dez anos atrás. Agora casado com a médica que salvou sua vida, Sarah (Neve Campbell), e com dois filhos, ele é dono de uma pequena empresa de segurança que é escolhida para gerenciar uma torre hipertecnológica em Hong Kong. Um incêndio, no entanto, o colocará numa corrida contra o tempo e contra o fogo para salvar sua vida e a de seus entes queridos.

Arranha-Céu: Coragem Sem Limite
Arranha-Céu: Coragem Sem Limite

O filme de Rawson Marshall Thurber é uma maçaroca de situações óbvias que tenta a todo momento causar empatia no público e falha miseravelmente no processo. As “surpresas” do filme são adivinhadas com pouco menos de 20 minutos de projeção, tamanha a obviedade das situações criadas pelo diretor/roteirista (isso sem contar o espelhamento do início/clímax). O incêndio que injeta urgência na trama é deixado de lado com a mesma rapidez com que toma os andares, quando a lente de Thurber precisa focar nos diversos dilemas sem força que colocam os personagens em situações clichês que roubam não só a qualidade como a potência do filme. Outra coisa que fica bastante óbvia é o direcionamento do filme para o mercado oriental, precisamente a China. Se passa em Hong Kong, grande parte do filme é falada em mandarim e cantonês, sem falar no considerável elenco asiático (grande parte já conhecida de Hollywood), fazendo com que esse propósito comercial de lucro da produção fique mais evidente a cada cena que se desenrola nas 1h42min de filme. Tiros que não arrancam sangue e situações de perigo que são minadas pela antecipação criada (inadvertidamente) pelo roteiro são alguns dos defeitos apresentados pela ação do longa, o que para um filme de aventura é um problema sério. Grande parte dos momentos chaves também são utilizado nos trailers de divulgação, deixando pouca coisa inédita para se acompanhar na telona.

Arranha-Céu: Coragem Sem Limite
Arranha-Céu: Coragem Sem Limite

Johnson se destaca por fugir do seu “papel típico” em filmes de ação. Em vez da força descomunal, de quebrar paredes e derrubar tudo pelo caminho com a mesma facilidade, ele se contém na interpretação de um pai de família, do homem comum, que atinge extremos para salvar sua esposa e filhos. Ele apanha, sofre e pena bastante para conseguir alguns dos objetivos, mesmo que aqui e acolá o modo “overpower” apareça. Entretanto, esse lado mais dramático não dá chance para o carisma do ator fluir pela tela, como em outros papeis anteriores (“San Andreas” e “Rampage”), criando um herói com que fica difícil se importar. Campbell também é outra atriz que se destaca, nem que seja pelas cenas em que ela se livra de ameaças de modo inventivo e que lembram imediatamente a eterna Sidney Prescott, da franquia “Pânico”. Rolland Møller, Pablo Schreiber e Noah Taylor completam o elenco ocidental e Chin Han e Byron Mann são os principais nomes do elenco asiático.

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Arranha-Céu não consegue fugir de ser uma releitura fraca, cheia de situações que forçam a todo momento a conexão com o espectador sem conseguir em nenhum momento atingir tal feito. Mesmo com as referências a filmes como “Inferno na Torre”, a falta de criatividade do roteiro deixa tudo como uma experiência aquém do que poderia ser. Não é uma péssima obra, é apenas uma “Tela Quente” que você vai assistir no automático daqui a alguns anos. Dwayne Johnson pode até ter um toque de Midas, mas este exemplar é capaz de nem ele conseguir transformar em ouro.

* O Série Maníacos assistiu ao filme a convite da Universal Pictures Brasil 

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REVISÃO GERAL
Nota:
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Lucas Fernandes
Cinéfilo, sériemaníaco e designer não praticante nas horas vagas.
arranha-ceu-refem-obviedadeArranha-Céu: Coragem Sem Limite é uma maçaroca de situações óbvias que tenta a todo momento causar empatia no público e falha miseravelmente no processo.