Ônibus é bem melhor.
Spoilers abaixo:
O episódio dessa semana pode ser dividido em duas partes. A primeira é o bebê Archer babando sobre o seu carro novo. A segunda é a série que adoramos. O meu desgosto é causado pelo fato de que esse primeiro momento dominou o episódio.
Archer sempre conseguiu mostrar com excelência a relação desfigurada existente entre todos os funcionários da ISIS. Com o passar do tempo, ficou claro para o público como aquelas pessoas se odeiam e qualquer faísca que rola entre eles gera várias sempre ótimas sequências de piadas. A série começou a mostrar para todos que é totalmente avulsa a todos os elementos da espionagem, que chega a ser praticamente um T-Dog em alguns episódios, aparecendo apenas no ato final para poder concluir a história com um BANG. “Drift Problem” acaba decepcionando por dedicar quase todo o seu tempo a uma quantidade infinita de cenas de ação e perseguições, que mesmo sendo o motivo pelo qual acabei não amando o episódio foram feitas de forma excelente, deixando de lado o que poderia ter sido uma ótima oportunidade de explorar o que a série sabe fazer melhor: piadas sobre o deturpado relacionamento de seu protagonista com sua mãe.
“Drift Problem” coloca a infantilidade do protagonista em um nível nunca antes realizado na série ao mostrar todo o seu egoísmo no seu aniversário e a sua apreciação pelo novo carro, o que combina perfeitamente com o Sterling Archer que conhecemos, mas evita colocá-lo em contraste com sua mãe, fazendo com que vários momentos sejam dedicados a monólogos do protagonista sobre o bendito veículo, trazendo ao holofote o ótimo trabalho de dublagem de H. Jon Benjamin, com sua excelente entonação nos gritos de alegria do protagonista, mas o que não é muito bom para uma série que sempre é engraçada ao parear os seus personagens e os deixam morrer na praia. Aqui, os coadjuvantes da série acabam atados a uma história que só é capaz de beneficiar o protagonista, o que é representado pela súbita aparição dos personagens (Cyril e Cheryl), e mesmo com eles possuindo seus momentos na segunda parte, nunca se apaga a impressão de que tudo poderia ter sido mais bem aproveitado.
Archer ainda consegue ser bastante previsível durante a primeira parte do episódio, com algumas sequências e twists cansativos que vão de um lugar simples para outro óbvio, que aparecem com um objetivo bastante simplista e nunca conseguem ser engraçadas o suficiente, como a esperada perda do carro.
Com o passar do tempo e uma ótima cena no banheiro da ISIS, que mostra tudo aquilo que falei sobre a série funcionar melhor com seus personagens o mais próximo possível, a série acaba posicionando todos os eles em um ataque contra a Yakuza, o que faz com que os hobbys noturnos de Pam ganhem destaque de uma forma inesperada e formem momentos finais que praticamente são uma versão animada de The Fast and the Furious.
A grande ironia é que “Drift Problem” prometia muito no seu início, onde temos uma das melhores cold opens da série até o presente momento, que foi capaz de cumprir várias funções importantes de uma vez: mostrar sua história de forma objetiva, explorar a necessidade de aprovação de Archer e ainda trazer consigo uma nova dinâmica para a relação entre o protagonista e Woodhouse, que ainda continua engraçado como o empregado mais abusado do mundo das séries, mas finalmente parece estar criando coragem e desafiando um pouco mais as atitudes de Archer, chegando até atacá-lo com imprescindível violência. Good for you, Woodhouse!
BTW: Thanks, Dodge!















