Canada!

Spoilers Abaixo:

“The Limited” é um bom exemplo de como a série conseguiu obter maturidade no desenvolvimento das narrativas envolvendo as missões de espionagem. Inicialmente, pode-se dizer que estas serviam como um pretexto para explorar o humor decorrente de determinado personagem, mas com o tempo foram ganhando mais força e espaço, a ponto de ter episódios como esse onde sequer a sede da ISIS aparece para dar mais espaço para a espionagem.

Aproveitando o espaço pequeno dentro do compartimento de trem, segue uma fórmula parecida com a de Skytanic para funcionar: A de gerar o choque entre os personagens, o cerne da série, de uma maneira desenfreada durante a sua duração. Neste quesito foi bem sucedida por conseguir  utilizar dos elementos mais fortes da série estavam presentes neste episódio em maior ou menor escala. Desde os clássicos momentos de Archer bêbado, humor entre ele e animais, a relação conturbada do trio  Archer-Lana-Cyril, a luxúria de Malory as idiossincrasias de Cheryl, Pam e Ray. A união destes diversos elementos com o total controle sobre o espaço que cada um deles deve ter foi aquilo que o episódio conseguiu realizar de melhor.

Apesar do território curto que o episódio é ambientado, o design de produção é eficiente ao compor os diversos ambientes da localidade, como o bar que contrasta a organização externa  com copos nitidamente poluídos por trás do balcão, conseguindo funcionar ainda melhor devido à altíssima qualidade de Archer na composição de cenários.

O grande problema do episódio foi o de demorar um pouco para engrenar. Evidentemente, qualquer pessoa acostumada com a estrutura da série saberia que o encerramento seria com uma perseguição e briga entre Archer e Bilko no topo do trem, mas a forma como isto foi realizada, apesar de boas piadas envolvendo um suposto racismo de Sterling e Malory ou a revelação que os terroristas estavam disfarçados de guarda canadense, de uma forma burocrática. O esforço para conseguir colocar os melhores elementos da série estava presente em cada piada, fazendo com que a narrativa não funcionasse da forma mais adequada no momento.

Mas este erro consegue ser perdoado pela forma como tudo é encerrado. Não só esta luta final consegue justificar toda a construção do episódio ao amarrar as tramas, como consegue explorar o tipo de humor explorado exaustivamente pela série ao fazer uma referência a todos os clichês de perseguições no topo do trem, como a famosa cena do túnel e o famoso helicóptero que sempre encontra o vilão no fim, como uni-los às ótimas observações do personagem título sobre o quanto essa briga em um trem é irritante.

O balanço final é de um episódio que, apesar um terço final que com certeza ficará nos grandes momentos da temporada, apenas não se torna um clássico instantâneo pelos minutos anteriores não terem a força habitual da série para construir a narrativa de forma orgânica.

Outras considerações:

-Babboo, sempre bom lhe ver!

-Pelo visto, este episódio mostrou que El Contador voltou a ser Cyril Figgins. A sagacidade do personagem funciona muito melhor em doses homeopáticas.

-Por que chamam até o Ray e esquecem do Klieger? Puta falta de sacanagem!

-George foi um personagem que conseguiu gerar ótimas doses de humor durante o tempo que esteve em tela. Toda a irritação entre ele e os Archers, além das piadas de racismo, conseguiram ser um destaque destes vinte minutos.

@guilhermeifc

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