Naquela que pode ser considerada a prova mais reveladora da temporada, os resultados dizem tudo.

No final da review passada, eu havia dito que, pela rotação de líderes, iríamos conhecer nesta semana alguns personagens mais apagados na atual temporada do Aprendiz. Confesso que, quando disse isso, pensei muito mais em Solano e Nakao do que em Karina, que já esteve em evidência devido a suas idas à sala de reunião.

Ao longo da semana, fiquei pensando em como a prova da última terça poderia se desenrolar. Karina tinha um histórico perfeito no Aprendiz 6 em termos de liderança, com 100% de aproveitamento nas tarefas em que encabeçou um time (3 vitórias em 3 provas). Naquela ocasião, havia ficado estabelecido que Karina era uma líder difícil de derrotar, e é um dos poucos casos (se não o único) de vice-campeã que foi preterida por Justus na final mesmo tendo abertamente vencido a última prova.

Honestamente, se tivéssemos um líder como Junior, Renata ou até Karine na Sinergia, eu poderia pensar diferente. Mas a verdade é que comecei essa prova com muita confiança de que o episódio da campanha da Itaipava seria o episódio de virada da Flecha, aquele que cedo ou tarde acontece em toda temporada. Isso porque eu duvidava muito de que Solano ou Nakao teriam cacife para derrotar uma líder com a força de Karina.

Mais do que isso: não é difícil compreender, a partir das edições anteriores, que, no Aprendiz de Roberto Justus, um confronto entre líderes que vinham de trajetórias apagadas é inevitavelmente um confronto em que o líder derrotado é demitido do programa. Dessa forma, proporcionalmente à minha confiança em Karina surgiu também uma grande preocupação, já que nunca escondi que a candidata era minha torcida desde o início do Aprendiz 6, e esse tipo de simpatia não desaparece em um passe de mágica (os torcedores de Maytê Carvalho que o digam). Mas meu sentimento prioritário foi: a partir do sexto episódio, não haverá mais invictos no Aprendiz, e o demitido será justamente um desses invictos até então.

Por isso, nem preciso de edição tendenciosa (o que não significa que ela não estava lá) para dizer que o sexto episódio foi, até agora, o mais previsível da temporada e o mais dispensável de se assistir – a não ser, claro, pelo surgimento de uma nova diva na temporada, mas deixemos isso de lado, por enquanto, e vamos à prova.

A tarefa não tinha segredo: cada equipe usaria o espaço de um bar bacanudo da cidade de São Paulo para transformá-lo em “bar conceito”, promovendo a Itaipava Light, lançamento da marca de cervejas (sim, eles conseguiram lançar uma cerveja com mais água ainda). Então, vamos ao desempenho das equipes:

FLECHA (Líder: Karina)

A paz e a harmonia reinaram na equipe Flecha, ao menos de acordo com a edição. Todos trabalharam como se não houvesse amanhã, fizeram um planejamento bacana tanto para o almoço como para a noite, foram atentos aos detalhes e valorizaram a marca em questão.

Depois de decorado pela equipe, o bar da Flecha era realmente um bar, acima de tudo, bonito, e chegou a dar até uma certa vontade de estar no local, só de assistir às imagens. Achei engraçada a maneira como Justus ficou encantado com o material usado na placa que a equipe fez com a marca da cerveja, mas realmente parecia algo muito bem feito.

O único momento que chegou a acionar o meu alerta amarelo (nem laranja foi o alerta, então não é nada de matar de preocupação) foi a ideia do stand up. Mas isso tinha pouco a ver com o fato de eu achar aquilo uma ideia ruim, e mais a ver com uma má lembrança da temporada passada, em que uma das equipes teve essa ideia e foi um fracasso, com os clientes da lanchonete dizendo que o comediante era fraco e ficando ofendidos com piadas machistas e homofóbicas. Mas é claro que era outro contexto e outro ambiente, e também considerei essa diferença e fiquei um pouco menos preocupado.

Destaques: Obviamente, a líder Karina foi o nome da Flecha. Para sentir o clima da liderança da moça, é só dar uma olhada na sequência em que a equipe vai até o bar para conhecer o espaço e ter ideias. Karina delega, Karina decide, Karina planeja, e ainda faz tudo isso gerando empatia e boa vontade de seus liderados. Outro nome importante a ser lembrado é o de Mariana, que acabou levando o prêmio “destaque da líder” do episódio, o que nos prova que não é só porque alguém está sendo negligenciado pela edição que essa pessoa não tem um bom desempenho no programa.

Âncora: Maytê. Ok, mentira, até porque ela nem apareceu, mas sejamos francos: qual é a graça de uma review que nem cita a nossa diva?

Observação: O brainstorm da Flecha vai perder metade da graça no dia em que não tivermos mais Guilherme pra ficar falando mal da ideia de todo mundo em VT. Acho que essa foi a melhor ideia da edição até agora!

SINERGIA (Líder: Nakao)

Sou obrigado a confessar que, antes mesmo de começar a tarefa, rondava sobre a Sinergia a suspeita de que Nakao não daria conta de liderar uma equipe tão cheia de personalidade, principalmente em um embate contra Karina. E foi justamente o que aconteceu.

Babado, confusão e gritaria são o segundo, o terceiro e o quarto nome de Melina no Aprendiz, e aqui ela começou a mostrar isso novamente, em especial quando recusou a ideia de Junior, fazendo questão de reclamar da maneira como ele sempre se coloca ao lado do líder da tarefa (característica que já havia sido comentada antes no programa, não me lembro em que ocasião). Junior, por sua vez, reclamou das ideias de Melina, dizendo que “eles sempre faziam o contrário do que ela queria, e sempre ganhavam”. Bom, não se pode discutir com esse tipo de argumento, mas muito me interessou esse duelo de titãs.

Em um certo momento da tarefa, demorei a compreender o que estava acontecendo: enquanto a Flecha atendia pessoas no bar durante o dia, a Sinergia seguia planejando e discutindo, como se nem houvesse bar para gerenciar. Depois, entendi que eles decidiram fechar o bar durante o almoço, o que me surpreendeu bastante.

A Sinergia teve ideias que me deixaram curioso, como a sugestão de Junior de criar quatro ambientes diferentes, um para cada momento do dia. O problema foi que esperei, esperei, e não vi isso acontecendo, a velha história de um planejamento ou uma meta que não conversa com a execução do trabalho.

Como se não bastasse isso, ver Renato Santos dando bronca na equipe porque a cerveja acabou foi a pá de cal da edição no mau desempenho do grupo. E eu, do outro lado, só pensando “Go, Renato, go!”, porque adoro ver o ótimo novo conselheiro com sangue nos olhos. O resultado, obviamente, foi a primeira derrota da atual Sinergia, e a primeira derrota dos três participantes invictos até o momento (Junior, Nakao e Solano).

Destaque: Apesar dos pesares, Melina, que teve coragem de admitir para Renato Santos que a cerveja acabou (foi o melhor momento da equipe, a meu ver, desculpem).

Âncora: O líder, que deixou a bagunça dominar durante a tarefa, e que, em todos os momentos de decisão, parecia recorrer a outros membros da equipe em busca de alguém que desse opiniões mais categóricas para, indiretamente “decidir por ele”.

Observação: Ainda melhor que os comentários de Guilherme é o tradicional veneno pré-tarefa de Karine. Mas, ao contrário do membro da Flecha, que contextualiza as críticas que faz, Karine passa a impressão de que seus comentários são puro veneno, mesmo, pura vontade de diminuir os colegas, de dizer que “fulano é Junior”, que “beltrano é burro” (não, não sou ingênuo e tenho CERTEZA de que alguém atrás das câmeras perguntou “Quem são os incompetentes da sua equipe?”, mas isso não significa que você precise responder tão categoricamente, não é verdade?). E eu, que estava numa busca desesperada por uma nova diva depois que Maytê murchou, vejo na prepotência de Karine um potencial delicioso para nos dar alegria (vulgo: barracos). Quem tem alguma dúvida de que Karine Bidart tem tudo para se tornar a nova diva do programa, é só clicar aqui.

Na sala de reunião, o problema de estética foi um dos principais levantados por Roberto Justus e seus conselheiros, em especial pelo fato de que, enquanto o caminhão com um gerador lotado de fios estava posto logo na entrada (a hostess do evento, como brilhantemente disse Walter Longo), na Flecha havia um caminhão de led que trazia imagens e anúncios relacionados ao evento e à marca. A inferioridade do material físico de divulgação também foi bastante criticada.

Karine chamou bastante a minha atenção na sala de reunião ao indicar Renata e Solano como os piores da equipe. Sempre é possível pensarmos em coincidências, mas, caso vocês se lembrem, quando Daniely acusou Melina de direcionar as críticas aos participantes de João Dória por acreditar que Justus os demitiria com mais facilidade, era justamente Karine a interlocutora da ré em questão (sempre segundo o depoimento de Daniely). Assim, a acusação da candidata passa a fazer ainda mais sentido diante da postura da ex-Aprendiz 3. Até acho que Karine parecia ter razão nas críticas que fazia aos dois, mas será que o fato de ela insistir em pôr essa lupa nos defeitos deles não tem mais a ver com a já mencionada união (vulgo complô) entre participantes da era Justus? Mistério…

Curiosamente, Rodrigo Solano foi, entre os três homens até então virgens de salas de reunião, o que conseguiu se defender melhor. Junior foi pouquíssimo eloquente depois de ter levado uma bronca de Renato Santos (Go, Renato, go!), que, apoiado por Justus, disse que o participante apenas fazia críticas como se nem estivesse presente no local para impedir que os erros tivessem sido cometidos. Já Nakao teve um desempenho pífio em termos de argumentação. Foi duramente criticado e mal respondia, tendo Roberto Justus sentido a necessidade de intervir para que ele se defendesse. E, com muito pouca ênfase, Nakao levou Renata, Solano e Karine para a segunda parte da sala.

E foi aí que a lambança começou a ficar ainda maior. Nakao teve a capacidade de ELOGIAR TODOS OS CONCORRENTES ameaçados de demitir, enquanto levava porrada por todos os lados. Eu já estava desesperado para que Justus o demitisse logo e diminuísse minha revolta com aquele comportamento. Felizmente, foi isso que aconteceu, e Nakao foi o eliminado da semana no Aprendiz e o sexto eliminado da temporada.

Não me entendam mal, eu acho Nakao um verdadeiro gentleman, claramente um cara imune a críticas como ser humano. Mas não me conformo em ver alguém (principalmente se essa pessoa já esteve no Aprendiz antes) que, depois de tanto tempo, ainda não entendeu que a sala de reunião não é o momento para ser político, é o momento para avançar em cima dos outros como um animal selvagem e rasgar a carne de um por um (sim, a diva Maytê inspirou as minhas palavras). Exageros à parte, convencer Justus de que você quer aquilo como se fosse a coisa mais importante da sua vida faz parte, e não é elogiando a concorrência que se consegue isso.

Permitam-me terminar este texto fazendo um comentário sobre o momento que mais chamou minha atenção na discussão sobre perfis: Roberto Justus chamando Rodrigo Solano de “Miss Simpatia” e deixando claro que isso não ganha Aprendiz. Pra completar, Justus ainda fez questão de dizer “É por isso que na sua edição você foi até a final como o queridinho e acabou perdendo para a sua colega”. PÁ na cara do Solano, hein? Não vou mentir, achei a colocação justíssima e acho que foi exatamente isso o que aconteceu no Aprendiz 7, o único que trouxe uma final em que o abismo entre os dois concorrentes era gigantesco. Espero que o puxão de orelha ajude o garoto a entender o que precisa ser feito.

Porém, me incomodou o fato de Justus ter colocado Karina Ribeiro (que nem na sala estava para se defender) no mesmo balaio. Entendo que ela possua a mesma empatia de Solano, mas, ao contrário do primeiro, a moça entregou um sem número de bons resultados, e inclusive venceu a campeã do Aprendiz 6 na última prova. Não é porque duas pessoas compartilham uma qualidade que podemos dizer que elas são iguais. Não há como discutir com bons resultados, e espero que, quando essa questão de perfil vier assombrar Karina em uma sala de reunião futura, ela deixe isso claro, e use muito bem usada sua vitória como líder, seu histórico impecável nessa posição e a vitória que reergueu a até então fracassada equipe Flecha. E tenho dito!

P.S. – A partir de agora, e por quatro semanas consecutivas , teremos dois episódios semanais do Aprendiz, um na terça e outro na quarta. Não, não é a Record queimando episódios, já que isso estava planejado bem antes da estreia e da existência dos baixíssimos números de audiência do programa, mas é a Record com medo do The Voice Brasil e mudando o dia de exibição do segundo episódio, que em todas as temporadas era a quinta-feira. A consequência disso, claro, serão reviews duplas e um reviewer desesperado com o trabalho dobrado! Rs. Até lá!

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Guto Cristino
Guto Cristino é engenheiro químico, jornalista e administrador. Nessa salada toda, o tempero constante é a paixão por séries e por Christina Aguilera, sempre presentes em seu cada vez mais curto tempo livre. No Série Maníacos desde 2011, é especializado em cretinice televisiva, com foco em novelões e realities, mas garante que vê série boa de vez em quando.