Por mais que os aprendizes tenham tirado leite de pedra em uma tarefa como essa, o episódio da semana só inspira a campanha: deem o milhão para Renato Santos!!!

Não há como mensurar a minha alegria pelo retorno do Aprendiz sob o comando competentíssimo de Roberto Justus e Walter Longo, fidelíssimo e inspiradíssimo escudeiro do apresentador tanto na sala de reuniões do reality como fora dela.  E, embora os três superlativos que usei na frase anterior sejam realmente merecidos, não posso deixar de exaltar o trabalho excepcional do nosso novo conselheiro, Renato Santos, do Sebrae. Sem experiência prévia no cargo, Renato vem entregando análises contundentes e postura exemplar semana após semana, mas neste episódio o administrador elevou sua participação a um novo nível, graças à sua percepção certeira de absolutamente todos os problemas da participante mais polêmica da edição, nossa queridíssima Maytê Carvalho – com o gigantesco bônus de também ter sacado e combatido suas estratégias e subterfúgios para se dar bem na sala de reunião.

Sejamos francos, já estava passando da hora de Maytê levar uma sacudida das brabas pelo seu comportamento – sacudida que, a meu ver, ainda veio com duas semanas de atraso. E, justamente por ter levado tanto tempo foi que tive certeza de que Justus não se preocuparia em repreender aquela que certamente figura em qualquer lista de aprendizes favoritos desde que ela venceu o quiz para ganhar uma vaga no primeiro Aprendiz Universitário. Mas não contávamos com a astúcia de Renato Santos para compensar essa falha dos companheiros de avaliação. E Renato veio, veio com tudo e me encheu de fé e esperança de que esse Aprendiz terá, no mínimo, uma voz da razão falando no ouvido de Roberto Justus antes de cada decisão. Até agora, o créu de Renato Santos foi tranquilamente o melhor momento da temporada, e vai ser muito difícil aparecer algum que o supere.

Isso posto, e já que um ar spoileador rondou este textinho introdutório, vamos entender o que, afinal, levou Maytê Carvalho e seus companheiros da Flecha mais uma vez para a sala de reunião: a terrível prova da novela da Record, que inspirou o título que escolhi para o episódio aqui na review. O objetivo da tarefa era bastante simples: promover a novela Pecado Capital Sete Pecados Pecado Mortal (obrigado, Google!). E, caso vocês não saibam o tamanho do abacaxi que os pobres aprendizes tinham nas mãos em uma tarefa dessas, deixarei a explicação para Maurício Mattar.

Sem mais, vamos ao desempenho das equipes:

FLECHA (Líder: Mariana)

Não precisou de muito tempo para entender que a Flecha seria derrotada novamente. No momento em que Maytê começou a disparar a metralhadora das expressões em inglês e foi criticada por Guilherme em depoimento, ficou claro que daquele brainstorm não sairia coisa boa.  A edição até tentou disfarçar, mas essa impressão só se concretizou no momento em que os rapazes fecharam, empolgadíssimos, o local da “intervenção urbana”: o Centro de Tradições Nordestinas, que, pelo estilo do local, tinha potencial zero para uma divulgação de algo como a novela.

Um grupo de dança foi contratado, mas Cláudio Heinrich, ator que foi disponibilizado para ajudar a equipe, foi extremamente subutilizado, e fiquei com pena do rapaz tentando seguir os passos do grupo como podia, numa clara demonstração de falta de planejamento e despreparo da equipe para a execução do evento.

Mas o pecado mais mortal da equipe Flecha, a meu ver, foi ter feito aquele circo mal armado todo sem nem explicar antes que aquilo era uma promoção de uma novela. Faltou  material de divulgação, faltou o básico de como se promove um produto – principalmente um produto que ninguém está preocupado em assistir.

Para completar a lambança, a Flecha ainda fez questão de gravar um vídeo documentando o próprio fiasco. E, apesar de Roberto Justus ter oferecido retirá-lo do ar para evitar constrangimentos, isso não foi feito. Quem quiser conferir o trabalho belíssimo da equipe, basta clicar aqui.

Destaque: A dancinha do Cláudio Heinrich, coitado. Esse trabalhou melhor que a equipe toda.

Âncora: Não preciso nem dizer que quem puxou o grupo para baixo foi Maytê, a mente criativa por trás da ideia de fazer algo “diferente de uma tarde de autógrafos no shopping”, que seria uma ideia standard (aparentemente, Maytê não domina muito bem o português e precisa recorrer ao inglês quando aparecem palavras que ela não sabe que existem na nossa língua). Pena que a criatividade não veio acompanhada do bom senso para compreender que o que estava sendo feito era algo muito pior. É exatamente isso que acontece quando alguém está mais preocupado em aparecer do que em trabalhar. Muitas vezes, uma ideia padrão muito bem executada é mais eficiente do que uma ideia supostamente original, e o Aprendiz também testa esse discernimento por parte de seus candidatos. Afinal, se Vivi Ventura diz que o que ela faria seria uma ação em um shopping com ambientação nos anos 1970, é lei (observação: cada vez que Vivi aparece no programa pra falar sobre a tarefa da semana eu vibro, sou desses).

SINERGIA (Líder: Renata)

A nova equipe Sinergia honrou o nome e aparentou bastante entrosamento e tranquilidade na execução da tarefa. Não tivemos grandes problemas expostos, e a ação partiu da ideia menosprezada por Maytê e sua equipe. Iran Malfitano trabalhou mais que burro de carga, distribuindo autógrafos e interagindo com o público de um shopping de São Paulo. É claro que não foi uma ideia milagrosa, mas vamos combinar que foi um evento mais que decente. E, dentro de sua ideia standard, a equipe Sinergia conseguiu várias pequenas vitórias que a concorrente sequer cogitou: foi atrás do R7 para aumentar o impacto do evento, conseguiu um carro antigo para a ambientação e – pasmem – produziu material de divulgação a rodo, com direito a nome da novela no papel com os autógrafos de Iran Malfitano. Pequenos sinais de comprometimento e de proatividade que enriquecem uma ideia que pode ser dentro da caixa à primeira vista, mas um sucesso se houver cuidado e atenção aos detalhes. No caso da Sinergia, nem precisava dos detalhes, já que a equipe concorrente se deu as mãos e saltitou em direção ao abismo, mas claramente foi um ótimo trabalho.

Destaque: Impossível dizer outro nome que não seja o da líder Renata, que fez uma liderança exemplar e a cada episódio ganha mais e mais pontos no meu conceito. A meu ver, Renata tem chance real e sólida de vencer o programa, chance que, além dela, está apenas com a turma do Aprendiz 2 e, ao longe, com Karine Bidart. Renata também foi firme ao apontar Nakao como o pior da equipe, o que já era algo claro desde que a nova Sinergia se formou. Nakao está muito longe de ser incompetente, mas não demonstrou, nem na terceira temporada e nem agora, que tem o perfil de liderança que o Aprendiz exige, e é o único da Sinergia sobre o qual podemos dizer isso.

Âncora: Não dá pra dizer que alguém atrapalhou, mas há um fantasma pairando sobre a Sinergia: a rusga entre Renata e Melina, que começou na sala de reunião do segundo episódio e vem crescendo discretamente a cada tarefa. Devo dizer que peitar Melina é uma atitude que só faz com que Renata cresça ainda mais no meu conceito, mas sinto que a edição está dando um recado: “Guardem esses momentos na memória, porque essa história vai render”. E tomara que renda!

Assim, a vitória óbvia foi da Sinergia, e a Flecha se preparou para mas uma sala de reunião. Na discussão, o que vimos foi o óbvio ululante: Maytê, a dona da ideia anti-standard (sub-standard seria um prefixo mais adequado), foi a principal apontada como responsável pelos problemas. Maytê interrompeu, berrou, irritou e esperneou, mas, desta vez, não conseguiu tirar de si o foco das broncas de Justus e dos conselheiros por ter sido a clara responsável pela derrota da equipe. Sem Maytê, a ideia supostamente standard teria sido implementada, e a Flecha teria ao menos chance de vitória.

Braga foi o mais certeiro ao apontar os problemas de Maytê durante sua indicação. O aprendiz disse o que vínhamos dizendo há tempos: Maytê não sabe ouvir, não sabe ceder e não é capaz de admitir a possibilidade de ter tido uma ideia ruim. Nem mesmo quando ouvia isso do próprio Renato Santos Maytê baixou a bola, e foi nesse momento que o conselheiro decidiu interferir de uma maneira enérgica na situação e posicionar-se contra a postura de Maytê. Para calar a metralhadora bucal da participante, Renato deixou claro que Braga estava corretíssimo em suas considerações e pediu encarecidamente para que não fosse interrompido enquanto listava os erros e problemas da candidata.

Incapaz de lidar com críticas e, agora, também de interromper quem a estava criticando, só restou a Maytê sentar e chorar, literalmente, durante o sacode muito bem dado por Renato. Um detalhe interessante foi que Karina não conseguiu segurar o riso em vários momentos das broncas em Maytê, e, apesar da apatia incômoda (até eu, que adorei Karina no Aprendiz 6, defendo que ela deveria ter sido demitida nessa tarefa, já que simplesmente não a vimos em momento algum da tarefa), não me sinto no direito de recriminá-la por estar curtindo o show. Se eu, mero telespectador, estava aqui vibrando e me divertindo com o créu, imaginem Karina, que está sendo obrigada a lidar rotineiramente com a arrogância e a prepotência de Maytê? Fiquei até com pena do esforço necessário pra segurar a alegria naquele momento.

Felizmente, Maytê se recuperou e, como a boa estrategista de salas de reunião que sempre foi, percebeu que não havia para onde correr em relação à tarefa. Assim, apelou para o perfil e se posicionou firmemente contra Braga, o mais quieto dos aprendizes, talvez ao ponto até de influenciar a líder a indicá-lo junto com ela para a segunda parte da sala. E, assim, Karina, Guilherme e Lucas foram salvos da demissão.

Na segunda parte, Maytê defendeu muito bem a própria energia que a faz errar, mas ao menos a move e influencia outras pessoas a se moverem com ela, enquanto Braga sofreu duras críticas por ter um perfil mais introspectivo. A meu ver, Braga é um ótimo profissional (e isso é bem mais do que Maytê pode dizer em relação à sua trajetória no programa), mas é um cara mais quieto, mais de bastidores, e aquela cara constante de poucos amigos não ajuda nada.

Diante dessa polarização, Justus rapidamente mandou Mariana de volta ao hotel, o que considerei uma decisão bastante sensata. E até eu, que tendo a defender o respeito e os bons modos independentemente das circunstâncias, passei a torcer pela demissão de Braga. Braga não entendeu por que Justus criou esse embate entre ele e Maytê, e não conseguia parar de bater na tecla dos erros da tarefa, quando na verdade precisava ser enfático quanto ao perfil. Se Braga tivesse se defendido de forma mais firme, não teria deixado Maytê virar o jogo, mas ele não compreendeu algo que Maytê sabe muito bem: Justus gosta de quem fala alto, gosta de quem atropela, gosta de quem se defende como se estivesse prestes a ser mandado para a cadeira elétrica. E a falta de paixão e de vontade de lutar tirou Braga do programa.

Imagino que o conselho de Renato Santos, que afirmou categoricamente que, apesar dos muitos pesares, Braga tinha menos potencial do que Maytê, tenha tido bastante influência na decisão de Justus. Se mesmo o conselheiro que fez o que fez estava disposto a dar à candidata mais uma chance, por que o próprio Justus, que já gosta dela, não daria? Walter Longo pode até ter recomendado a demissão da futura publicitária, mas o fez de tal maneira que o que eu ouvi foi “Justus, não enxergo outra saída que não seja demitir a Maytê, mas, por favor, demite não, eu gosto tanto dela!”.

Assim, a saga do retorno de Maytê Carvalho continua firme e forte e, diante da sacudida que a candidata levou de Renato Santos, estou plenamente confiante em uma melhora de postura (sim, sou iludido assim). Tudo bem que é muito difícil que um reality sem votação popular sobreviva sem um vilão para chamar de seu, e Maytê vinha desempenhando muito bem o seu papel, mas Renato Santos fez o que deveria fazer, e deu à candidata uma real chance de sair vitoriosa do programa. E, para isso, basta que ela aprenda a olhar para si mesma com algum nível de autocrítica, porque, se depender de nós, críticas à melhor personagem da temporada não vão faltar #AllEyesOnHer. Até a próxima semana!

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Guto Cristino
Guto Cristino é engenheiro químico, jornalista e administrador. Nessa salada toda, o tempero constante é a paixão por séries e por Christina Aguilera, sempre presentes em seu cada vez mais curto tempo livre. No Série Maníacos desde 2011, é especializado em cretinice televisiva, com foco em novelões e realities, mas garante que vê série boa de vez em quando.