
Finalmente um episódio que traz a relação Charlie e Kate de uma forma que não seja enfadonha.
Spoilers Abaixo:
Eu havia comentado na minha última review que a série precisava parar de investir no arco de Charlie e Kate, mas quando disse isto, estava me referindo obviamente ao arco amoroso entre eles, pois acredito que não tem quem não ache que este plot já está desgastado há muito tempo, e que já deu o que tinha que dar. Como que ouvindo nossas preces, os roteiristas deixaram um pouco este arco de lado, nos entregando um episódio com poucas interações entre Charlie e Kate, e quando o faz, é meramente no âmbito profissional, e adivinhem só: deu certo.
Pela primeira vez desde que a série estreou, o relacionamento entre os personagens de Sheen e Blair foi mera e puramente profissional, e o resultado disso não poderia ter sido mais positivo. Primeiro, que este tipo de interação entre eles é quase uma novidade para o público, e segundo, que ela prova de uma vez por todas que a maneira como o roteiro deve explorar os personagens é desta maneira, porque ainda tem um vasto campo inexplorado que os roteiros parecem ignorar a existência. Não queremos ver conflitos amorosos entre o casal (me falem se alguém realmente fica shippando o casal?) mas sim isto que foi apresentado neste episódio: conflitos profissionais, que fazem os personagens terem a oportunidade de efetivamente crescerem dentro da trama, nos revelando mais de suas personalidades, como foi o caso de Kate neste Charlie and His New Therapist.
Falando na nova terapeuta de Charlie, a Dra. Eddie Murphy é provavelmente, uma das poucas personagens que já vi que consegue misturar fofura de mãe com um quê de esquisitice. A personagem vem para marcar uma das melhores personagens-avulsas-de-um-episódio-só, já que eu não acredito em um retorno da personagem, o que é uma pena, já que eu gostei muito dela.
Além disso, foi também muito interessante ver Charlie perdendo o controle, desta vez mostrado de forma bastante satisfatória, uma vez que ele já tinha perdido antes, mas sempre de forma muito superficial. Aqui vemos efetivamente o personagem no limite, e rachei de rir no momento em que ele briga com Mike e também quando ele joga o celular na parede. Isso sim é problema de raiva de verdade, não o que o personagem tinha apresentado até então.
Mas nem só de Charlie, Kate e problemas de raiva se deu este episódio não. Também tivemos os pacientes de Charlie, numa trama paralela tão inspirada quanto a principal, que serviu bastante para que o espectador se divertisse. O plano mega-evil do Patrick foi genial, e não teve como não gostar da peça que ele pregou em Ed, que estava merecendo algo do tipo já faz algum tempo. Confesso que essa trama me enganou várias vezes, principalmente por ela não ter nenhuma reviravolta, que eu fiquei esperando. Primeiro achei que apesar dos bilhetes falsos, pelo menos um deles acabaria ganhando de verdade na loteria. Depois achei que o Ed tinha sacado tudo e era ele quem estava pregando uma peça em Patrick, mas nada disso aconteceu, o que acabou se mostrando bastante divertido, pois agora teremos uma continuação deste arco, com Ed morando com Patrick até ele se reconciliar com sua esposa. A ironia aqui foi muito bem sacada, pois tudo o que eles querem é distância um do outro, e agora vão ter que conviver juntos.
O roteiro de Renée Estevez (irmã de Sheen) foi muito bem escrito, apresentando uma qualidade que ultimamente vem faltando na série, que certamente é cheia de altos e baixos, mas são episódios como este que não me fazem perder a esperança de que futuros melhores virão para a série.
Em tempo 1: Mike teve novamente uma boa participação. Reforça minha tese de que ele tem que entrar para o elenco fixo da série logo de uma vez.
Em tempo 2: Gostei tanto do roteiro que consegui rir até com a Jen e sua piada sobre piercing no umbigo.





















