Ainda que um pouco anticlimático por necessidade do roteiro, The Soviet Division definitivamente consolida The Americans como um dos melhores dramas da atualidade da televisão americana.
The Soviet Division tinha a ingrata tarefa de encerrar os arcos dramáticos da quinta temporada da série e ainda deixar conflitos em aberto para o sexto e último ano do programa. E acredito que o episódio tenha se saído bem nesse intento.
De fato, foi uma grata surpresa que o episódio já se inicie imediatamente no ponto onde o anterior tinha de encerrado, que é a tentativa desesperada de Phillip/Brad de resgatar Pasha de seu suicídio. O risco era grande, de estragarem seu disfarce para o agente da CIA que protegia os Morozov. Foi uma sequência bem forte e angustiante, explicitando um debate importante levantado pela série 13 Reasons Why do Netflix, que há poucos meses repercutiu bastante nas redes sociais brasileiras: suicídio de jovens que sofrem abusos no colégio.
Apesar da iniciativa impulsiva e até mesmo fria e calculista de Tuan, a Operação Morozov foi um sucesso. Eu fiquei estarrecido com a audácia dele ao apresentar seu relatório e criticar duramente o modus operandi dos Jennings. Acusá-los de “preocupações burguesas” foi o ápice da discussão. Elizabeth rebateu à altura, e soou até mesmo cruel ao profetizar que ele falharia em alguma missão futura caso continuasse a atuar sozinho, no que foi um dos melhores diálogos do episódio. Após concluída essa missão, duvido que voltemos a ver Tuan na série, porém devo salientar que embora pareça improvável, não é impossível e/ou indesejável. Mas acredito que o personagem tenha cumprido sua missão e encerrado sua jornada/ciclo/arco.
Paige continua a crescer como personagem cada vez que surge em tela. Sua caminhada até o estacionamento onde foi atacada juntamente com Elizabeth me fez questionar se ela não estaria querendo se provar pronta, caso algo ruim acontecesse. Pelo tanto que se deslocou, ali não parecia ser o estacionamento mais perto da igreja do Pastor Tim. Mas no treinamento com Liz, ela ainda está bem crua. A principal possibilidade de conflito deixada em aberto pelo roteiro é como ela irá lidar com os pais quando lhe informarem que estão de mudança definitiva para a Mãe Rússia.
Henry teve seu sonho de colégio interno com bolsa de estudos vetado veementemente por Phillip, quando ele ainda achava que estavam se aposentando. Com a mudança, acredito que ele até irá para o tal colégio, numa tentativa de deixarem ele ausente durante a maior parte da sexta temporada, mas daí não haveria conflito. Ansioso para ver no ano que vem como os roteiristas irão resolver isso.
Com a ausência de Oleg no episódio, que encerrou muito bem seu arco no capítulo anterior, Martha foi a responsável por protagonizar o núcleo dramático passado em solo russo. Essa parece ser a tendência para a personagem na próxima temporada, com plot sugerido de uma futura maternidade para ela. Gostei do discurso do professor de russo dela, que disse que “destruímos sua vida, mas queremos que você seja feliz aqui”. Vai que cola, não é mesmo?!
![The Americans 5x13: The Soviet Division [Season Finale]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2017/06/The-Americans-5x13-img2.jpg)
O clímax de The Soviet Division ficou por conta da descoberta de Phillip que dá título ao episódio. O conflito interno do personagem foi bem explorado. Fica evidente que ele está cansado das missões, que não tem mais fé cega nos ideais defendidos pela organização que representa. Cogitar destruir informações deixa isso bem explícito. Entretanto, ao ser honesto com Elizabeth, ela decide que a informação é importante demais para ignorar e decide ficar. Particularmente, acredito que ela tenha decidido previamente, quando lhe cai a ficha de que não terá mais aquele armário, roupas, cozinha, televisão, etc., quando estiver de volta à terra natal. Comodidades burguesas e capitalistas que são difíceis de abrir mão, uma vez que se acostuma com o American Way of Life.
Mesmo que soe anticlimático, diante da promessa de aposentadoria do casal de Americanos, sem esse revés não teríamos continuidade na história e nem sexta temporada. Ela chega a “liberar” Phillip das missões, mas sabemos que as coisas com o Centro não são tão simples assim. Além disso, nunca é demais elogiar o soberbo trabalho de Keri Russel e Matthew Rhys em suas interpretações, completamente imersos em seus personagens há cinco anos.
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Com várias possibilidades em aberto interessantes e instigantes, The Americans encerra uma de suas melhores temporadas até aqui de forma competente e eficaz. Fica a promessa de uma sexta temporada melhor ainda, que finalize de forma satisfatória um dos melhores dramas já produzidos pela televisão americana, que continua sendo solenemente ignorado pela grande audiência.















