O conflito é um recurso necessário para qualquer narrativa. É o conflito que move a história, que transforma as personagens e que eleva o nível dramático ou cômico das situações, sempre resultando em grandes momentos para a história. Nem todas as séries (ou filmes, ou livros) conseguem nos fazer sentir empatia por suas personagens e angústia pelos momentos em que elas parecem cercadas por problemas aparentemente sem soluções. Talvez nem precisemos sentir tanto amor pelas personagens, mas, quando a história e o conflito é bem construído, é impossível não sentirmos certa tensão e nos perguntarmos o que acontecerá. Para que isso ocorra, entretanto, é preciso que o roteiro se leve a sério, estabeleça os obstáculos de sua história de forma crível e sólida. Isso está longe de acontecer com American Gothic que, para começo de conversa nem tão longa, não consegue entregar personagens interessantes o bastante para que nos comprometamos com eles. Estabeleçamos, para futuras conversas, que torcer contra não é criar vínculo com as personagens.
O maior erro do quarto episódio da série é trazer diversos conflitos, diversas situações em que suas personagens se encontram com algum problema terrível, mas que é solucionado muito, muito rápido. Alison, por exemplo, leva vinte minutos e três cenas para resolver um caso que poderia destruir seu futuro nas eleições e o futuro econômico de seu marido. Além de resolver esses problemas muito rápido, o roteiro toma atalhos estranhos e muito fáceis. O marido da candidata, sim, ainda ela, por exemplo, descobre uma traição, o que de fato poderia gerar um conflito interessante, mas não se importa muito com isso sem esperar que a cena sequer estabeleça seu suposto clima de tensão.
Eu acredito que o menino Jack não apareceu nesse episódio e agradeço por isso. O contentamento não dura muito, pois ganhamos mais personagens ruins e atores ruins. Antes de condenar os novos, deixe-me só indagar onde estava a pessoa responsável pelo casting quando Megan Ketch (a irmã professora) foi contratada. A atriz consegue o mérito de piorar ainda mais uma personagem que já não era boa. A impressão é de que estamos assistindo a um ensaio aberto do elenco passando cenas. Seu marido, que tanto aborrecimento me causou nos episódios anteriores, entretanto, ameaça uma mudança significativa de postura e agradeço por isso. Parece que a série finalmente terá um detetive empenhado em fazer algo sobre um caso que começa a se tornar bobo demais para ser levado a sério.
O episódio anterior nos deixou com a possibilidade de Gunther ser o culpado, mas sabíamos que isso não era verdade, afinal ainda tínhamos dez episódios para preencher e somente séries sobrenaturais conseguem fazer suspense com pessoas mortas. A forma como o roteiro retirou a culpa do suicida é outro exemplo da imaturidade narrativa e da condição do quão mal escrita é a produção.
Justin Chatwin deve sentir falta dos tempos de Shameless, pois ele está totalmente desperdiçado aqui. Esse quarto episódio tenta brincar com a violência que sua personagem pode ter. O problema é que não nos importamos nada com a personagem dele, que é chata, para dizer o mínimo, e qualquer tempo em tela com Soph se torna um desperdício de tempo. Essa suposta violência também é o foco da subtrama envolvendo seu irmão e a nova atriz ruim contratada pela série. O fim das cenas de Garrett é tão covarde e imaturo que me questiono se os produtores realmente acreditam que vamos entrar nessa brincadeira de culpado ou não culpado.
Christina’s World (quem é Christina mesmo?) marca mais um episódio desperdiçando atores, personagens, histórias com potencial, ou dinheiro de produção. Os conflitos são fracos, mal estruturados e se resolvem muito rápido. A questão não é com um ritmo frenético (não é o caso), mas com um texto que começa a desconstruir seus conflitos antes mesmo de formá-los. Sigamos.






















