Fake it until you make it”. Talvez um dos aforismos mais usados pelo capitalismo, é consequentemente pela televisão e cinema, é o de fingir até conseguir. Vemos isso o tempo todo, principalmente nas redes sociais. Construímos aquilo o que desejamos ser, demonstramos identidades que não necessariamente representam nossa realidade, na esperança de que um dia ela transpasse o véu que separa os dois mundos e se torne real.

E nessa os roteiristas de “American Gods” levaram a sério essa frase. É como se eles estivessem fingindo construir algo coeso, com um plano definido, quando na verdade o que vemos é uma bagunça homérica. Não há muito o que falar sobre esse episódio pós hiato do Superbowl, até porque nada aconteceu. Fomos para onde nunca saímos. O que se tornou uma mania recorrente no histórico da série.

O plot de Bilquis por exemplo. No episódio anterior tivemos um vislumbre dos orixás guiando a personagem na descoberta de sua real identidade. As expectativas eram altas e claro que não foram correspondidas. Todo o processo de “cura” foi muito rápido e fácil e mesmo que seja embalado em uma imagética bonita e com bons efeitos, perdeu força ao lavar (não resisti ao trocadilho) tudo isso em poucos minutos de duração. Foi jogado na tela assim como apareceu, minando o empoderamento tão esperado.

Outra coisa jogada, mas desta vez aparentemente fora, foi a questão de Bilquis e Shadow. Quatro episódios com sonhos proféticos envolvendo os personagens para no final das contas tudo terminar num jantar regado a batata fritas e com uma tensão sexual tirada do vazio primordial. Suspeito que isso volte mais tarde na temporada, porque se não, foi mais uma bola fora.

Até o passado do Technical Boy foi desperdiçado depois daquela boa introdução. Não serviu de nada além de elemento de ligação com o processo, seja lá qual for, de transformação em que o personagem foi lançado sem paraquedas. Isso sem falar da nova dupla dinâmica formada por Laura e Salim. Mesmo com o subtexto religioso, foi outro momento jogado no lixo. Se teve algo de interessante nessa semana foi aquela passagem final de Demeter falando que até os deuses ficam de coração partido.

Enquanto “American Gods” vai fingindo até conseguir, ela acaba pedindo ao público que faça o mesmo. Mas nessa batalha de crença e descrença entre espectador e programa, o show vai perdendo o pouco que restava de sua coerência, como um certo deus, enlouquecido por um plano que somente ele conhece e acredita.

Anotações de Ibis 1: Marilyn Manson não faz mais parte da série, após as denúncias de assédio físico, mental e sexual que surgiram nessas últimas semanas contra ele. Mais uma pra conta das tretas de bastidores do show;

Anotações de Ibis 2: Tenho quase certeza que Cordelia é uma valquíria, guerreiras da mitologia nórdica que indicavam o caminho de Valhalla para os guerreiros caídos em batalha a mando de Odin.

REVISÃO GERAL
Nota:
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Lucas Fernandes
Cinéfilo, sériemaníaco e designer não praticante nas horas vagas.
american-gods-3x05-sister-risingEnquanto “American Gods” vai fingindo até conseguir, ela acaba pedindo ao público que faça o mesmo. Mas nessa batalha de crença e descrença entre espectador e programa, o show vai perdendo o pouco que restava de sua coerência, como um certo deus, enlouquecido por um plano que somente ele conhece e acredita.