BOOM, conforme o próprio título sugere, vem cercado de revelações. Algumas não tão bombásticas quanto o poder literal do inumano recém-revelado, mas definitivamente com a capacidade de alterar, mais uma vez, o status quo da atual quarta temporada da série. Com uma morte no caminho, um provável substituto para a trama LMD e um pouco mais de história para seu grande “vilão” (sim, entre aspas), Agents of S.H.I.E.L.D. mostrou que não está disposta a repetir o que fez com o Motorista Fantasma, revelando pontos fundamentais de sua trama sem enrolação.

O primeiro grande passo foi a morte da Senadora Nadeer. Existem dois aparentes motivos para a morte da senadora. O primeiro é o fator de dominação graças a influência do Superior, conferindo a ele e seus asseclas a posição de um grupo instável. Já o segundo motivo aparece como uma maneira de instaurar o choque rápido, limando uma personagem importante, mas também para “enxugar” o roteiro recorrente. Ainda não sei, porém, como a presença do seu irmão, novamente em um casulo inumano e no fundo do oceano, se encaixará dentro da história – talvez o tenham salvado para a série dos Inumanos? Difícil. A verdade é que dentro do que foi proposto para a senadora, ter sua morte neste momento parece ter sido uma maneira rápida de acabar com a trama envolvendo a política por trás da S.H.I.E.L.D., já que ela aparentemente figurava como única força de oposição.

A grande preocupação de BOOM vem através da exposição de Jeffrey Mace como um homem que não tem muito a contribuir para o time de agentes. Agora que ocupa o cargo de diretor apenas como uma figura ilustrativa, Mace está tentando fazer o possível para ajudar, mesmo que para tal ele termine dando a vida pelo time. Confesso que esperava mais da cena de conclusão do episódio, com o falso inumano assumindo uma posição mais arriscada e expondo, de fato, tudo o que é capaz de fazer pela causa, mas também consegui ver um pouco da relação que o roteiro talvez tente abordar para a S.H.I.E.L.D. e também a opositora célula terrorista liderada pelo Superior. Existe ali uma compreensão bem grande do que ambos são capazes de fazer pelo o que acreditam, e que na verdade a única coisa que separa Mace do recém descoberto inumano, é a afiliação, pois ambos estão dispostos a entregar a própria vida apenas para sentirem o prazer de concluir a missão, sentindo-se útil no processo.

Agents of S.H.I.E.L.D. 4x13: BOOM
Agents of S.H.I.E.L.D. 4×13: BOOM

Contudo o vilão ainda não consegue impor uma presença realmente relevante. Apesar de gostar muito do ator, desde Black Sails, ainda não consigo vê-lo realmente como um ponto de ameaça. Neste episódio, especialmente após o quase estrangulamento de seu próprio lacaio, já consigo ter uma dimensão maior a respeito do que ele é capaz. Entretanto ainda falta um ponto de carisma, de bom desenvolvimento, seu único diferencial por enquanto é o fato dele gostar de cheirar cebola e tomar vodka. É muito ruim perceber que após quatro anos o grande vilão de Agents of S.H.I.E.L.D. permanece sendo Grant Ward, alguém que por muito tempo nem mesmo operou como vilão imediato, mas sim um antagonista as propostas da agência de espionagem. Este Superior, todavia, ainda não conseguiu convergir o mínimo do necessário para pelo menos ser considerado em uma lista com os melhores antagonistas da série, mas em se tratando de Marvel e emulando bem o efeito cinematográfico, poucos conseguiriam.

O episódio foi extremamente competente ao entregar novamente para Daisy cenas direcionadas para o desenvolvimento de seus poderes. Mas o grande foco de BOOM foi totalmente em cima de Coulson e de sua relação com May. O personagem está dentro do mesmo limite que Mace, sentindo-se inútil frente ao sequestro da parceira, mas diferente do “diretor”, Phil tem todas as ferramentas que precisa para tentar localizar seu chamado, além de várias vozes dentro da sua cabeça o dizendo o que fazer e o como não agir – May e Mack. Dentro deste escopo é possível ver o desenho de uma verdadeira tragédia se desenrolando, já que dificilmente teremos muitos finais felizes, especialmente se a série conseguir garantir sua quinta temporada.

No final, não podemos deixar de analisar o que o episódio propôs para Radcliffe, o verdadeiro antagonista com coração da série. Expor que sua androide é na verdade baseada em uma pessoa real, não apenas garantiu a Mallory Jansen a oportunidade de trabalhar uma nova versão para uma personagem já consolidada desde o começo da temporada, mas também para humanizar mais ainda Radcliffe. Contudo, assim como a grande maioria dos grandes vilões de histórias em quadrinhos, o cientista está trilhando seu caminho através do cerceamento da liberdade de várias pessoas, tudo em prol do bem comum. O grande plano, revelado em BOOM, não está mais envolvendo os LMD, mas sim a criação de um mundo virtual (Matrix feelings) desenhado para garantir a seus hospedeiros o verdadeiro pós vida – entregando para a ciência o último passo ao redor da temática da magia, ao criar um paraíso ou inferno, totalmente através da tecnologia.

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Easter eggs e outras informações

– “Eu não sou única?”. Sinto cheiro de rebelião das máquinas chegando para Agents of S.H.I.E.L.D.

– “Bom, não podemos ficar muito tristes”. Daisy a respeito da morte da senadora.

– Existe na nona arte um personagem chamado Nitro, com poderes de explosão parecidos com o do inumano apresentado no episódio. Robert Hunter, introduzido em Captain Marvel #34, de 1974, foi responsável pela morte do Capitão Marvel e é conhecido como a bomba humana. Nos quadrinhos Nitro foi o responsável pela explosão que matou várias crianças e iniciou a Guerra Civil entre Capitão América e Homem de Ferro.

– De acordo com o Acordo de Sokovia o governo norte americano, e imagino que membros chave das nações unidas, têm acesso à identidade e localização de todos os inumanos registrados.

– Framework é tão Black Mirror.

– Mallory Jansen é australiana. Então aquele sotaque é o da atriz de verdade e o da AIDA é atuação. BOOM!

– Coulson relembrando o momento em que ele foi morto por Loki, em Vingadores, cinco anos atrás.

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