Agents of S.H.I.E.L.D. revela segredos em The Patriot.
Depois da visão de Daisy como terrorista, longe da Hydra e trabalhando solo após a morte de Lincoln no final da terceira temporada, a grande surpresa do quarto ano da série foi a revelação de um novo Diretor. Mace, interpretado pelo homem que é a voz do Batman na DC, surgiu como o potencial para criar novos embates internos dentro da S.H.I.E.L.D., tirando o foco apenas dos vilões que existem fora da agência. Infelizmente o destaque nunca chegou ao ponto que o roteiro havia idealizado no primeiro episódio do quarto ano, e depois de nove episódios e com a participação do canastrão Talbot, descobrimos que a cortina de fumaça continua como o personagem fantasma da série, sempre revelando algo que não é o que esperávamos de alguém.
Segredos são o forte de qualquer agente secreto, afinal, o secreto existe por um motivo bem claro. Usualmente as camadas de compartimentalização servem para ajudar a não ter todo o seu prêmio nas mãos de uma pessoa só. É assim que a S.H.I.E.L.D. funcionava durante a Era de Nick Fury. O tempo passou e pelo menos o grupo mais próximo de Coulson sempre teve total conhecimento das idas e vindas da agência, era a proposta do antigo diretor, a de ser diferente. Com Mace tudo voltou. Uma nova dinâmica se instalou na S.H.I.E.L.D. e o conflito entre agentes e diretores parecia ser a saída mais cômoda para a série. Nem tudo é o que aparenta e com S.H.I.E.L.D. essa regra é praticamente inviolável. Em um movimento pouco esperado a série revelou que seu grande defensor, o homem enxergado como substituto do Capitão América pós Guerra Civil, se revelou uma fraude.
Para a série essa revelação tem vários significados, o mais claro, aqui, é o da volta a estrutura narrativa das primeiras temporadas, mas com ressalvas. Por enquanto ainda não temos um vilão definido, além da imagem da senadora e do grupo terrorista Watchdogs. A mera menção da Hydra foi um interessante lembrete do que já passamos com a série, mas me levantou alguns medos. Após três anos com a contra agência como grande antagonista, imaginar que o grupo de ação contra inumanos possa ter maiores ramificações com a Hydra é um pouco desanimador. Por sorte não parece ser este o caso aqui, por enquanto.
É interessante a nova dinâmica que a série está propondo, especialmente pelo possível futuro da agência, caso Agents of S.H.I.E.L.D. sobreviva até a próxima temporada e não encontre o cancelamento ao final desta. Por enquanto o roteiro está seguindo a ideia difundida por Coulson de que Daisy deveria ser o novo rosto da S.H.I.E.L.D. para o mundo. Seu reconhecimento já está acontecendo a partir desde momento, com a sociedade abraçando como heroína e deixando cada vez mais difícil para o mundo dos filmes a prática do esporte que eles já estão profissionais, o de ignorar as séries. Hoje, como inumana e também figura de super-heroína, Daisy já pode, ao lado do Coulson, assumir a posição que sua contraparte nas histórias em quadrinhos já manteve por um período de tempo. Neste quesito, o potencial é bem grande, especialmente porque sabemos que a série gosta de dedicar espaço para a personagem.
Outro ponto de The Patriot que ajudou foi o retorno de Coulson para uma posição de liderança, mas sem a necessidade de assumir novamente o posto de diretor. Um dos grandes erros da atual temporada havia sido o desprezo direcionado para um personagem que já não funcionava mais como agente. É muito difícil você retirar o poder de alguém que funciona excepcionalmente bem por causa da relação de poder que mantém com sua equipe. Como agente a proposta de mostrar as burocracias do novo ‘governo’ de Mace não decolou. Com exceção de dois episódios nunca chegamos realmente a ver a equipe sofrendo pela nova regra de cores que substituiu os níveis de acesso. Neste, o que poderia significar algo relevante, foi facilmente resolvido já que a diretriz colocava Simmons como a responsável direta na ausência do diretor. Ou seja, muita fumaça para pouco fogo. Um padrão que a série adotou com força no ciclo passado.
Compreendo também a motivação do Fitz, especialmente após a ida da namorada para um planeta alienígena na terceira temporada. Entretanto ainda falta um pouco mais de trabalho nesta parte da história para que tudo encaixe de verdade na trama maior. Já foi noticiado pelos produtores que esta temporada não terá dois, mas três arcos diferentes e estamos queimando assunto com os LMD com velocidade. Exatamente por esse motivo a trama do casal com a cabeça do androide deve começar a se resolver já nos próximos episódios, o que é muito bom. Porém também é algo capaz de levantar algumas preocupações. Afinal, todos sabemos como o conflito para casais chega com requintes de crueldade no mundo criado por aqueles que carregam Whedon no sobrenome.

A grande impressão que tenho é que Agents of S.H.I.E.L.D. está perdida dentro de sua própria ineficácia em atingir a audiência que o canal precisa para manter a série viva. Após uma temporada inicial lidando com o Motorista Fantasma e temas fantásticos, os números ruins podem ter forçado a produção a mudar algumas coisas, explicando o motivo para que a série tenha terminado 2016 com apenas oito episódios e um grande hiato durante a exibição de Doutor Estranho. Algo atípico. Nem mesmo a presença de Kevin Tancharoen como diretor é explicada. Focado em grandiosas cenas de luta, com muita coreografia, o irmão da criadora da série teve apenas um momento para entregar algo interessante, no final do episódio e mesmo assim sem tanto destaque como vimos, por exemplo, na cena de luta da segunda temporada entre May e a agente 33. A mudança de horário também não ofereceu o tom mais sexy e ousado que os produtores haviam noticiado antes do começo da atual temporada. Apesar de ter melhorado muito se comparado a seus primeiros episódios, ainda faltam elementos básicos para que a estrutura volte a demonstrar a força de antes e neste caso nunca pensei que diria a próxima frase, mas é o que sinto: Saudades do Ward.
> Desventuras em Série: Crítica!
Easter eggs e outras informações de The Patriot
– As séries da Marvel não costumam reconhecer a existência uma da outra, exceto com algumas conexões e detalhes. Neste episódio Agents of S.H.I.E.L.D. se aproximou de Luke Cage, com a bala explosiva conhecida como Judas, a mesma responsável por furar a pele “impenetrável” de Luke.
– Com o programa ‘Patriota’ já testemunhamos no universo da Marvel 4 tentativas de replicar o soro que transformou Steve Rogers em um super soldado. Bruce Banner se transformou no Hulk ao tentar replicar a fórmula de Eskirne. Em Homem de Ferro a tecnologia Extremis também foi uma maneira de criar o “próximo” Capitão América, e esta fórmula foi transformada durante a primeira temporada de Agents pela ‘Centopeia’. Por último temos o ‘Patriota’.
– Durante alguns momentos foi dito que existiam padrões de dados e análise de probabilidade, bom, para quem se lembra um antagonista de Soldado Invernal trabalhava exatamente com este tipo de conteúdo, Armin Zola – aquele que vivia dentro de um computador e que foi “destruído” pela própria Hydra enquanto eles tentavam capturar Steve e Natasha.
– Foi mencionada a batalha pela ‘Geladeira’, nome do evento da primeira temporada após a revelação da Hydra e mostrado na série logo após a traição do Ward ser concretizada. Geladeira era o nome do local onde estavam presos super-humanos e também algumas armas da S.H.I.E.L.D.
– O nome do piloto do quinjet que levava Coulson, Mack e o Diretor era Firefly. Firefly é o nome de uma das séries de Joss Whedon. Nela o piloto morre da mesma maneira que o de S.H.I.E.L.D., em Serenity.
– Temos também um easter egg de Guerra Civil. A grande explosão em Viena, a que fez Mace ficar famoso, é uma referência a explosão que matou o pai do Pantera Negra em Capitão América 3.















