Tudo novo em Agents of S.H.I.E.L.D., mais uma vez.

Se tem uma coisa que a série dos agentes da S.H.I.E.L.D. sabe fazer, é se renovar. Desde que os eventos de Soldado Invernal se desenrolaram e tiveram grande impacto na série ainda durante a sua primeira temporada, nada permaneceu o mesmo por muito tempo. A agência caiu, foi renovada, inumanos surgiram e agora, após três anos de histórias contadas, tudo mudou, de novo. Coulson não é mais diretor, Daisy não age como aliada e todo o grupo está dividido. Mas o mais importante de tudo, um tom mais maduro tomou conta da produção, aproximando-a mais de suas irmãs da Netflix do que dos filmes da casa. Aquela última linha que faltava cruzar para finalmente acabar com a ilusão de que este universo unificado realmente é unificado – não para as séries.

Seguindo a regra já adotada anteriormente, a influência dos filmes é grande, mas geralmente bem mais centralizada do que nós gostaríamos. Ao invés da participação ou reconhecimento de algum personagem, o que temos é a mudança direta de domínio. Com a chegada do Acordo de Sokovia a S.H.I.E.L.D. conseguiu sair das sombras, mas com uma exceção, Coulson permanece morto para os Vingadores e o restante do mundo. Então, um novo rosto precisou ser contratado para representar aquela que antes foi a maior agência de proteção do planeta. Manchada pelos acontecimentos de Soldado Invernal e a revelação de que a Hydra estava, desde a fundação da agência, infiltrada e mexendo alguns “pauzinhos”, a antiga equipe foi dissolvida e quase nada permanece como era antes.

Desmantelar o time de Coulson e mantê-lo separado foi a jogada mais previsível para o novo diretor, algo que tivemos uma ideia lá no final da temporada passada. Enquanto juntos a equipe não apenas era uma máquina bem ordenada e preparada para lidar com ameaças comuns, mas competente o suficiente para impedir ameaças alienígenas e lidar com inumanos, recrutando-os até. Por isso, isolar cada um em diversas áreas diferentes e impor um novo sistema de segurança é um movimento inteligente e pensado para evitar que uma nova S.H.I.E.L.D. surja, seguindo os moldes do que já testemunhamos durante a segunda temporada. Mas não se iluda, o novo diretor é muito mais do que apenas o novo rosto da agência.

Claro que como todo primeiro episódio este é cheio de exposição e vários assuntos se intercalam sem grandes explicações. Considerando como um retorno de temporada eu julgo que este tenha sido o mais morno, mesmo com a participação flamejante de certo motorista fantasma. A quantidade de assuntos sobrepostos não permitiu um impacto maior, infelizmente. Contudo, imagino que este problema será sanado logo no próximo episódio, com a oportunidade de poder desenvolver com mais calma o que foi proposto nesta espécie de piloto – uma tentativa de também conseguir mais audiência de quem, por algum motivo, abandonou o barco durante o terceiro ano. É um problema gerado pela característica mais marcante da série, a renovação anual que ela propõe. O espaço de tempo transcorrido entre a morte do Lincoln e a nova versão da S.H.I.E.L.D. desenvolveu vários assuntos que não tivemos a oportunidade de testemunhar. Por isso The Ghost demonstrou um texto abarrotado, mas um mal necessário.

agents-of-s-h-i-e-l-d-4-01-img1

O novo horário permite algo mais sério e até mesmo sexy (como prometido pelos produtores), mas com exceção do close na calcinha da Daisy, ou a AIDA quase nua aparecendo na tela, nada realmente ousado pipocou. Essa nova possibilidade, porém, deverá ser maior explorada nos próximos episódios. O que a mudança permite, contudo, é uma aproximação maior ao clima de séries como Demolidor e Jessica Jones, que mesmo pegando a característica marcante da Marvel, seu humor mais leve, ainda conseguiu imprimir um tom bem mais sombrio neste retorno.

Dentro do que foi o primeiro episódio da temporada, o texto não se segurou em nenhum momento, entregando o máximo de explicações para situar o telespectador em 40 minutos. Outra grande revelação foi a de que os inumanos não trabalham mais lado a lado da agência. O que também ajuda a explicar a saída de Daisy, mas só tem um reflexo imediato ao vermos YoYo fazendo o seu check-in com Mack. Todo o desafio proposto no ano anterior de unificar a causa inumana ao governo parece ter desmoronado e temos Talbot para agradecer por essa mudança.

E essa nova temporada está mais sombria. Quer tenha sido pelas cenas mais apagadas, e a mudança no tom visual, ou pelo fato de termos, pela primeira vez, um dos anti-heróis mais complexos da Casa das Ideias, o clima está diferente. Tudo soou bem mais emergencial e imediatista, apesar de ser uma trama que está se arrastando por alguns meses. Gradativamente Agents of S.H.I.E.L.D. deverá se abrir para novos caminhos, incluindo a tal magia que Doutor Estranho trará para o universo integrado da Marvel em alguns meses.

O tema, aparentemente neste primeiro momento, é o de expiação pelos pecados cometidos. Essa é a função primordial do Ghost Rider, a de te fazer pagar pelos seus pecados. Daisy está procurando a maneira mais extrema, e nobre, em sua visão. Ela não está apenas procurando trazer justiça ao desmantelar as operações dos Watch Dogs, fechando assim uma porta aberta durante sua parceria com Hive, mas sim impor o maior tipo de autoflagelação possível. Sem os estabilizadores de punho e utilizando excessivamente seus poderes, os seus ossos estão se partindo, um lembrete bem vivo de seus “crimes”.

Claro que mesmo bem cheio de assuntos The Ghost ainda precisou deixar pequenas pontas soltas para desenvolver nos próximos episódios. O futuro deverá ficar centralizado na relação entre os agentes e a nova gestão da S.H.I.E.L.D., além do surgimento do misterioso fantasma que agora assombra May e a relação entre Daysi e o Robbie Reyes aka Ghost Rider. Novamente, como pontapé inicial do quarto ano da série, eu não julgo The Ghost como o mais forte possível, mas necessário devido ao pulo de alguns meses. Gostei de ver a interação entre Jemma e May, algo que reflete exatamente o tipo de agente que Simmons sempre foi – escolheram ela para infiltrar a Hydra, lembra? Além da nova dinâmica exposta para todos. AIDA ainda é um grande mistério, e um que me preocupa bastante, mas por enquanto estou bem satisfeito com o que foi apresentado para a quarta temporada de Agents of S.H.I.E.L.D., mesmo que a audiência continue decepcionante.

Easter eggs e outras informações

– Existem dois Ghost Riders principais na mitologia da Marvel. O primeiro a maioria conhece através dos filmes estrelados por Nicholas Cage, Johnny Blaze. O segundo surgiu tem pouco tempo e foi o escolhido para integrar a quarta temporada de MAoS, Robbie Reyes.

– Robbie teve seu debut em All New Ghost Rider, de 2014, e durou pouquíssimo tempo. Tirando a idade do personagem e talvez sua origem, tudo é bem similar ao que a série mostrou, incluindo seu irmão mais novo – aqui um pouco mais velho. Esta versão do Motorista Fantasma durou apenas 12 números e apenas os seis primeiros realmente são bons, incluindo até uma participação de Calvin Zabo, o pai da Daisy Johnson aka Quake.

– Falando nele, o Ghost Rider de Robbie irá ganhar uma nova chance nos quadrinhos, em novembro deste ano.

– AIDA ou Artificial Intelligence Data Analyser é um sistema de computador criado por Thomas Thompson do Esquadrão Supremo. Ela apareceu pela primeira vez em Squadron Supreme #1 de 1985.

– Aquela caixa que aparentemente libertou o espírito que está assombrando a May, pode ter uma conexão com Mephisto. Mephisto tem como prática favorita a transformação de demônios em espíritos que se assemelham a seres humanos em estado de putrefação. Ele também já foi um inimigo do Ghost Rider – Johnny Blaze.

– Os efeitos especiais deste primeiro episódio pareceram muito bons. Preocupante, já que orçamento de TV aberta não é lá essas coisas.

– Bem vindos a mais um ano de cobertura semanal de Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D. Espero que nesta quarta temporada o foco não se perca e torço para que certa série do Seth McFarlane não dê certo para termos uma tal Harpia de volta.

Artigo anteriorDancing With The Stars 23×02/03: TV Night
Próximo artigoJustiça 1×19: Episódio #19