Respostas e revelações no sexto episódio de Agents of S.H.I.E.L.D.
Agents of S.H.I.E.L.D. é uma série rápida, ágil e com roteiro bem afiado, isso já não é mais segredo para ninguém – A não ser que você tenha abandonado a série em sua primeira temporada e tenha caído aqui nesta review por acaso (já aconteceu antes). A série consegue criar tensão na medida certa, além de sempre surpreender seus telespectadores, de uma forma positiva. Que Andrew poderia ser um inumano, isso já sabíamos, ou pelo menos imaginávamos. Que Andrew seria, além de inumano, o Lash, isso quase ninguém (que eu me lembre) cogitou. Com uma tacada só a série respondeu perguntas sem a necessidade de arrastar uma trama que, convenhamos, qualquer outra produção arrastaria por pelo menos até o mid-season finale.
Coulson tem se tornado um personagem mais interessante semanalmente. O diretor da S.H.I.E.L.D. cada vez mais mostra estar se transformando lentamente em uma figura mais próxima de Nick Fury, mesmo que ainda distante. Seu comportamento frente a revelação de que Rosalind estava “estocando” inumanos foi bem diferente do que teríamos visto se a cena tivesse sido apresentada na primeira temporada, ou começo da segunda. Assim como Daisy, ele provavelmente surtaria primeiro e perguntaria depois. Com um grande cargo vem grande responsabilidade coração gelado.
A grande questão aqui é a separação entre inumanidade e humanidade. Para Daisy, Mack e Hunter (este último em menor escala) é inadmissível que pessoas estejam sendo encaixotadas e armazenadas. Para Coulson, através da humanidade e vulnerabilidade da Rosalind, compreensível e até mesmo justificável. É o que podemos chamar de tom de cinza (não o filme, pelo amor de Raio Negro). O grande problema é que para justificar seus atos, Rosalind precisou fazer com que a história de seu marido que morreu de câncer se conectasse a dos inumanos. Funciona, aparentemente, mas ao mesmo tempo levanta questões. Coulson diz ser capaz de desligar sua emoção ao lidar com assuntos profissionais, Rosalind age profissionalmente através do seu emocional. Em uma agência de espionagem, entre dois diretores, não sabemos quem está usando quem e quem realmente está dizendo a verdade. E só para não deixar de mencionar, a química entre Clark Gregg e Constance Zimmer está cada vez mais forte.
O episódio brilhantemente escrito por Drew Z. Greenberg, o mesmo de Face my Enemy, repetiu a maravilhosa dinâmica entre personagens, com May e Bobbi tomando o centro do palco. Drew entende bem do lado espião de Agents of S.H.I.E.L.D. e da dinâmica de filmes clássicos, como os antigos 007, por exemplo. Para quem não se lembra, seu primeiro episódio contou com May e Coulson e a maravilhosa cena de luta entre May e Fake May. Lembra da cena da mesa? Eu nunca me esquecerei. Neste episódio, porém, Drew trabalhou bem mais o lado psicológico incluído dentro de cada personagem, mas sem deixar de lado o embate físico. De certa maneira o que ele fez foi pontuar como cada uma das duas externaliza a frustração em forma de socos, chutes e acrobacias.
May já lidou com estresse pós-traumático antes, desde Bahrein, ela utiliza sua raiva para liberar seu lado mais agressivo. Bobbi, porém, lida de uma forma mais contida, optando por excluir-se da luta, ao passo que May escolheu excluir-se do mundo. Existe uma diferença entre a reclusão de cada personagem, exemplificada de forma exemplar pelos diálogos entre as duas espiãs. E como foi ótimo vê-las lado a lado, mostrando de verdade o que é ser um espião, um traço da série que infelizmente vem se perdendo cada vez mais, devido a grandes embates contra a Hydra, ou a presença dos inumanos.
A direção do episódio também cooperou para o excelente trabalho dos atores da série, Dwight Little, que já trabalhou anteriormente com Jed Whedon e Maurissa Tancharoen, em Dollhouse, conseguiu captar a necessidade psicológica de cada personagem em se tornar “seu próprio eu”. Ward está em seu momento de transição, assim como cada um de nossos personagens centrais. Ele está reerguendo a Hydra, mas ainda precisa de apoio. É então que a entrada de Gideon é explicada, assim como a busca pelo herdeiro Struker. Em determinado momento eu confesso que fiquei com mais medo do Gideon do que do próprio Ward, imagino que a ideia tenha sido exatamente essa, a de mostrar que apesar de ter estruturado a Hydra, Ward está longe de ser um líder implacável como Wolfgang von Struker foi, ou mesmo o conselho de cabeças da grande serpente mitológica.

Como eu citei no parágrafo de introdução da review, Agents of S.H.I.E.L.D. sabe entregar respostas. O mistério do Lash, como eu também já mencionei, poderia ter sido arrastado por toda a metade da primeira temporada. The Flash arrastou o de Harrison Wells por uma temporada inteira, praticamente. Também é válido pontuar que, por ter voltado para forma humana e ter ateado fogo a loja, Andrew demonstrou que não estamos vivenciando uma dinâmica Dr. e o Monstro, mas sim uma verdadeira imersão no aspecto sombrio da personalidade do psiquiatra. E este tem sido o mote do terceiro ano da série, explorar a humanidade dentro de cada um, além de seus medos. O que você é, e quem você é quando a maré sobe? Andrew se tornou um monstro.
Finalmente consigo entender porque o casamento da Bobbi e do Hunter não deu certo no passado. Hunter está cada vez mais imprudente e explosivo, claramente sofrendo do mesmo estresse pós-traumático que Bobbi, só que no caso dele, optando pela raiva e não pela reclusão. Contudo, eu não vou negar, gostei bastante de vê-lo agindo ao lado da Daisy e Mack, garantiu ótimos momentos de diversão e também ajudou a entender que o caminho seguido por Hunter é mais perigoso do que imaginávamos. O mais importante é saber que os Guerreiros Secretos estão cada vez mais distantes de serem firmados, mas pelo menos o relacionamento entre a Daisy e o Lincoln se tornou menos artificial, mesmo que eu ainda tenha ressalvas quanto aos dois desenvolverem algo mais sério.
Easter Eggs e outras informações
– Among Us Hide é o episódio número 50 de Agents of S.H.I.E.L.D.
– O título do episódio faz menção a Quarteto Fantástico #45, intitulado Among Us Hide…The Inhumans. Foi neste número que a família real inumana foi apresentada.
– Gideon Malick apareceu pela primeira vez em Vingadores, como parte do conselho mundial e responsável pela ordem de lançar o míssil nuclear na cidade de Nova York. Pelo que vocês puderam perceber ele era mais um dos infiltrados da Hydra.
– Shu Wong, nome dado por Fitz para a identidade falsa da agente May, pode ser uma menção a Wong, assistente do Dr. Estranho, filme que começou a ser gravado neste mês. Também existe um Wong-Chu, comunista vietnamita que aprisionou Tony Stark e o forçou a criar a primeira versão do Homem de Ferro.
















