A mitologia dos inumanos e a invasão alienígena de Agents of S.H.I.E.L.D.
Um dos meus maiores medos com a série, depois da transformação de Skye em Inumana, era a maneira que os redatores escolheriam para desenvolver o drama da personagem, sua aceitação e principalmente, a forma com que seus amigos reagiriam a revelação. Cair no clichê é muito fácil, se tornar previsível mais ainda. Porém, depois de assistir a ‘Who you really are’ eu não consigo expressar nenhum sentimento, que não seja o de contentamento com o direcionamento adotado pela série.
Sempre é bom ver um personagem saído do MCU fazendo uma ponta em MAoS, por enquanto Nick Fury, Maria Hill e Lady Sif compõe o quadro de participações especiais, espero que esse número cresça e certo Starlord (não custa nada sonhar) dê as caras, afinal, está ficando cada vez mais comum ter personagens de outros mundos, nada mais justo do que o retorno de um que pertence ao planeta. Não é?
Os poderes da Skye estão crescendo, ninguém sabe a extensão de sua capacidade, mas é essencial que a série não abuse do potencial da moça. Criar personagens fortes além do excesso é perigoso, lembre-se sempre de Heroes e seus heróis e vilões que eram praticamente deuses. Daisy nos quadrinhos é capaz de criar ondas sísmicas e controlar vibrações tão poderosas que podem destruir o cérebro de alguém de dentro para fora. A arma se desfazendo em sua mão é apenas 1% do que a hacker será capaz de fazer e eu estou ansioso. Claro, lá nas HQs ela recebeu aparatos tecnológicos que a ajudam a controlar seus poderes. O que já pode garantir o retorno de Maria Hill, que está atualmente trabalhando para Tony Stark. Que tal um presentinho para a agente favorita do Coulson? Fica a dia, redatores.
Você é boa, mas somente o poder não é o suficiente. Um bom lutador precisa saber como improvisar, se deixar levar”
– Buffy Anne Summers.
Sim, eu fiz uma citação de Buffy em uma review de Agents of S.H.I.E.L.D. e vou explicar o motivo. Primeiro: É “Whedonverse”, então está liberado. Segundo: Essa frase que nossa caçadora favorita diz para Kendra é, talvez, a melhor maneira de lidar com os poderes de Skye. Ter o poder não é o suficiente, controlar as emoções também não, é preciso saber se jogar, se deixar levar. E Skye sempre soube como agir dessa forma, sempre se deixou guiar pelas situações e por isso, hoje, ela é uma agente. Enquanto todo mundo estiver tentando ensinar controle, ela não conseguirá. A partir do momento que a ensinarem a se libertar, sem se perder, a nossa Daisy conseguirá se tornar Quake.

Uma coisa que me incomodou um pouco foi a forma com que aceitaram a inclusão de um alienígena Kree, da Lady Sif que é uma alienígena, mas desprezaram completamente a existência de seres humanos com poderes. Tudo bem, é bem mais fácil lidar com criaturas humanoides (bonitas, por sinal), do que uma roseira ambulante como a Raina. Porém, ninguém agiu com surpresa ao ver um azulão andando livremente pelo planeta terra. Entendo que a invasão chitauri abriu a mente de muitos, mas eu pensei que o grupo mostraria uma aversão maior em trabalhar lado a lado de criaturas de outro planeta. O mesmo vale para Sif, que é de outro “reino”, mas sempre recebeu tratamento VIP. É a velha história do preconceito com base no desconhecido. Ninguém sabe o que é um inumano, logo, agem com o comportamento que reflete bem a sociedade atual.
Fitz e Jemma, o que dizer a respeito dos dois? É bem confuso, na verdade. Durante muito tempo Jemma foi a personagem que eu mais gostei dentro da série, rápida, engraçada e inteligente, a moça sempre conseguiu boas cenas, suas interações com Fitz eram apenas a cereja no topo do bolo. Alguns episódios depois e eu estou totalmente apaixonado pelo Fitz. A única pessoa capaz de pensar com racionalidade dentro do grupo. Enquanto todos criticavam e praticamente levantavam tochas para defender a caçada e expurgo de inumanos, Fitz guardou o segredo de Skye. Momentos depois e todo mundo diz que ele não deveria ter agido dessa forma. COMO? Quem não agiria? Eu negaria até a morte, se preciso fosse. E Jemma está me partindo o coração. Com cada vez mais força e intensidade. Seu olhar desconfiado, suas falas, exemplificam um padrão bem parecido ao da Guerra Civil. Só de pensar em ter Simmons se aliando ao lado do “registre-se ou vá para o cubo”, eu fico profundamente decepcionado.
A escolha de Portugal como local de ação foi interessante, um pouco fora do padrão, mas é o esperado pela série. Achei bem válida e mostra um pouco da preocupação dos criadores e produtores em abraçar as mais diversas partes do globo. Vamos ser honestos? É um jeito de elucidar ameaça global e de deixar bem claro que a S.H.I.E.L.D. opera de fato, em todas as partes do mundo. Ah, de quebra já fazer um agrado aos fãs internacionais, afinal, todos nós sabemos que a aceitação fora dos Estados Unidos (e o dinheiro) ajuda qualquer série e pode significar um empurrão a mais em direção a renovação.
O episódio teve certo didatismo? Sim. É essencial adotar uma postura explicativa. Nós aqui fora possuímos todas as informações necessárias para juntar as peças do quebra-cabeça, Coulson e sua equipe ainda não. Ter um Kree no planeta terra mostrando para as personagens e também para nós, tudo o que implica o experimento genético da criação de armas dos alienígenas é essencial, apesar do método mais didático. Confesso que eu esperava por algum tipo de animação, ou flashback ao melhor estilo Colecionador em Guardiões da Galáxia, afinal, com dois alienígenas era de se esperar um pouco mais de galanteio, infelizmente ambos eram da classe dos guerreiros e esses não são conhecidos por esbanjar aparatos high tech (não ofensivos). De qualquer forma, esse salto para dentro da mitologia foi o ponto mais alto do episódio.
Destino, mas destino de quem e para quem? Eu não compro muito a explicação iluminada da Lady Sif a respeito da sorte que envolve o nascimento dos inumanos e acho até um pouco exagerado a série se enveredar por este caminho. As coisas acontecem porque tem que acontecer, ou por direcionamento divino? No ponto que estamos tanto faz, como tanto fez. Já aconteceu. Lidar com os dilemas do predestinado e da escolha jogam o roteiro da série em um estilo filosófico que não condiz muito com o aspecto desenvolvido, até agora. Enquanto as explicações vêm de forma rápida e ágil, uma assinatura da série, quebrar tudo com um “por onde Skye vai, morte a segue” é de virar os olhos. C’mon MAoS, vocês já desconstruíram os deuses, os anjos banhados em luz azul e querem me enfiar um aspecto divino onde, sinceramente, não tem espaço?
Verdade seja dita, estes dois episódios pós hiato de MAoS funcionaram mais como aquele momento em que a pessoa limpa a garganta, sabe? Tanto para chamar a atenção de quem está na sala, quanto para se preparar para começar seu discurso. A partir de agora tudo vai mudar, de novo. Com o grupo ciente dos poderes de Skye e já iluminados pelas explicações do simpático Kree (quero que volte), a dinâmica não deverá permanecer a mesma, tudo está aberto. Ou quase tudo, certo? Ainda temos o mistério que envolve Mac e Bobbi, que a cada diálogo reforçam mais minhas expectativas para a criação de um novo grupo de combate as forças hostis do mundo (e fora dele). Nós não somos Hydra, temos um segredo, como eles vão reagir? Tudo me cheira a grupo infiltrado e todo grupo precisa de um nome. Qual será o deles? S.W.O.R.D., S.T.R.I.K.E., ou qualquer outro, não importa, o resultado deverá chacoalhar as estruturas do já abalado mundo dos agentes da S.H.I.E.L.D.
Easter eggs e outras informações
– Nunca pensei que tais palavras sairiam da minha “boca”, mas: Queria o Ward de volta. PsicoWard nunca é demais.
– É impressão minha ou as cenas entre a Jemma e Bobbi sempre estão carregadas de certa probabilidade para SHIP? Shippo com força, BTW.
– Pocket teoria – S.W.O.R.D., que eu já citei antes nas reviews é uma agência para combate as forças extraterrestres. É um acrônimo para Sentient World Observation and Response Department, algo como observação do mundo e departamento de respostas, especializados em lidar com ameaças extraterrestres. A agência é parte da S.H.I.E.L.D. e tem como base uma estação espacial na órbita da terra. Com tantos alienígenas pipocando no MCU, não seria de se estranhar a criação de uma equipe especial para lidar exclusivamente com essas criaturas.
– Outra possibilidade para o grupo secreto de Bobbi e Mac é… Secret Warriors, que eu já falei (e MUITO) nas reviews passadas. Eles são um grupo de heróis que contém Daisy como agente, comandados por um exilado Nick Fury. Esse arco é um dos mais utilizados na série e vale ficar de olho, já que tem uma conexão direta com Guerra Civil.
– Nos quadrinhos os Kree criam os Inumanos para conseguir auxílio na guerra contra os Skrull. Como os Skrull pertencem (supostamente) aos direitos conectados ao Quarteto, da Fox, foi feita a mudança em Guardiões da Galáxia, substituindo-os pela raça Xandariana.
– Hunter diz que Bobbi se transforma em um pesadelo de mulher. Bom, nos quadrinhos Mockingbird já sofreu lavagem cerebral por um tempo, se tornando uma inimiga formidável.
– Muito nitrogênio deixa a pele azul, por causa da falta de oxigênio, e a regra se aplica (opostamente) para os Kree, que ficam rosados. Outras raças citadas pela Lady Sif, sete ao todo e são: Kree, Irmandade dos Badoon, Brood, Phalanx, Shiar, Skrull e DireWraiths.
– Destino uma ova. Prefiro que a série explique a aproximação de Coulson com Skye pelo simples fato do sangue Kree injetado no filho de Coul ter ditado essa preferência. Bem melhor que a explicação iluminada, né?
– Quem não sorri involuntariamente ao ouvir o nome Thor?
– Odin é soberano de Asgard, mas quem assistiu ao filme Thor: Mundo Sombrio, sabe exatamente a confusão que está lentamente crescendo no mundo do loirão. Que venha Ragnarok!
– Enquanto a DC reluta em aceitar o universo da TV, a Marvel nos provoca com a possibilidade dos atores das séries fazendo uma ponta nos filmes. É para glorificar de pé, Hala.
– Por falar em Hala, o planeta dos Kree citado na série apareceu no número 38 dos Novos X-Men, que é um crossover com os Guardiões da Galáxia.
– Próximo episódio tem o papai Skye formando seu grupo de vilões para se vingar de Coulson e pegar Daisy de volta. Ansiosos? Eu estou tremendo, Rosana Vin-Tak. E olha que delícia o pôster feito para o próximo episódio:

















