Um episódio para deixar qualquer um roendo as unhas.

E olha, nem chegamos no mid-season finale, que ocorrerá com o episódio ‘What they become/O que eles se tornaram’ e fica até complicado imaginar o que mais sairá dessa cartola para nos surpreender mais ainda. Toda a estrutura narrativa, utilização de personagens e construção da antecipação demonstraram a qualidade de uma série que encontrou o gancho perfeito de histórias para contar, e sem a necessidade de nenhum filme da Marvel Studios para apoiar o caminho traçado. O fenômeno de qualidade que se tornou Agents of S.H.I.E.L.D. precisa ser elogiado em mais uma review, preparem-se, pois, rasgação de seda is coming.

O que mais me agrada em MAoS é a falta de enrolação que a série propôs. Poderíamos muito bem estar encarando um plot (o da cidade) por toda a temporada, tendo a revelação final apenas antes do crossover com Age of Ultron. Porém, não é isso o que está sendo entregue semanalmente. Estamos encarando uma série que preza, acima de tudo, pelas respostas. Já temos quase todas as perguntas da temporada respondidas, faltando apenas descobrir o que Skye é e irá se tornar.

Desde o retorno nós sofremos com o afastamento de Fitz-Simmons e olha, de tão emocional que as poucas falas que os dois tiveram juntos, eu simplesmente adorei a interação entre ambos. A começar pelos discursos isolados, entre Mack e Fitz, para depois encontrar Bobbi e Simmons discutindo exatamente tudo o que queríamos perguntar para a personagem, e ouvi-la dizendo tudo o que Fitz precisa ouvir, mas somente nós tivemos a oportunidade, foi de partir o coração nos mais pequenos pedaços. Amo o elenco de MAoS, sua diversidade e capacidade de me fazer sentir exatamente o que o texto precisa que eu sinta. Não é brincadeira dizer que o crescimento aconteceu não apenas para a série, sua estrutura, roteiro, melhor utilização de plots, houve uma imersão maior da capacidade dos atores em transmitir emoções. De Caestecker e Henstridge foram os pontos altos de Ye who enter here, nem tem como discutir.

Eu sempre disse que May e Coulson estavam, de certa forma, se transformando em figuras materna e paterna para Skye. O sonho da hacker/agente/bad ass deixou mais claro ainda. Sempre gosto das séries do Whedonverse por causa dos seus episódios com sonhos, para quem nunca acompanhou nenhum, em Buffy o season finale da quarta temporada foi todo ao redor de um pesadelo coletivo e compartilhado entre os 4 personagens principais. Foi simplesmente magnífico, cheio de premonições e caminhos que a série tomaria lá no final da quinta temporada e no decorrer dela. Aqui tudo foi bem mais leve e sutil, o jornal na mão do Coulson (se alguém souber a língua, por favor traduza, não achei nada na internet), a relação entre Coulson e May, o bebê e a caixa que reproduzia o poder do obelisco, com algo dentro que eu imagino ser o soro que Skye e Coulson foram injetados. Esses simbolismos, os detalhes, Skye usando um vestido florido nos lembrando de Raina e da conexão das duas. Palmas, palmas para a série por ter se preocupado em nos dar tantos detalhes para absorver.

Não é segredo para ninguém que eu sou um fanático por Marvel. Acompanho várias histórias atualmente, tenho um espaço dedicado na estante para todas as fases do MCU, colecionáveis e action figures. Mas não é por isso que elogio o desempenho da série, não é por gostar do universo é por gostar dela e compreender seu potencial, que não é apenas um desejo, ou uma esperança (como funciona para várias outras produções), aqui é algo “palpável”. Não estamos mais naquele período em que tudo é quase, nós já alcançamos uma estabilidade. E é exatamente por isso que sempre me sinto inclinado a pontuar tudo o que está dando certo até agora.

Demorou, mas ouvimos com o som de trompetes ao fundo o nome Kree. Já era algo esperado, anunciado nas reviews e teorizado por vocês nos comentários,  logo, não existiu muita surpresa, apenas a confirmação do que nós já imaginávamos desde muito tempo atrás. Então, o que isso significa para a série, em curto prazo? Significa que estamos sim encontrando o nascimento dos Inumanos dentro de uma série de TV, um filme que só estreará em 2018 e já ganhou aqui, na (muito criticada e hoje adorada) Agents of S.H.I.E.L.D. Somente isso já deveria ser o suficiente para a renovação da série, aliado ao fato de que a audiência voltou a subir (lentamente), já quero dizer que a ABC tem que liberar logo mais uma temporada, viver nessa angustia não é fácil.

Mas agora vamos falar um pouco sobre a Skye, fiquei um pouco assustado com a capacidade de luta que a ex-hacker e atual agente chutadora de bundas demonstrou. Os treinamentos com May renderam bem e o fato dela não ter conseguido superar a agente 33 foi até bom. Não dá para levar a sério uma moça recém-condecorada ao rol de lutadoras do MCU já derrotando uma inimiga que Melinda May sofreu para ferir, afinal, May é comparada a própria Viúva Negra em termos de habilidade no corpo a corpo. Por outro lado, apesar de ter sofrido um pouco pela ausência do Doutor Papai Skye, foi bom ter a saída dela para os braços do Ward, que está agindo mesmo por debaixo dos panos e esfregando na cara do Whitehall que ele fez um péssimo negócio a confiar no traíra mais cara de pau do mundo.

Doutor, ou como eu gosto de chamar, Papai Skye, também ganhou um pouco mais de explicação, graças a Raina que finalmente começou a soltar a língua e não apenas prometer informações. Eu já havia falado antes, que existe nele uma dualidade muito grande, algo que me compele a não odiá-lo completamente, mas tentar compreender tudo o que ele passou. A mulher morta pela Hydra/Whitehall, o conhecimento a respeito do Diviner, a busca por compreensão e a tentativa de lidar com o próprio ódio, não dá para crucificar o cara sem pensar muito bem antes. E esse tratamento desprendido aos vilões é ótimo, já que temos outros dentro da série que já nutrem bem nossos sentimentos nada coloridos.

“…Eles são o motivo, a razão por eu estar aqui, a razão por existir uma S.H.I.E.L.D.”

Não poderia deixar de comentar a respeito de Bobbi e Mack, que estavam planejando alguma coisa meio “secreta”. Sou um entusiasta de um possível spin-off da Mockingbird, todo mundo já sabe isso. Já vociferei minha preferência e minhas expectativas aqui nas reviews, no twitter e em todos os lugares possíveis. O plano da Marvel pode não ter dado certo lá no passado, ao tentarem dar a Bobbi uma série só para ela. Porém, com essa “dica” de que tem algo a mais rolando, eu desenvolvi uma possibilidade. Hunter é nos quadrinhos o diretor da S.T.R.I.K.E., no MCU ela foi utilizada como uma “guarda de elite” da S.H.I.E.L.D., como vimos no Capitão América 2. Talvez, o plano secreto seja o de trazer a S.T.R.I.K.E. de volta. Vocês viram a maneira com que Bobbi disse para o Coulson que ele era “mole” demais para fazer o serviço do Nick Fury, o mesmo que os agentes da S.T.R.I.K.E. faziam? Em outras palavras, eu consigo ver uma possível saída para essa falta de “pegada”. Bobbi traria de volta uma nova versão da força tarefa da S.H.I.E.L.D. Isso conseguiria deixar aberta uma interação valiosa entre duas séries, colocaria uma dinâmica bem legal para a série da Mockingbird e nem seria uma série apenas dela. Bom, é isso o que penso, já que colocar os dois como Hydra seria muito fraco e repetido. O que vocês acham?

O que nos resta agora é esperar pelo próximo episódio, o ultimo do ano, antes da série entrar em pausa e só retornar em março. Até lá, sei que as expectativas estarão cada vez maiores e com razão. Um episódio balanceado, que conseguiu aumentar o nível de tensão e me deixar na beira do sofá, ansioso para cada virada. Realmente, MAoS aprendeu sua lição. Entretenimento puro, roteiro belo, cenas de luta coreografadas e entregues com precisão, comicidade na medida certa (parabéns para Patton Oswalt) e todos os personagens recebendo um momento próprio para, pelo menos, fazer uma brincadeira. E ainda respiro aliviado por Fitz não ter atirado em Mack, aliviado e triste com o ‘não’ mais sofrido que eu já ouvi o nosso geek dizer. Nos vemos na próxima semana, onde descobriremos o que eles se tornaram.

Easter Eggs e outras informações

– Trip menciona Atlantis como opção para a cidade perdida. Tudo bem, foi só uma menção bem rápida, mas com os direitos do Namor mais complicados do que a vida amorosa da Skye com o Ward, vale a pena aquela esperança de que um dia veremos o conquistador dos sete mares dando as caras no MCU.

– Pocket teoria para vocês – Mack tocou o símbolo Kree e foi transformado, com super-força, olho vermelho e certa loucura. Nos quadrinhos existe uma relação bem parecida para um personagem conhecido como ‘Earth Sentry/Sentinela da Terra’. No caso, Jonh (Earth Sentry) tem seu DNA alterado ao tocar o console de uma nave Kree. Sem corpo, sem morte.

– A Marvel pode ter confirmado que a cidade secreta realmente é Atillan. A Casa das Ideias liberou uma capa alternativa para comemorar o aniversário de 50 anos dos inumanos, nela, podemos ver          o chão da sala do trono do Blackbolt. Ele tem o mesmo padrão utilizado nas escrituras feitas pelo Coulson e outros que receberam o soro com o sangue Kree.

– Já pode pedir Mack voltando com uma camiseta amarela e interpretando o Luke Cage? PODE? DIZ QUE SIM?

– Um momento especial para eternizar: May atropelando os agentes da Hydra.

– Momento para eternizar 2: Os Koenig brincando de robôs e fazendo minha cabeça fritar. Esses dois nos provocando a respeito disso é DEMAIS!

– No sonho da Skye, a música que toca ao fundo é “Daisy Bell (Bicicleta construída para dois”. Seria a confirmação sutil de que Skye é o equivalente a Daysi Johnson, a Quake?

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