Quando todos esperavam por algo mais agitado, Big Love traz um episódio cujo ritmo faz jus ao título: frio como o inverno.

Spoilers Abaixo:

Depois do meu comentário sobre a quarta temporada de Big Love, eu jamais esperaria um episódio centrado quase por completo em somente uma linha de argumento da temporada: as consequências da escolha de Bill e suas esposas ao revelar o relacionamento polígamo do qual eles passaram a vida escondendo. E que admirável ideia… desperdiçada.

É triste a constatação, mas os roteiristas da série não conseguem mais dar a sensibilidade que uma história dessas precisa e ganhou em temporadas anteriores. Eles nem ao menos sentiram necessidade de mostrar o impacto imediato da revelação do segredo da família Henrickson ao mundo, nem deram muito destaque no processo de purificação de Alby, e eu não quero acreditar que fizeram isso por falta de imaginação em lidar com cenas que exigiriam roteiro e direção acima da média. Mas parte desse problema também se deve a construção dos personagens, mais especificamente Bill, que mesmo se tornando cada vez mais responsável pelos danos que causou e causa a sua família ainda não é nem de longe um personagem cativante. Gregory Itzin entrou muito bem na série como o Senador Richard Dwyer, que expressará uma forte opressão a Bill. Veremos o que seu personagem terá a oferecer no futuro.

O episódio começou com um pequeno retiro para Bill, Barb, Margie, Nicki e as crianças, mas nada foi muito aproveitado ali. Cabe apenas uma observação pelo maravilhoso trabalho de fotografia, que ilustrou e planificou com excelência os tons do ambiente desértico onde a família se instalou. Como Bill sempre fez, após dar de cara com a avalanche, ele resolve fugir por tempo indeterminado, e eu achei que esse êxodo seria mais longo e algumas arestas seriam cortadas ali, mas Bill tinha assuntos para tratar em Utah. Agora ele perdeu toda a confiança dos políticos da região, e seu único aliado renunciou ao cargo, e ainda tem de lidar com a pressão dos funcionários da firma que ele controla. Claramente ele perdeu o controle de toda a situação, e será muito difícil virar o jogo.

Quanto às mulheres, foi gratificante ver que o trio de atrizes continua afiado, embora nada seja digno de nota quanto às personagens. Barb continua em crise com os dogmas religiosos, e parece cada vez mais cogitar a ideia de que para ter a liberdade que ela tanto procura, inevitavelmente terá que se libertar de Bill, principalmente agora que nenhum segredo une os dois, e vale ressaltar como estava fantástica Jeanne Tripplehorn nesse episódio, roubando todas as cenas. Nicki continua sendo a menina mimada, que faz tudo para alegrar o esposo e age e fala sem pensar nas conseqüências, servindo até como alívio cômico no episódio (quem não riu da cena dela intimidando o garoto que brigou com Wayne?), mas sempre reservando momentos tensos passados com excelência por Chloe Sevigny. E Margie é a personagem que mais sofre com a exposição da família, por ter perdido seu espaço na mídia e ser a pessoa com mais chances de ser criticada pela opinião pública, e sua fragilidade a impede de tomar uma posição como Barb, e então temos seus pequenos momentos de explosão como na cena do conselho escolar. Mas foi na cena onde as três esposas preparavam o jantar receptivo de Bill, onde todas passam a dizer o que estavam reprimindo, que podemos ver como essas três personagens são tão essenciais para a série.

Também tivemos a macabra volta de Alby, pronto para se vingar de Bill e “purificar o pecado”, mas tudo foi tão passageiro e clichê que prefiro falar mais dele nas próximas reviews, o mesmo servindo para a pobre Adaleen que finalmente saiu do cárcere.

Aparentemente tudo continua o mesmo, e Bill, que ainda parecia contar com algum apoio político na sua pequena festa, percebeu que por enquanto só pode contar com a própria comunidade mórmon. E é assim que Big Love vai deixando suas pontas soltas logo no primeiro episódio da temporada, cada vez mais próxima do “novelão” citado por Chloe Sevigny.

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