Neste episódio antológico, Sam Esmail nos conta exatamente como seria uma comédia com o background histórico de Mr. Robot, contendo todos os elementos presentes nos clássicos, como Seinfeld ou Friends, ou seja cenários estáticos e limitados, aplausos como se houvesse plateia, laugh tracks (trilha de gargalhadas) depois de cada piada, engraçada ou não e até comerciais entre um bloco e outro. Tudo com uma vibe dos anos 80, desde a abertura e trilha sonora, passando pela por toda a ambientação e figurino. Era como se o seriado fosse feito três décadas atrás (e era exatamente isso que estava acontecendo).

No hospital, depois de ter levado uma surra dos capangas de Ray, Elliot se torna Slave (escravo) no “Sistema E11i0t-MrR0b0t”, deixando a posição de Master para Mr. Robot. Um computador pode ter vários HDs, mas somente um deles é o Master, o que comanda os demais, por conter o Sistema Operacional. Todos os outros são Slaves. O mesmo aconteceu com a inversão de papéis, providenciada por Mr. Robot, para aliviar o sofrimento de seu “filho”. E eu aproveito este começo de texto para ovacionar a cena em que Elliot se dá conta do sacrifício de seu alter ego e se debruça sobre ele. Que atuação de Rami Malek e Christian Slater!!!

A propósito, este foi, sem sombra de dúvida, o episódio em que Slater mais brilhou. Sempre à sombra de Malek, ele conseguiu impor a carga dramática nos três momentos distintos: no sitcom imaginário, na esquizofrenia padrão e no flash back. Na parte cômica, somente ele sabia o que realmente estava acontecendo, pois Elliot até desconfiava que tinha algo de errado, mas estava perdido nos delírios.

O mais impressionante é que qualquer roteiro simples deste primeiro bloco, já teria sido sensacional, pelo simples fato de levar os personagens para uma outra realidade. No entanto, cada detalhe e diálogo foi minuciosamente planejado através de um humor negro afiado, no qual nada nem ninguém escapou: o comportamento antissocial e a esquizofrenia de Elliot, o câncer de Edward (alguém se lembrava o nome dele?), a crueldade da mãe, a virada de casaca de Angela, a morte de Gideon e mais uma série de auto-referências. Estes primeiros 17 minutos são para serem vistos muitas e muitas vezes.

E, se já não bastasse tudo isso, ainda tivemos a melhor e mais surpreendente participação de todos os tempos: Alf, o E.Teimoso. No momento em que todos estavam tentando se situar com pequenas dicas (tela do Game Boy da Darlene, por exemplo), surge o ET comedor de gatos dentro de uma loja de conveniência. Tenho certeza que muito gente pensou que ali o episódio descambaria para um nonsense irreversível, no entanto, é justamente a presença do alienígena que justifica toda aquela loucura, afinal, a série dos anos 80 estava passando na TV do hospital e acabou gerando todo o cenário delirante.

Antes de voltarmos para o mundo real, porém, teve a sequência que deixou os fãs de Tyrell que vivem em negação sobre a sua suposta morte de cabelos em pé. Será que Martin Wallströn renovou contrato para aparecer somente em sonhos e delírios? Se eu já não tinha dúvidas, as palavras de Mr. Robot depois de ter estourado a cabeça do nórdico no porta-malas com uma chave de rodas, serviram para intensificar a minha certeza que Tyrell está morto e foi assassinado por Elliot:

As mentiras às vezes são úteis. Às vezes o protegem. E às vezes te ajudam a se livrar de um homicídio.

Claro que ele ainda deve aparecer em, pelo menos, um flash back.

Enquanto Elliot está perdido em seus devaneios e problemas pessoais, a FSociety dá sequência no plano de hackear o FBI. Angela mostra que não aprendeu (nem por osmose) o beabá de informática de segurança e dá muito trabalho para Mobley que tem que ensinar desde os comandos de terminal mais simples.

Comparando com a engenharia social da primeira temporada, na qual Elliot invadiu a Steel Mountain, esta invasão foi muito mais verossímil. Estava achando muito estranho a instrução do episódio anterior, no qual Angela teria que somente deixar um dispositivo cair no 23. andar. O posicionamento de Darlene no hotel, o descarte do agente-carente e as dificuldades técnicas (reparem que Angela deixa a porta aberta no banheiro para pegar o sinal do wifi) de programação e acoplamento do Femtocell soaram muito reais. Destaque para a trilha sonora angustianmente perfeita. Ninguém esperava que uma executiva da E Corp estivesse trabalhando para a FSociety. Ninguém exceto Dom, que mesmo de “Licença Stress” chega bem na hora de atrapalhar a execução do comando final para restabelecer o sinal do wifi para Darlene.

Os motivos que levaram White Rose a deixar Dom viva, pressupondo que o ataque aos agentes foram feitos pelo Dark Army, são enigmáticos. Com certeza não tem nada a ver com a simpatia que o chinês sentiu pela agente. O meu palpite é que Zhang, sendo o melhor jogador da trama, descartou a parceria com Philip no momento em que este informou que o plano de ambos demoraria 6 meses (no mínimo) para ser concretizado. Deixar uma agente sagaz e obstinada viva seria uma forma de manter o seu (novo) inimigo ocupado. Interessante ver Philip preocupado pela primeira vez, desde o início da série.

E, por fim, tivemos mais um Flash Back, mostrando as origens da entidade Mr. Robot. Quanto mais conhecemos o passado de Edward, mais evidente fica que a queda de Elliot foi somente um acidente infeliz. Ele sempre se mostra um pai carinhoso e atencioso. A única grande revelação foi que Elliot também escolheu o nome da loja, mas foi muito bom demais ver mais uma excelente atuação de Christian Slater (certamente este episódio vai ser a sua Emmy Tape).

Enfim… Que episódio!!! Que série!!!

Até semana que vem.

Artigo anteriorBig Brother US 18×25: HoH #09 / Nominations #09
Próximo artigoMr. Robot | Série é renovada para 3ª temporada pelo canal USA
Alexandre Bonfá
Apaixonado por HQ´s há mais de 30 anos, eu me sinto realizado com essa avalanche de séries de Quadrinhos da atualidade. Tá achando pouco? Ano que vem vai ter o dobro!