De um jeito ou de outro, a bomba tem que explodir.
Este deve ter sido o episódio em que Elliot foi mais didático sobre a metáfora tecnológica sempre presente na série. As Bomb Logics são desenvolvidas com o objetivo de disparar uma ação, mediante um acontecimento específico, normalmente com efeito desagradável para o usuário. Um programa Shareware, que libera 100% das suas funcionalidades vem armado, obrigatoriamente, com uma Bomb Logic, que explode por tempo de utilização, quantidade de acessos ou qualquer outra condição que se torne verdadeira.
Claro que nestes casos, a explosão já é esperada e não traz nenhuma surpresa ou malefício para o usuário, porém, a maioria dos malwares também utilizam esta mesma estratégia. Uma vez que um conjunto de condições sejam atendidas, os programas iniciam sua execução perniciosa, como enviar os dados para o seu controlador.
Utilizando o computador de Ray, Elliot constrói um destes malwares, cuja Bomb Logic será a conexão dos celulares Androids dos agentes do FBI, com o computador central do escritório montado no vigésimo terceiro andar do arranha-céu da Evil Corp. Para que tudo isso aconteça, o malware precisa ser implantado nestes servidores e o meio físico para que isso ocorra, deve ser providenciado através de, como diria o hacker, engenharia social.

Toda a jornada que levou Angela a mudar de opinião e aceitar se envolver diretamente no hack do FBI foi muito bem construída. Darlene a rememora o quanto ela se prejudicaria se a verdade viesse à tona. Isso a abala, mas não a convence. Por outro lado, o comportamento canalha e escroto de seu ex-namorado Ollie, que usa tentar lhe arrancar uma confissão sobre o CD com o malware implantado na Allsafe gravando sua conversa para o FBI, ao mesmo tempo que lhe entrega um curriculum (whaaaat???) e lhe pergunta se há uma vaga na E Corp. E, no final, ela mesma tem que convencer Elliot, que é a pessoa ideal para plantar a “bomba”.

É reconfortante ver o que se tornou a parceria consciente entre Elliot e Mr. Robot. Eles passaram a se aceitar e entenderam que são uma extensão um do outro. Isso tornou Elliot absolutamente confiante e seguro de si, retomando o caminho para voltar a ser o líder da FSociety, desta vez no controlando 100% das suas ações.

Antes disso, no entanto, ele vai ter que se virar com seu novo inimigo, Ray. Todo esse imbroglio envolvendo a migração do site do inescrupuloso atravessador digital me fez tomar ciência do quanto as duas temporadas são parecidas: no começo dá dicas da mente perturbada do protagonista e revelou quase que imediatamente, para a grande maioria dos telespectadores, uma alucinação da sua mente perturbada (conversava com alguém que não existia versus mostra um ambiente e rotina de vida irreal), depois ele entre num surto psicótico violentíssimo (tentativa de se livrar do vício de morfina versus ingestão de drogas para se livrar da esquizofrenia), então aparece um perigo deslocado da trama central que acaba de forma trágica (Veras e Shayla versus Ray e o espancamento – espero que nada ainda pior aconteça) e, certamente no próximo episódio, teremos uma ação de hack com engenharia social (Invasão da Steel Mountain versus Invasão do escritório do FBI). Que termine tão bem quanto a primeira…

Mas, se por um lado as temporadas estão muito parecidas, por outro houve uma mudança de roteiro significativa – a visão dos outros grupos envolvidos na trama: FBI e Dark Army. Dominique DiPierro e White Rose tiveram um tempo de tela enorme neste episódio e o texto de seus diálogos foi impecável. Quem diria que o líder do maior grupo hacker do mundo seria o Ministro de Segurança da China?

É interessante notar a importância o Senhor do Tempo deu para a agente de New Jersey, arrancando-lhe histórias do passado e mostrando suas coleções de relógios e vestidos, especialmente se já tinha a intenção de matá-la no dia seguinte. Ou será que esse ataque não teve nada a ver com a Dark Army? Seria muito fácil esconder as evidências nos Data Centers, despistando todas as suspeitas contra a organização, ao contrário de um massacre de agentes federais americanos, atraindo toda a atenção para si. Por que o atirador se suicidaria antes de terminar o serviço? Só espero que a linda Dom escape ilesa disso tudo…

E, por fim, tivemos umas algumas pistas sobre o paradeiro de Tyrell (-sqn). Aquela teoria que Kareem o estaria mantendo aprisionado já foi desmentida. Joanna não faz ideia de onde Tyrell está mesmo e, pelo o que parece, o único acordo que ela tinha com Kareem era para proteger algo que ele viu o “magricelo de gorro” fazendo. Quem mandou o telefone, a caixa de música e o bibelô? Quem ligou da primeira vez e desta? Ele estaria dentro da ambulância? Nada parece fazer muito sentido, por isso, estou quase trazendo a teoria que Elliot e Tyrell são a mesma pessoa e ela só não sabe onde ele está escondido (no hospício, neste caso).
Encerro a review, ainda assustado com o final deste bombástico episódio e com as palavras de Sam Esmail, que já adiantou que o 2×06 será o melhor episódio da série.
Até semana que vem.















