Deixando de lado o que poderia ser a continuação direta para o final enigmático do episódio anterior, The Living and the Dead começa um novo mistério, por mais que adicione aqui e ali elementos que retomem o mistério. Dessa forma, o roteiro cria um novo caso e elementos ausentes até então. O segundo episódio, entretanto, não alcança os méritos do primeiro e cai nas próprias armadilhas, tão bem evitadas na semana passada. Isso não impossibilita a percepção de que a trama principal está, aos poucos, caminhando e sabe aonde vai chegar. Há momentos intrigantes o bastante para não achar essa sequência inútil. Há de se reafirmar, é claro, a boa produção da série, a boa ambientação e todos os detalhes técnicos, que não são capazes de sustentar o episódio, mas se tornam como boa moldura para pinturas bem atrapalhadas.
No outro texto, deixei registrado minha admiração ao perceber que a minissérie da BBC conseguiu alcançar uma qualidade narrativa, por mais que tenha se mantido na zona de conforto pertencente ao gênero. Por esta razão, eu não esperava que ganhássemos histórias originais depois. Todas as peças que montam o “caso da semana” são retiradas da caixa de obviedades já utilizada por outras produções. Temos um garoto assombrado por diversas crianças que somente ele pode ver, crianças estas relacionadas à trágica história do local onde vivem. Os sussurros, as peregrinações noturnas, o velho que guarda um segredo, entre tantos outros elementos, também estão presentes. A única diferença, dessa vez, é que esses itens parecem jogados dentro da narrativa e não funcionam como deveriam.
Episode 2 é mal costurado, tem uma edição estranha e uma direção desajeitada. Ele demora para engatar, e, quando isso acontece, não temos o clímax esperado e acabamos com uma resolução insatisfatória e incompleta. Fiquei impressionado ao perceber que os cinquenta minutos haviam chegado sem que eu tivesse conseguido estabelecer com a série o mesmo interesse sentido antes. O maior exemplo que posso dar para sustentar minha opinião é a cena da caverna que tinha tudo para ser sufocante e claustrofóbica, mas teve um desenvolvimento morno. Fiquei esperando por algum momento aflitivo, que infelizmente não chegou.
Um bom acerto da série, e que esteve novamente presente aqui, foi a presença do miticismo da região, explorado dessa vez pela personagem de Kerrie Hayes, que é pouco explorada, mas que tem sua função dentro da construção do enredo. Temos estabelecido, além disso, diversas questões relacionadas à chegada da tecnoligia em regiões do interior, como isso foi recebido e as consequências que teve para os moradores da região.
O episódio é dividido em duas narrativas, variando entre os desafios de Charlotte e as investigações sobrenaturais de Nathan. Diferente do Episode 1, entretanto, não houve relação entre o andar das duas subtramas, o que coloca em dúvida a importância delas. Como a parte envolvendo os fenômenos paranormais da região não foi interessante, gostei mais das investidas e fracassos de sua esposa. Tratando-se de uma série de horror, isso não deveria ocorrer. Nathan parece pouco empolgado com todo o trabalho do campo, passando seu tempo avaliando questões que envolvem suas crenças, o que soa bem estranho, pois sabemos que o motivo principal para ter mudado para o campo foi justamente para ajudar os camponeses a reconstruir o prestígio da fazenda.
Charlotte é uma ótima personagem. Além do bom trabalho da atriz, temos um roteiro que lhe dá independência suficiente para ser independente. É provavel que haja algum atrito futuro com os moradores e com o próprio marido, mas não me preocupo com esse seguimento do enredo. Só espero que consigam relacioná-lo melhor com os fatos estranhos e a história principal, que é o real motivo de existência da série.
O final trágico do episódio é inesperado, mas não compensa todo o trajeto mal conduzido. As interseções entre passado e futuro, pelo menos até onde entendi, podem render o tom de originalidade que falta à série, mas tudo ainda está nebuloso demais para conversarmos sobre isso. Por enquanto, o gosto é amargo pela decepção de assistir a uma queda de qualidade tão rápida. Nada irreparável, decerto, principalmente se tratando de uma minissérie com seis episódios.














![The Living and the Dead 1×06: Episode 6 [Season Finale]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2016/08/The-Living-and-the-Dead-1x06-720x400-218x150.jpg)