Eis o pesadelo estudantil americano.
O retorno é angustiante em The Fosters com direito a toda tensão que envolve a presença de um atirador em Anchor Beach. É uma abordagem perfeccionista de um trauma na vida real de muitos americanos que já passaram por algum tiroteio ou massacre em escolas e universidades, um tema noticiado constantemente pela imprensa mundial.
Infelizmente, o episódio não remete exclusivamente aos incidentes em escolas, ele acaba trazendo à tona ao telespectador a mais recente tragédia em Orlando e as 49 vidas tiradas por um maluco odioso com aparente desejo de vingança. Em The Fosters na figura do atirador fora de si está Nick, que queimou o galpão do musical após ser traído por Mariana e agora parte para a aula armado e com o seu olhar de bêbado matador.
Acontece que o rapaz assume todos os trejeitos de um maníaco e as pessoas mais próximas a ele só parecem notar isso tardiamente. É assim com o pai de Nick, com o seu melhor amigo Jesus e até com a namorada Mariana. Por sinal, a latina era a mais lerdinha da trupe, sendo a última a perceber o alarme de código azul (sinalizando que há alguém armado no colégio) após todas as classes já estarem bloqueadas com os alunos seguindo os procedimentos de segurança. Don’t Panic!

Achei absolutamente relevante terem mostrado cada etapa do trancamento da escola, os alunos deixando as mochilas do lado de fora da sala, bloqueando as entradas da classe, não permitindo a entrada de ninguém ao fim do alarme e aguardando sob alguma proteção a chegada da equipe da SWAT. O professor substituto armado e totalmente despreparado representa a fragilidade e falhas humanas que podem comprometer o processo e a segurança dos envolvidos no incidente.
A energia potencial do episódio se alimenta com o envolvimento de toda a família neste momento angustiante de ameaça. Curiosamente, os plots são bem trabalhados pelo roteiro em meio ao caos instalado no colégio. A revelação do envolvimento entre Brandon e Callie em Idyllwild trouxe segredos da época do Girls United, por isso, acredito que a protagonista precisará reconquistar a confiança da mães e esquecer o amor por Brandon nesta temporada. Além disso, lidar com a exposição e inúmeras ofensas do Fost And Found.
Seguindo o que foi proposto na season finale, a série continua a desenvolver o conhecimento próprio de Jude com sua nova velha amiga, ao mesmo tempo em que envia mensagens curtas e vazias ao ex-namorado Connor. Tomara que os produtores ressucitem ou enterrem Jonnor de uma vez por todas antes do summer finale.
O que mais me incomodou nesta premiere é um fantasma travado em The Fosters que voltará a nos assombrar, o personagem Jesus Foster. Não me conformo com a limitação dos plots que envolvem o garoto e detestei a descaracterização de Emma, de uma personagem apaixonada arrependida por ter terminado para alguém que se sujeita a um relacionamento descartável.
É bom quando a série usa o melhor de seu elenco para as cenas mais dramáticas como na cena final no tradicional slow motion com trilha melancólica quando Stef leva Mariana em segurança aos braços de Lena. Aliás, a carga emocional promete ser pesada para Mariana, pois o pesadelo só se deslocou da escola para o seu quarto.
O novo ciclo se iniciou com uma estrutura incomum, mas que deu um novo fôlego ao drama da Freeform que acompanhamos desde 2013. Afinal, The Fosters tem que se manifestar além de sua simplicidade e evitar armazenar a sua energia potencial.

















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