Ah, segunda-feira. O dia que muita gente odeia por ter de começar a semana de trabalho e que eu odeio por ter mais um episódio terrível de Preacher para ver. O sentimento de decepção já nem existe e eu agora assisto só esperando me surpreender com o quão pior a coisa consegue ficar (e porque eu não posso abandonar o meu amado Joe Gilgun). Mas dá sim pra ficar muito pior, como Monster Swamp veio para mostrar.

No episódio, Jesse recorda-se de algumas lembranças do seu pai… quem estou tentando enganar? Não acontece nada. Sim, de novo. O ritmo da temporada é mais do que péssimo, ele faz quatro episódios parecerem um piloto mutilado. O plot não avança, ele só ganha novos (e inúteis) núcleos a cada episódio e nenhum deles vai pra frente (e.g. Santo dos Assassinos). Não há planejamento, as coisas parecem se desenrolar como uma fanfic, com a exceção de que Preacher não parece ter sido feita por alguém que alguma vez tocou o material original.

Para evitar assemelhar o texto à estrutura de Preacher, vamos cortar a enrolação:

O Bom,

O pequeno suspenso quando o telefone toca no quarto de Fiore e DeBlanc foi ótimo. Um dos poucos momentos engraçados da temporada até aqui. Foi genuinamente inventivo. É uma pena que o resto de humor que existe na série seja tão protocolado e sem sal.

A ridícula situação que leva ao encontro de Cassidy e Tulip foi bem bacana. Foi muito bem escrito. A sequência de eventos que levou Cassidy a estar no bordel foi consistente e apesar de eu não poder dizer o mesmo sobre Tulip por não fazer a menor ideia do que ela faz ali (ou melhor, saber o porquê, mas ignorá-lo por ser tão estúpido), as interações dos dois foram bem legais.

E acho que só. Todo o resto do episódio foi o equivalente televisivo de um tiro no joelho. 

O Mau

Essa ideia do pai do Jesse ser um reverendo é terrível. Não só porque ela cospe na cara de alguns momentos marcantes dos quadrinhos (esse episódio não precisou se diferenciar deles pra conquistar o título de porcaria, bastou existir individualmente mesmo), mas porque transforma o Jesse num sujeito ainda mais entediante. Mais de trinta anos na cara e o sujeito decide dedicar a sua vida calçando os mesmos sapatos que o pai na mesma cidade que ele supostamente odeia.

Por falar em Jesse, ele é oficialmente a pior coisa de Preacher e talvez o pior protagonista de qualquer coisa na minha grade. Pra começar, estamos no quarto episódio e o imbecil, mesmo já tendo expressado os seus poderes divinos, ainda nos obriga a lidar com essa baboseira do Cassidy ser lelé da cuca.

Que fique registrado que gostaria de voltar atrás no que disse: não é só raiva que o Dominic Cooper não consegue expressar no papel de Jesse. Ele não consegue expressar qualquer traço emocional que associe o seu personagem ao homo sapiens. Talvez este problema não exista no resto da sua filmografia, mas Monster Swamp me fez sentir que eu estava vendo um capítulo de uma telenovela marciana. É virtualmente impossível detectar no Jesse que Cooper vive qualquer careta que não pareça falsa. Quem diabos fuma daquele jeito?

E o que diabos está acontecendo… no geral? Se eu não estou entendendo, imagina quem não conhece nada da história em que a série se “baseia”. O que aquela garota estava fazendo no meio do mato? E porque eu deveria me importar com ela? Que jogo imbecil eles estavam jogando e porque a população toda da cidade agiu como se fosse algo completamente mundano? A cidade inteira para pra falar sobre o reverendo quebrando o braço de um idiota, mas ninguém quer saber de uma mulher caindo num buraco e acabando daquele jeito? Por que a Tulip passaria os seus tempos livres naquele bordel e quem pensou que isso avançaria de alguma forma a história? Foi só para que ela pudesse conhecer o Cassidy? Por que diabos o prefeito estar fazendo sexo com a Emily é minimamente relevante? A única coisa que eu me lembro do maldito episódio da semana, apenas algumas horas após o ter visto, é que o Jesse resolveu fazer uma rifa.

É patético ver o quanto estão se apegando a essa cidade. Eu sequer me importo com essas pessoas, mas aparentemente deveria porque Jesse e Tulip cresceram nela. Ao menos acho que aquela garotinha negra era Tulip, enquanto no fundo espero estar errado apenas para não ter de confrontar mais uma ideia risível. “Precisamos mostrar que esse homem e essa mulher têm um laço forte, mas como? Já sei. Eles cresceram juntos. Mais fácil não fica e a relação deles vai ser ainda mais rica por isso!”. Mas a coisa só piora.

Desde a estreia de Preacher, afirmei que não me importava que a série se afastasse completamente dos eventos dos quadrinhos contanto que a essência da história e dos personagens estivesse ali e alguns momentos até elogiei algumas dessas mudanças (Tulip é o melhor dos exemplos). Mas como já aprendemos, a essência da história e dos personagens deve ter virado na esquina errada, portanto não há fidelidade aí. Quanto aos eventos, a série também está cuspindo na cara deles. De Preacher só resta o nome e alguns trechos da sinopse oficial.

Não bastasse não terem nos dado uma única razão concreta para Cassidy e Jesse se considerarem amigos ou para Tulip sentir qualquer sentimento próximo de amor de alguém tão vazio em personalidade quanto Jesse, nós agora descobrimos que… fãs de Preacher, preparem-se… Odin Quincannon é uma figura semi-paterna para o Jesse! Isso mesmo. Um dos vilões mais execráveis e uma das pessoas que Jesse mais desprezou em sua vida inteira agora é, na brilhante adaptação da AMC, um amigo próximo de Jesse, com quem ele passa os seus tempos livres brincando com soldadinhos e pregando a fé cristã.

Se alguém estava procurando mais razões para o Jesse ser um perdedor, o reverendo tem amizade com um empresário que controla violentamente a região, se sente inspirado ao ouvir animais sendo mutilados e é o patrão de um bando de trogloditas, além de aparentemente não ser a pessoa favorita do seu pai. A solução do nosso herói para os problemas causados por Quincannon (com os quais ele nunca parece se sentir afetado ou preocupado)? Transformar o doente num cristão para chamar mais gente pras missas de domingo. Ah, mas relaxem. É uma genial saída de roteiro, pessoal. Agora o Quincannon vai se transformar num vilão completo por culpa do Jesse. Tão inteligente e inesperado. Poético, até. No jeito George Lucas de ser, é claro.

e o Feio 

Não foi um episódio de feios. O que não foi bom foi péssimo mesmo.

… e a sentença é…

Este tribunal declara Monster Swamp extremamente culpado e o condena a rever as caretas do Dominic Cooper por 4 éons. Entenderam? Porque já foram ao ar quatro episódios e são 4 éons… viram como sou esperto? Até poderia ser roteirista de Preacher. Isto é, se eu também tivesse a capacidade narrativa de acabar todo episódio com um gancho bobo para o próximo (em que também não acontece absolutamente nada).

Sério, façam a coisa certa e fujam dessa série o quanto antes. Procurem alguma telenovela marciana, ao menos os dias lá são um pouco maiores e vocês perdem menos tempo.

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