O nascimento de um verdadeiro líder.

Essa semana Outlander trouxe-nos um episódio com pouca ação, mais focado no desenvolvimento dos seus personagens como um todo, além de simbolizar o nascimento de um verdadeiro líder na série. Je Suis Prest serviu de preparo para a guerra que está por vir, da mesma maneira que o episódio anterior teve o seu propósito de planejamento para o futuro que Claire e Jamie virão a enfrentar em breve. Mas isso não impediu a série de nos presentear com mais uma belíssima obra-prima, do tipo que só Outlander sabe fazer.

O episódio dessa semana fez o que poucas séries com temática de guerras, lutas e revoltas fazem hoje em dia: mostrou a preparação, o treinamento e a evolução de meros camponeses a soldados dispostos a lutar por um propósito em guerra. Outlander sempre prepara seus episódios pensando nos mínimos detalhes, isso não é novidade para ninguém, muito menos para vocês (que tem que ler eu falar sobre isso toda semana). Então não me espanto de ver a série utilizando seus cinquenta minutos apenas com o intuito de mostrar para o público àquelas pessoas indo à guerra não se tornaram soldados da noite para o dia. Aliás, todo esse preparo será essencial para o rumo que a Batalha de Culloden irá tomar daqui pra frente. Jamie, ao contrário do que pensa Dougal, estava corretíssimo em moldar a “barbaridade” escocesa e a sua força bruta, ensinando-lhes o respeito, educação, disciplina, algo que lhes falta, mas que é característica viva no exército inimigo.

Mas o episódio também mostrou-nos que Jamie é um verdadeiro líder, revelando uma nova face do personagem. Jamie é muito mais do que o mocinho da história e deixando claro que não é apenas Caitriona que rouba a cena. É por essas e outras razões que eu sempre digo que o casal de atores foi escolhido perfeitamente para protagonizar a série. Caitriona é um verdadeiro furacão, onde ela passa, qualquer cena que ela esteja inserida, a atriz faz um belíssimo papel, convencendo o público do que ela está fazendo, emocionando-os, enganando-os e, principalmente nesse episódio, não deixando de dizer o que ela pensa, sendo contrário ao pensamento da época com relação às mulheres. Vê-la discutindo com Dougal, sem papas na língua e sem medo do que pode a esperar no futuro, foi uma das cenas mais brilhantes dessa semana. Claire disse o que todos nós pensávamos, o que todo os personagens do elenco devem pensar, mas que ninguém nunca teve coragem de botar para fora. Dougal de fato pensa apenas em si mesmo e Claire não deixa isso barato, ela mostrou o que pensa, provocando-o ainda mais. Será esse outro motivo que a levará ao seu tempo de origem? Não a julgo caso isso aconteça. Claire pode pensar que Jamie morreu na batalha e, com medo do futuro e de sua promessa de casar com Dougal, ela irá até Craigh na Dun para retornar aos braços de Frank. Por mais estranho que possa ser estar ao lado de alguém tão parecido com o BJ, acho que é muito pior estar com Dougal, não?

Claire/Caitriona é uma mulher batalhadora, destemida e cheia de si, que nesse episódio mostrou-se ainda mais forte ao protagonizar cenas tão pesadas como as da 2ª Guerra Mundial. Mas essa também é a sua vulnerabilidade e talvez seja seu único ponto fraco, pelo menos que eu tenha notado até o momento. Seu passado na guerra afetou drasticamente o seu psicológico e isso estava inacessível até ela se dar conta de que isso irá se repetir na Batalha de Culloden. Saber que milhares de pessoas morrerão, às quais tantas delas tem determinado envolvimento com Claire como, por exemplo, o próprio Jamie, Murtagh e os outros, simplesmente a afeta de uma maneira que pode não ter volta. Não é à toa, então, que ela retorna tão abalada para seu tempo de origem, afinal, viver duas grandes guerras, presenciando a morte de tantas pessoas amadas, é realmente traumatizante.

Retornando ao Jamie… O ruivo mostrou nesse episódio o que é ser um líder, diferenciando-se a definição de chefe, botando Dougal e muitos outros no chinelo. Jamie deixou claro o quão destemido, forte e inteligente ele é, sendo autoritário com seu exército, mas, ao mesmo tempo, compreensivo, sábio e um verdadeiro líder. Liderança é para poucos, pois esse termo é bem difícil de ser desvinculado da palavra “chefe”. Ser chefe é comandar algo, alguém ou uma equipe, muitas vezes sem ouvir suas opiniões, tomando decisões sozinho e não as decidindo em grupo, e sem buscar ensinar o próximo, ao mesmo tempo em que aprende com o mesmo. Jamie revelou exatamente o oposto, sendo enaltecido como uma figura importantíssima para a revolta que está por vir, como o grande, único e competente comandante das tropas contra os britânicos.

Por fim, vale ressalvar a importância de uma das frases ditas com Claire nesse episódio. Ela faz uma referência do episódio ao nome do segundo livro (e o nome do season finale) ao dizer: sinto-me como uma libélula no âmbar. Da mesma forma que a frase pode estar associada ao fato de Claire estar cansada de ficar parada e ausente dos conflitos, como uma libélula presa no âmbar, ela também pode simbolizar algo para o futuro de Claire e Jamie. O season finale irá se chamar “Dragonfly in Amber”, provavelmente protagonizando o retorno de Claire ao presente (com Frank) também, por revelar que ela estará de pés e mãos atadas, que ela não terá como salvar Jamie do seu destino, muito menos reencontrá-lo. E vocês, quais são suas apostas com relação a essa frase específica? A batalha está cada vez mais próxima, já tivemos um planejamento e o treinamento para a guerra, será que semana que vem ou no próximo já teremos o início da Batalha de Culloden? Agora resta-nos apenas esperar, infelizmente!

Isso é tudo, Sassenachs. Até a semana que vem!

P.S.1: Você percebe que a Caitriona é uma ótima atriz em cenas como as de Faith, mas também quando até a sua personagem atua perfeitamente bem. A cena na qual ela finge ser apenas uma inglesa em perigo, num acampamento cheio de irlandeses, foi hilária! Vê-la chutando o Jamie e ele, sem esperar por isso, chamando-a de Sassenach e com cara feia foi o ponto alto do episódio. Caitriona merece muito ganhar o Emmy, vocês não concordam?

P.S.2: Deem um Emmy ao Sam Heughan e, obviamente, ao Tobias Menzies também! Na minha humilde opinião, o trio de Outlander merece todos os prêmios possíveis, mais até do que séries famosas como, GoT, por exemplo.

P.S.3: Por mais que eu não goste de Dougal… Foi bom vê-lo novamente, ele os outros dois “patetas”, ambos os símbolos da Escócia até o momento.

P.S.4: O season finale (Dragonfly in Amber) de Outlander, previsto para ser televisionado no dia 2 de julho, terá 90 minutos de duração! Eu não sei se fico feliz por ter mais tempo de episódio ou triste pela temporada já estar próxima do fim. É pedir muito querer que Outlander retorne em outubro e não apenas no ano que vem?

P.S.5: A cada episódio que passa eu me apaixono mais pelo vínculo que Claire e Jamie estão criando com Fergus. Eles perderam Faith na França, mas retornaram à Escócia com um verdadeiro filho de coração. Ver a felicidade nos olhos de Fergus ao rever Claire e Jamie não tem preço, foi lindo demais! Espero que quando Claire for embora Jamie ao menos acolha o menino como seu filho oficialmente. Não aceito menos que isso!

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